31/05/2018 (18:08)

Armamentos gastam 80 vezes mais que ajuda humanitária

Em 2017, mais de US$ 1,7 trilhão foram investidos em armas e no subsídio a exércitos. Significam 80 vezes mais que o financiamento humanitário básico em todo o planeta. São os maiores índices desde a queda do Muro de Berlim. Para o dirigente da ONU, António Guterres, o mundo está a apenas "um erro mecânico, eletrônico e humano" da destruição.

 

Secretário-geral está anunciando um novo plano para o desarmamento global. A estratégia 

é auxiliar no processo de eliminação de arsenais de armas nucleares e de outros

tipos de armamentos letais. Lançamento se faz num momento onde “o controle

de armas têm se mantido nos noticiários todos os dias, às vezes em relação

com o Irã e a Síria, às vezes em relação com a península coreana”.

 

O plano foca em 3 prioridades: armas de destruição em massa, armas convencionais e novas tecnologias em campos de batalha.

“A ONU foi criada com o objetivo de eliminar a guerra como um instrumento de política internacional”, afirmou o chefe da ONU, ao revelar a nova agenda, intitulada ‘Assegurando nosso futuro comum’. No entanto, acrescentou, “após mais de sete décadas, nosso mundo está mais perigoso do que nunca”.

“O desarmamento previne e acaba com a violência. O desarmamento apoia o desenvolvimento sustentável. O desarmamento é um processo em confluência com nossos valores e princípios.”

Em um primeiro momento, Guterres reforçou como o desarmamento nuclear, químico e biológico possui potencial para “salvar a humanidade”.

O dirigente também destacou que cerca de 15 mil armas

nucleares continuam armazenadas em todo o mundo, e

que centenas desses armamentos estão prontos

para serem lançados em questão de minutos.

“Nós estamos a um erro mecânico, eletrônico ou humano de uma catástrofe que poderia erradicar cidades inteiras do mapa”,

O secretário-geral afirmou que os Estados que detêm armas nucleares possuem responsabilidade fundamental na prevenção de catástrofes. Nesse contexto, o chefe da ONU apelou à Rússia e aos Estados Unidos para que resolvam sua disputa com base no Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF).

O dirigente também fez menção à extensão do novo tratado START sobre armas ofensivas estratégicas, que deve expirar em apenas três anos, e reforçou a necessidade de tomar novos passos para reduzir o armazenamento de armas nucleares.

O chefe da ONU também declarou que o esvaziamento do estoque de armas convencionais, que inclui armas pequenas e leves, além de minas terrestres, pode “salvar vidas”, em particular de civis que sofrem com conflitos armados.

Guterres lembrou que os conflitos armados são responsáveis não apenas por índices aterradores de mortos e feridos, mas também de números recordes em deslocamento de civis, privando o acesso à saúde de qualidade, educação e quaisquer meios de sustento.

No fim de 2016, mais de 65 milhões de pessoas foram deslocadas por conta de guerras, violência e perseguição.

“Minha iniciativa terá base na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, o plano mundial para paz e prosperidade em um planeta saudável”, declarou Guterres. Gastos excessivos em armas desviam recursos para o desenvolvimento sustentável.

Em 2017, mais de US$ 1,7 trilhão foram investidos em armas e

no subsídio a exércitos, os maiores índices desde a queda do

Muro de Berlim. Isto representa cerca de 80 vezes mais

que o financiamento essencial para suprir as

necessidades humanitárias em todo o planeta.

O secretário-geral também afirmou que novas tecnologias, quando utilizadas de maneira maliciosa, podem ter como consequência uma nova corrida armamentista, colocando futuras gerações em risco.

“Os riscos causados por novas tecnologias armamentistas podem ter grandes impactos no futuro de nossa segurança”, Afirmou Guterres.

Segundo o dirigente, desarmamento, controle de armas, não proliferação, restrições, construção de confiança e, onde necessário, eliminação, são “ferramentas essenciais para manter a segurança de nosso mundo, e assegurar nosso futuro”.

“O paradoxo é que quando cada país busca sua própria segurança, sem considerar outras nações, criamos uma insegurança global que põe todos em risco”, completou o chefe da ONU

 

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byJNko