07/07/2018 (19:34)

Tecnicos buscam alternativas para gases do aquecimento da Terra

Encontrar fluidos frigoríficos alternativos ao HCFC-22, substância destruidora do ozônio utilizada pela indústria de frigoríficos e ar condicionado, foi o que discutiram especialistas reunidos em Porto Alegre (sul do Brasil). Projeto é eliminar elementos poluidores até 2040. Essa tarefa começou em 2015 com a extinção de 16,6% do consumo de HCFCs.

 

O Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs está na segunda etapa, que vai até 2020 para eliminar 39,3% do consumo e mais 51,6% até 2021. A eliminação completa se dará na terceira etapa, até 2040”, explicou Gabriela Lira, analista ambiental do MMA (Ministério do Meio Ambiente).

O workshop que teve participação de 70 técnicos, foi organizado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e pela Organização das Nações Unidas para Desenvolvimento Industrial (UNIDO) no Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH).

Magna Luduvice, coordenadora-geral de proteção da camada de ozônio do MMA,  lembrou que o Protocolo de Montreal trata de substâncias que destroem a camada de ozônio por meio de metas específicas.

“Atualmente, estamos trabalhando na eliminação dos HCFCs, e temos até 2040 para eliminá-los. Para tanto, elaboramos o programa em conjunto com o setor privado, que permite ao País cumprir as metas do Protocolo de Montreal e ajudar os setores usuários de HCFCs a migrar para alternativas tecnológicas”.

O workshop foi direcionado a pequenas e médias empresas do setor de refrigeração comercial. “Por meio desse projeto, esperamos disponibilizar oportunidades para que a indústria brasileira realize o intercâmbio de tecnologia para melhorar suas capacidades produtivas”, ressaltou Alessandro Amadio, representante da UNIDO no Brasil e na Venezuela.

 

Para apoiar o setor produtivo a cumprir as metas definidas pelo Brasil, “a UNIDO atua como agência implementadora dos projetos para o setor de manufatura em refrigeração e ar condicionado por meio de apoio técnico e financeiro às empresas brasileiras do setor”. É o que disse Edgard Soares, assessor técnico da UNIDO.

Alternativas ao HCFC-22

Desde 2010, o setor busca alternativas viáveis ao HCFC-22. “Com a implementação do PBH,

que trouxe a tendência de equipamentos de mais eficiência energética e menos impacto ambiental,

é natural a busca cada vez maior por novas tecnologias”, afirmou o representante da Fricon, Michael Matos.

Fluidos alternativos desejáveis devem levar em consideração segurança, toxidade e meio ambiente.

“Essas substâncias, portanto, não devem ser tóxicas para que não haja contaminação”,

afirmou o professor da Universidade Federal de Uberlândia, Ênio Bandarra.

 

Além disso, para o mercado, é importante que sejam de baixo custo, com fácil detecção em eventuais vazamentos, solubilidade satisfatória em óleo e reduzida solubilidade em água, complementou o professor.

Primeiramente, os HFCs foram uma opção. Porém, pelo alto potencial de aquecimento global, a substância não é ambientalmente adequada. Dessa forma, como alternativas sintéticas, o setor conta com os HFOs. Já como alternativas naturais, as mais viáveis são o CO2 subcrítico e transcríto, e, o propano.

“Os HFOs ainda não estão disponíveis no mercado como um todo e seu preço é muito elevado. Portanto, a substância ainda não é viável para o setor produtivo brasileiro”, afirmou o gerente de engenharia da Eletrofrio, Rogério Marson, que apresentou ainda o protótipo de chillers modulares a base de propano (R-290) desenvolvido no âmbito da Etapa 2 do PBH e apresentado na última Apas Show, feira voltada para o setor supermercadista que ocorreu em abril deste ano.

Em complemento, Marson ressaltou que, com a instalação de portas em refrigeradores de supermercados, houve aumento da eficiência energética dos equipamentos, o que permite a utilização de uma quantidade menor de fluido frigorífico nesse setor. “Isso faz com que um fluido inflamável se torne muito mais viável, especialmente no setor supermercadista”, informou o gerente de engenharia.

Para nortear o setor quanto a esses aspectos, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) promove debates das normas com especialistas. “As normas não têm valor legal, mas são um documento discutido pela ABNT. Portanto, não é apenas a opinião de um técnico ou especialista, mas o posicionamento de todo um conselho. É um documento de referência”, explicou o representante da ABNT, Oswaldo Bueno, que ressaltou ainda os trabalhos mais recentes em curso no âmbito da ABNT para regulamentar o uso de fluidos inflamáveis no setor de refrigeração.

 

Para garantir a segurança dos produtos de refrigeração, é fundamental que o setor de

serviços esteja qualificado para a manejo adequado das substâncias. Dessa forma, a

agência de cooperação alemã GIZ trabalha em conjunto com o MMA para implementar

projetos do PBH no setor de serviços de refrigeração e ar condicionado.

“Na etapa 1 do PBH, foram capacitados 4,8 mil técnicos em parceria com instituições

de ensino regionais”, contou a gerente de projetos da GIZ, Stefanie von Heinemann.

 

Os treinamentos trabalham com a conscientização e disseminação de boas práticas, com foco na contenção de vazamentos do HCFC-22. “Boas práticas são a base para se trabalhar com qualquer fluido refrigerante, pois o primeiro passo é trabalhar a contenção de vazamentos”, afirmou a gerente da GIZ.

A gerente de projetos da UNIDO, Sérgia Oliveira, ressaltou que UNIDO e GIZ devem trabalhar em conjunto para a substituição das substâncias destruidoras do ozônio no setor de refrigeração e ar-condicionado e a capacitação de técnicos e engenheiros. “Para o segundo semestre deste ano, estamos organizando workshops voltados para problemas técnicos apresentados pelo setor”, informou.

Magna Luduvice também ressaltou a importância de eventos como o presente workshop para manter os setores usuários de HCFCs bem informados e auxiliá-los na busca por alternativas adequadas ao mercado e ao país. “As metas do Protocolo de Montreal são alcançadas pelo Brasil devido ao trabalho conjunto entre governo, sociedade e setor privado. O engajamento das empresas é fundamental em todo esse processo”, finalizou.

Para o segundo semestre de 2018 e ao longo de 2019, estão previstos novos eventos para o setor de manufatura de equipamentos e componentes de refrigeração para sensibilização e engajamento das empresas na busca por alternativas tecnológicas ambientalmente adequadas no âmbito das ações de implementação do Protocolo de Montreal no Brasil.

 

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