29/05/2018 (22:20)

Em Genebra 195 países decidem priorizar prevenção contra doenças

Na Reunião de Alto Nível das Nações Unidas, que será realizada em setembro de 2018, em New York o tema central é prevenção. Isso é o que estão discutindo em Genebra (Suíça), representantes de 195 países. No evento haverá definição de plano estratégico de erradicação da poliomielite, tuberculose e cólera que afeta 2,9 milhões e mata 95 mil todo ano.

 

Em Genebra para a 71ª Assembleia Mundial da Saúde, delegações de 194 países concordaram na semana passada em levar mais saúde, prevenção e atendimento para 3 bilhões de pessoas até 2023. Metas firmadas junto à Organização Mundial da Saúde (OMS) visam garantir que nos próximos cinco anos, 1 bilhão de pessoas sejam incluídas em sistemas de cobertura universal, 1 bilhão de indivíduos estejam mais bem protegidos contra emergências e 1 bilhão de cidadãos tenham saúde e bem-estar melhores.

Concluído no último sábado (26), o encontro entre representantes dos países-membros da OMS definiu o plano de trabalho da agência da ONU para os próximos cinco anos. Dirigentes também adotaram resoluções sobre temas específicos, como resposta a emergências, saúde digital, cólera, poliomielite, tuberculose, doenças crônicas não transmissíveis, nutrição, atividade física, escassez de medicamentos e vacinas e os altos índices de picadas de cobras.

“A saúde tem o poder de transformar a vida de um indivíduo, mas também tem o poder de transformar famílias, comunidades e nações”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante o encerramento da assembleia.

“O compromisso que testemunhei nesta semana me dá muita esperança e confiança de que, juntos, podemos promover a saúde, manter o mundo seguro e servir os que estão em situação de vulnerabilidade”, acrescentou.

Conheça as resoluções e compromissos aprovados na sede do organismo internacional, na Suíça:

Nutrição

Os delegados renovaram por unanimidade seu compromisso de investir e ampliar as políticas de nutrição para melhorar a alimentação de bebês e crianças pequenas. Segundo avaliação dos próprios Estados-membros, o progresso tem sido lento e desigual para cumprir as metas da Assembleia Mundial da Saúde sobre o tema.

Apesar dos desafios, países identificaram um pequeno avanço na redução da baixa estatura para a idade. O número de crianças com menos de cinco anos que têm esse problema caiu de 169 milhões em 2010 para 151 milhões em 2017.

A OMS está liderando ações para melhorar a nutrição, incluindo uma iniciativa mundial para tornar todos os hospitais amigáveis aos bebês, ampliar a prevenção da anemia em meninas adolescentes e prevenir o sobrepeso entre crianças por meio do aconselhamento sobre alimentação complementar.

Regulamento Sanitário Internacional

Os delegados receberam com satisfação um plano estratégico quinquenal que foi proposto pela OMS para melhorar a resposta a problemas de saúde pública. O Regulamento Sanitário Internacional é um instrumento legal e vinculante para 196 países. Seu objetivo é ajudar os países a prevenir e a responder a situações de risco grave, que têm o potencial de atravessar fronteiras e ameaçar pessoas em todo o mundo.

Em 2017, a OMS registrou um total de 418 ocorrências de saúde pública em seu sistema de gerenciamento. No relatório, a fonte inicial de 136 desses episódios foram agências governamentais nacionais, incluindo Pontos Focais Nacionais do Regulamento Sanitário Internacional.

Saúde digital

Os delegados concordaram com uma resolução sobre saúde digital, que convoca os Estados-membros a priorizar o desenvolvimento e o maior uso das tecnologias na saúde. Ferramentas foram descritas como meio de promover a cobertura universal de saúde e avançar nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, os ODS.

A OMS terá que desenvolver uma estratégia global sobre saúde digital e apoiar o aumento de escala dessas tecnologias nos países, fornecendo assistência técnica e orientação normativa, monitorando tendências e promovendo as melhores práticas para ampliar o acesso aos serviços de saúde.

