19/06/2018 (22:11)

Brasil deve prevenir violação de direitos dos idosos

Proteger contra violações de direitos e valorizar experiências e contribuições que podem oferecer no desenvolvimento social construtivo e harmonioso, são preocupações que o Brasil deve ter com a população de idosos. Pessoas com mais de 60 anos de idade devem superar o número de crianças e adolescentes de até 14 anos, quando chegar o ano 2031.

 

Consultores do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), estão chamando

atenção dos governantes brasileiros para os riscos e sinais de agressões físicas e

psicológicas que ocorrem no País, onde há acentuado aumento de pessoas na

chamada terceira idade. Em 2017, informa o IBGE ( Instituto Brasileiro de Geografia

e Estatística) que cidadãos com mais de 60 anos chegaram a 30 milhões. As mulheres são

maioria nesse grupo, 16,9 milhões (56%), enquanto os homens idosos representam 44% — 13,3 milhões.

A expectativa de vida dos brasileiros tem mudado consideravelmente. Segundo o IBGE, nos últimos

50 anos, a taxa aumentou em mais de 18 anos, passando de 56,27 anos em 1964 para 74,68 anos, em 2015.

 

Jaime Nadal, que representa o UNFPA no Brasil, lembra que a garantia de uma vida saudável, independente e segura na terceira idade começa com investimentos na juventude. “Quando falamos de investir em saúde sexual e reprodutiva, que as mulheres devem ter oportunidade para completar os seus ciclos educativos e assim se engajar no mundo laboral, estamos construindo uma população idosa mais empoderada, mais autônoma e mais capaz de enfrentar os desafios”.

A professora Leides Moura, da Universidade de Brasília, afirma que a responsabilidade pelo bem-estar dos idosos é da família, estado e sociedade. “O Brasil, sendo um país de desigualdades, mantém os idosos em uma situação de vulnerabilidade à medida que não são oferecidos apoio e condições básicas para que estas pessoas possam ter mobilidade, sociabilidade, segurança e saúde, por exemplo.”

Na opinião da pesquisadora, “além disso, a família e a sociedade corroboram para a cultura de que os idosos são descartáveis socialmente, gerando uma gama de violências”.

Melhor lugar para envelhecer

Santos, em São Paulo, seguida por Florianópolis e Porto Alegre, são as melhores localidades do País para se envelhecer. conclusão é do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, vinculado à Fundação Getúlio Vargas. Cuidados de saúde, bem-estar, finanças, habitação, educação e cultura, foram alguns dos indicadores avaliados.

 

São Paulo, porém, é considerado o estado mais violento do País para a população

idosa. Dados do Ministério dos Direitos Humanos, colhidos por meio do Disque 100,

revelam que em 2017, em todo o Brasil, houve mais de 33 mil denúncias de abusos

contra pessoas acima de 60 anos. São Paulo responde por 21,59% dessas denúncias.

O estado que apresentou menos casos foi Roraima, com 0,07%. Entre as

ocorrências, estão negligência e violência psicológica, física e sexual.

 

“É importante lembrar que as denúncias devem ser feitas nas delegacias. O Disque 100 é um sistema de informação e aconselhamento que geram bons dados, mas não garante uma proteção. Outra ferramenta importante são as fichas de notificação compulsórias, que devem ser preenchidas nos serviços de saúde”, esclarece Moura.

Os números da Secretaria de Direitos Humanos não refletem o total de casos no Brasil, pois estima-se que a maioria dos crimes não é denunciada por motivos como proximidade com o agressor e afetividade, medo e falta de conhecimento sobre os mecanismos de denúncia.

“As violências em idades avançadas são potencializações de uma série de abusos que as pessoas sofreram durante toda sua vida. Se as relações foram abusivas, estiveram em situação de pobreza, não possuíam acesso à educação, saúde durante a vida, essa pessoa vai ter um envelhecimento com uma série e fragilidades”, ressalta a professora da UnB.

 

O UNFPA aponta que as agressões podem estar ligadas aos preconceitos sobre os idosos.

O envelhecimento é um conceito que tem uma conotação negativa, pois muitas pessoas

o interpretam como equivalente à perda das faculdades físicas, risco maior de mortalidade

e custos para a saúde. Jaime Nadal defende que os idosos não devem ser

enxergados como uma carga social, mas como uma pessoa que pode

dar contribuições bem expressivas para a sociedade.

 

 

Um em cada 6 idosos já sofreu abuso

 

“À medida que a pessoa idosa é valorizada, as questões que tem a ver com o estigma, com a discriminação e com a violência contra a pessoa idosa deveriam diminuir, mas é preciso reconhecer e valorizar o aporte que a pessoa idosa ainda pode ter na sociedade, que é muito expressivo, considerando os ganhos em longevidade que a sociedade tem experimentado nos últimos anos e que ainda vai continuar experimentando”, afirma o representante do UNFPA.

 

Cerca de 1 em cada 6 idosos sofreu tipo de abuso ao longo do último ano, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O índice representa um total de 141 milhões de idosos em situação de abuso em todo o planeta. 

No Dia Mundial de Conscientização sobre o Abuso de Idosos, lembrado hoje (15), a entidade alerta que, caso a proporção de abusos se mantenha, o número de pessoas afetadas deve aumentar rapidamente, em razão do envelhecimento da população, podendo chegar a 320 milhões de vítimas até 2050.

 

O projeto em análise na Câmara dos Deputados vai beneficiar os idosos
O projeto em análise na Câmara dos Deputados vai beneficiar os idosos - Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil

As taxas de abuso em instituições como asilos e instalações que oferecem cuidados a longo prazo, segundo a OMS,  são maiores do que quando eles são mantidos em meio a comunidade – dois em cada três cuidadores reportam ter cometido abusos nesse tipo de instituição ao longo do último ano.

“Enquanto muitas instituições se esforçam para oferecer aos residentes cuidado de qualidade, as evidências sugerem que um número inadequado de cuidadores, condições difíceis de trabalho (exigência física e emocional), baixos salários e treinamento inadequado em direitos humanos das pessoas idosas pode contribuir para o aumento das taxas de abuso em instituições.”

 

 

De acordo com a OMS, atos abusivos registrados em instituições incluem:

- restringir fisicamente os pacientes

- privá-los de dignidade (deixando-os vestidos com roupa suja, por exemplo)

- fornecer cuidados insuficientes de forma intencional (como permitir que eles desenvolvam feridas)

- medicar em excesso ou não medicar os residentes

- negligência emocional e abuso

 

(informação da Agência Brasil)

 

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