04/08/2018 (18:57)

Poluição dos mares é originada em 80% nos rios

Cerca de 80% da poluição marinha é originada em terra. Esgotos, pesticidas, metais pesados e outros poluentes são conduzidos por cursos de água doce até o litoral e causam danos à saúde das pessoas e ecossistemas. Quando se fala em lixo plástico, especificamente, 13 milhões de toneladas chegam até os oceanos a cada ano, maior parte dos rios.

 

São os rios que transportam o lixo das cidades e do campo até a praia.

Com o objetivo de combater a poluição plástica desde o interior do território e

reverter a maré de lixo que invade os oceanos, a ONU Meio Ambiente anunciou (180708)

duas iniciativas inovadoras no Brasil. Em parceria com a Fundação Amazonas

Sustentável (FAS) e com a Secretaria do Meio Ambiente do Governo do Estado do

Amazonas (SEMA), começou o projeto “Rios Limpos para Mares Limpos”, uma

mobilização para a conservação de rios, igarapés e outros afluentes no Amazonas.

Já em Santa Catarina, as 11 cidades que compõem a Associação de Municípios da Foz do Rio Itajaí (AMFRI) irão aderir à campanha Mares Limpos, comprometendo-se a desenvolver e implementar de forma inédita um Plano Regional de Combate ao Lixo no Mar com foco no Rio Itajaí. Ambas as atividades integram as ações da agência da ONU para a semana do meio ambiente (4-11/6).

Quase todos os rios vão para o mar

Apesar das diversas aplicações do plástico, como na indústria e na medicina, a sociedade moderna está cada vez mais dependente de produtos plásticos descartáveis. Metade de todo o plástico produzido é projetado para ser usado apenas uma única vez — e jogado fora em seguida, o que pode ocorrer depois de 30 segundos.

Quando itens como sacolas plásticas, canudos e embalagens de alimentos são descartados incorretamente nas ruas, eles voam com o vento, entopem bueiros, aumentam o risco de enchentes e acabam nos rios e nos mares.

No mundo, 10 rios carregam sozinhos mais de 90% dos resíduos plásticos que

acabam nos oceanos. O maior rio da Ásia, o Yangtzé (China), é responsável

pelo transporte de 1.469.481 toneladas. Já o Indo (Índia) conduz 164.332

toneladas, o Rio Amarelo (China) 124.249 toneladas e o Nilo (Egito) 84.792

toneladas. Na África, o Níger (Guiné, Mali, Níger, Benim e Nigéria)

deságua 35.196 toneladas de plástico no mar.

Rios Limpos para Mares Limpos

Mirando combater a poluição por resíduos plásticos em um dos maiores rios do mundo, a ONU Meio Ambiente uniu forças com a FAS e com a SEMA-Amazonas para desenvolver o projeto “Rios Limpos para Mares Limpos”. O lançamento foi feito no seminário “Dos rios limpos para mares limpos com os ODS”, em Manaus, com a presença da representante da ONU Meio Ambiente no Brasil, Denise Hamú, do superintendente-geral da FAS, Virgilio Viana, e do secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Marcelo Dutra.

“Como em outras regiões do planeta, as cidades da Amazônia são fontes de geração de resíduos sólidos e poluição dos rios, o que pode se agravar ainda mais com a tendência de aumento da urbanização. Devido a sua importância em termos de biodiversidade global e de serviços ecossistêmicos, a Amazônia, talvez mais do que qualquer outro lugar no Brasil, precisa estar à frente do combate à poluição plástica – e isso implica mobilizar tanto governos e indústrias quanto as comunidades ribeirinhas”, afirma Hamú.

“O evento é muito importante por abordar questões urbanas essenciais em nível global. A despoluição dos rios é estratégica na construção de cidades mais saudáveis, e ao mesmo tempo, na redução da poluição dos mares, que nesse momento é uma calamidade devido aos níveis altíssimos de poluição causada por plásticos”, complementou Viana.

Foi realizado um mutirão de limpeza com pranchas de stand-up paddle (SUP) nos igarapés do Tarumã, na Zona Oeste de Manaus, reunindo diversos atores e comunidade para ações práticas de conservação.

Adesão regional à campanha

No estado de Santa Catarina, o seminário “Oceano sem plástico – ações em terra

que afetam o mar” aderiram à campanha Mares Limpos, 11 municípios localizados

às margens do rio Itajaí. O primeiro passo foi dado ainda em abril, com a adesão

da cidade de Itajaí, durante a Volvo Ocean Race. Agora, os municípios vizinhos se

unirão para desenvolver e implementar um Plano Regional de Combate ao Lixo no Mar.

“Os rios apenas refletem as atitudes inconscientes dos indivíduos e nos fazem perceber a tamanha deficiência do sistema de gerenciamento dos resíduos nas cidades. Precisamos abordar essa temática de diferentes ângulos e de forma multidisciplinar. Os representantes locais e gestores das associações de bacias hidrográficas têm um papel fundamental neste processo buscando alternativas para viabilizar frentes de trabalho que contribuam para esta causa”, explica o presidente da Fundação do Meio Ambiente de Piçarras, Marcos Zaleski.

 

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