A resolução também pede aos governos que identifiquem áreas prioritárias nas quais se beneficiariam da assistência da OMS. Entre os campos de eventual atuação da agência da ONU, estão implementação, avaliação e ampliação de serviços e aplicações de saúde digital, segurança de dados, questões éticas e legais.

Um exemplo de tecnologia de saúde digital já existente é o uso de mensagens de texto de celular para promover mudanças positivas de comportamento, tendo em vista a prevenção e o gerenciamento de doenças como o diabetes.

Picadas de cobra

Os delegados concordaram com uma resolução que visa reduzir o número de pessoas em todo o mundo que morrem ou vivem com problemas físicos ou mentais causados pela picada de cobras. Por ano, 2,7 milhões de pessoas são mordidas por cobras venenosas. De 81 mil a 138 mil pessoas morrem por causa do contato com as substâncias peçonhentas. Para cada indivíduo que morre após uma picada de cobra, outras quatro ou cinco apresentam deficiências como cegueira, mobilidade restrita ou amputação, além de desenvolverem transtorno de estresse pós-traumático.

Reconhecendo a necessidade urgente de melhorar o acesso a soros seguros e eficazes, os delegados chamaram a OMS a acelerar os esforços mundiais para controlar o envenenamento por picadas de cobras.

Atividade física

Os representantes nacionais endossaram o Plano de Ação Mundial da OMS sobre Atividade Física, uma nova iniciativa que busca estimular a prática de exercícios por pessoas de todas as idades. Com isso, a estratégia visa combater doenças crônicas não transmissíveis, incluindo as cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, diabetes, câncer de mama e câncer do colo do útero.

Mundialmente, 23% dos adultos e 81% dos adolescentes com idade entre 11 e 17 anos não atendem às recomendações mundiais sobre atividade física. A prevalência da inatividade chega a 80% em algumas populações adultas, influenciadas por mudanças nos padrões de transporte, uso de tecnologia, urbanização e valores culturais.

O objetivo do plano da OMS é reduzir em 15% a ocorrência global da inatividade física entre adultos e adolescentes até 2030.

Tecnologias para pessoas com deficiência ou em dificuldade

Os delegados adotaram uma resolução que chama os países a criar e fortalecer políticas sobre tecnologias assistenciais — como cadeiras de rodas, aparelhos auditivos, andadores, óculos de leitura e próteses de membros. Com essas ferramentas, pessoas com deficiência, idosos ou outros indivíduos com algum tipo de dificuldade são capazes de ter uma vida produtiva e digna, participando da educação, do mercado de trabalho e da comunidade.

A medida também prevê a elaboração de um relatório sobre o tema até 2021. Pesquisa abordará acesso a essas tecnologias e será elaborada pela OMS.

De acordo com a agência da ONU, 1 bilhão de pessoas se beneficiariam de produtos de assistência, um número que aumentará para mais de 2 bilhões até 2050. No entanto, 90% delas não têm acesso a tais ferramentas devido aos altos custos e à falta de disponibilidade.

Febre reumática e doença cardíaca reumática

Os delegados concordaram ainda com uma resolução que pede à OMS o lançamento de uma resposta coordenada para combater a doença cardíaca reumática. O problema afeta cerca de 30 milhões de pessoas a cada ano. Estimativas indicam que, em 2015, a doença deve ter causado 350 mil mortes. A patologia ocorre mais comumente na infância e afeta desproporcionalmente meninas e mulheres.

A doença cardíaca reumática é um problema evitável que se desenvolve a partir da febre reumática aguda. Apesar da disponibilidade de meios efetivos para a prevenção e o tratamento, os casos não diminuíram significativamente nos últimos anos.

 

 

 

Doenças crônicas

Delegados da Assembleia Mundial da Saúde pediram ação intensificada para

o combate às DCNTs. Isso inclui a participação de chefes de Estado e de

governo na Terceira Reunião de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações

Unidas sobre Prevenção e Controle de DCNTs, que acontecerá em 27 de setembro.

Estados-membros reiteraram que, alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a comunidade internacional se comprometeu a reduzir em um terço, até 2030, as mortes prematuras por DCNTs, principalmente as doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas, além de promover a saúde mental e o bem-estar.

A cada ano, 15 milhões de pessoas com idade entre 30 e 70 anos morrem por uma das DCNTs. Os níveis atuais de diminuição do risco de morte prematura por uma dessas enfermidades ainda são insuficientes para alcançar a meta dos ODS.

A assembleia reconheceu que é necessário fortalecer a liderança política para acelerar a prevenção e o controle das DCNTs, por meio, por exemplo, da implementando dos “melhores investimentos” rentáveis e factíveis, além de outras intervenções recomendadas para prevenir e controlar as DCNTs.

Essas medidas incluem ações para reduzir os principais fatores de risco de doenças, como o consumo do tabaco, a inatividade física, o uso nocivo do álcool e dietas não saudáveis, bem como a poluição do ar.

Os sistemas de saúde devem ser fortalecidos por meio da implementação de medidas eficazes que permitam detectar melhor as pessoas em risco de doenças crônicas não transmissíveis e proporcionar terapias e serviços farmacológicos para reduzir as mortes por ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais e diabetes. A prevenção e o manejo de transtornos mentais também exigem ação urgente.

Situação nas Américas

O grupo de países das Américas reiterou compromisso com a prevenção e o controle dessas doenças, responsáveis por três quartos de todas as mortes na região. Os delegados convidaram todos os Estados-membros a participar da reunião das Nações Unidas com o mais alto nível político, para renovar e fortalecer o trabalho envolvido na implementação das medidas necessárias para reduzir o ônus dessas enfermidades.

Todos os países enfrentam desafios para prevenir e controlar doenças e principais fatores de risco, afirmaram os delegados. Para abordar efetivamente as DCNTs e promover a saúde mental, bem como os determinantes sociais, econômicos e ambientais da saúde, uma abordagem de todo o governo e sociedade deve enquadrar ações em nível nacional.

“Para alcançar os objetivos de saúde, é necessária uma forte vontade política, investimentos nacionais e internacionais, cooperação e ação entre os setores, bem como engajamento responsável e parcerias multissetoriais entre todas as partes interessadas”, diz a declaração.

Os países das Américas instaram a OMS a fortalecer o papel no apoio aos Estados-membros para a implementação de respostas nacionais às DCNTs e para a criação de capacidades adequadas em nível nacional. Também pediram que a OMS ampliasse a coordenação das atividades necessárias com outras partes relevantes interessadas.

Poliomielite

Os delegados analisaram (180524) o plano de ação estratégico de 5 anos da OMS sobre a transição da pólio, desenhado para fortalecer os sistemas de saúde dos países afetados pela redução e eventual encerramento da Iniciativa Mundial para a Erradicação da Pólio (EPGI).

O plano estratégico é baseado nas prioridades estabelecidas nos planos de transição dos governos nacionais e foi desenvolvido em estreita colaboração com as representações regionais e nacionais da OMS.

A implementação do plano exigirá coordenação com todos os parceiros globais e em nível de país. O plano complementa a iniciativa da OMS sobre a viabilidade da imunização na África, que busca fortalecer as capacidades do Continente, bem como as importantes conquistas na integração das funções da poliomielite na região do Sudeste Asiático.

A estratégia respalda ações nacionais relacionadas à pólio, como vigilância, redes laboratoriais e algumas infraestruturas essenciais que são necessárias para: sustentar um mundo livre da pólio após a erradicação do poliovírus; fortalecer os sistemas de imunização, incluindo a vigilância de doenças evitáveis por vacinação; e fortalecer a capacidade de preparação, detecção e resposta a emergências para garantir a plena implementação do Regulamento Sanitário Internacional.

A OMS se compromete a continuar prestando assistência técnica e mobilização de recursos aos países envolvidos na transição da pólio.

Os delegados observaram a importância de integrar as funções essenciais da pólio nos sistemas nacionais de saúde. Propuseram que este plano seja um “documento vivo” e revisado em função do desenvolvimento pressuposto por programas para 2020-21. Solicitaram também um um relatório atualizado para o 144º Conselho Executivo e a 72ª Assembleia Mundial da Saúde.

Tuberculose

Os delegados concordaram com uma resolução que insta diretor-geral da OMS, Estados-membros e parceiros da agência da ONU a continuarem apoiando os preparativos para a reunião de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o fim da tuberculose, em setembro de 2018.

A resolução também compromete os Estados-membros a acelerarem as ações para acabar com a doença, com base nos compromissos da Conferência Ministerial Mundial da OMS para acabar com a tuberculose, realizada em Moscou em novembro de 2017.

Além disso, saúda os esforços da OMS no desenvolvimento de um marco de responsabilidade multissetorial para acabar com a tuberculose e solicita à Organização a elaboração de uma nova estratégia global para pesquisa e inovação e respalda os próximos passos para alcançar esses objetivos.

Os esforços atuais para implementar a Estratégia para pôr Fim à Tuberculose, aprovada pela Assembleia Mundial da Saúde, e para cumprir a meta do ODS de acabar com a doença estão aquém do esperado.

A tuberculose tirou 1,7 milhão de vidas em 2016 em todo o mundo, incluindo de 400 mil

pessoas que viviam com o HIV. A tuberculose continua a ser a principal causadora de mortes

em doenças infecciosas do mundo e é uma das dez principais causas globais de morte.

Espera-se que a reunião de setembro promova a renovação do compromisso

político de alto nível para acelerar a ação para acabar com a enfermidade.

Cólera

Os delegados aprovaram uma resolução instando os países afetados pela cólera a implementar um roteiro que visa reduzir as mortes pela doença em 90% até 2030.

A resolução também insta a OMS a aumentar a capacidade de apoio aos países que lutam contra a doença; fortalecer a vigilância e notificação da cólera; e reforçar a liderança e coordenação de esforços globais para prevenção e controle.

A cólera mata cerca de 95 mil pessoas e afeta 2,9 milhões a mais a cada ano, impactando desproporcionalmente as comunidades já sobrecarregadas por conflitos, falta de infraestrutura, sistemas de saúde precários e má nutrição. Mais de 2 bilhões de pessoas no mundo ainda não têm acesso à água potável e estão em risco potencial de contrair a doença.

O documento ‘Ending Cholera: A Global Roadmap to 2030’ foi lançado no ano passado pela Força-Tarefa Global para Controle da Cólera (GTFCC). Ressalta a necessidade de uma abordagem coordenada para combater a doença, com planejamento nacional para detecção precoce e resposta a surtos, além de intervenções preventivas a longo prazo em relação à água, saneamento e higiene (WaSH).

Medidas contra poluição ar

Em uma sessão de informações sobre saúde, meio ambiente e mudanças climáticas, foi lançada uma

coalizão para enfrentar os desafios da poluição do ar. Essa coalizão é formada pela OMS, pela ONU

Meio Ambiente e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), com o apoio da Coalizão por Clima e Ar Limpo.

O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, elogiou a criação dessa aliança e expressou esperança de

que traga resultados concretos. Disse que a maneira de abordar problemas de saúde ambiental passa

por “prevenção, prevenção e prevenção”. Também enfatizou que as ilhas menores são as mais afetadas

pelo impacto da mudança climática na saúde e é por isso que a OMS está

concentrando mais esforços nessas áreas. “Elas são as que exigem mais foco e atenção”.

 

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