18/05/2018 (20:14)

Conjuntivite alérgica aumenta durante o outono. Médico mostra cuidados.

Ar seco e alergias propagam a conjuntivite alérgica. Gripe e ambientes fechados facilitam a viral. Saiba como identificar e prevenir cada tipo. A conjuntivite alérgica é um sério problema de saúde pública que se propaga no outono. A OMS (Organização Mundial da Saúde) mostra que triplicam as alergias, causando rinite, sinusite, bronquite e asma.

 

Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista  do Instituto Penido Burnier, de Campinas, observa que a propagação da conjuntivite alérgica no outono e inverno, está relacionada à maior concentração da poluição típica do ar seco, e ao fato de 6 em cada 10 alérgicos terem a manifestação nos olhos durante as crises de alergia.

Para se ter ideia da magnitude disso para a saúde ocular, a estimativa da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia) é de que 41,8 milhões de brasileiros, ou 20% da população, têm algum tipo de alergia.

Grupos e fatores de risco

O oftalmologista afirma que a conjuntivite alérgica se manifesta mais em:

  • Crianças que estão com o sistema imunológico em desenvolvimento e por isso são mais suscetíveis às doenças alérgicas.
  • Mulheres devido à maior prevalência de olho seco entre elas e ao contato da mucosa ocular com maquiagem e cosméticos.
  • Usuários de lente de contato por causa da reação a algum componente da solução higienizadora. Ao contrário do que algumas pessoas imaginam não é possível desenvolver alergia às lentes que produzidas em material biocompatível com a superfície ocular.

Conjuntivite viral

Explica o médico que os surtos de conjuntivite viral e bacteriana acontecem no verão. “O problema é que a baixa umidade do ar nos meses mais frios reduz as defesas do organismo e resseca todas as mucosas, inclusive a lágrima que tem a função de proteger a superfície ocular”. Resultado: Nesta época do ano, o ressecamento dos olhos associado à gripe, aumenta o risco de contrair conjuntivite viral. É que, apesar da conjuntivite nem sempre ser causada pelo mesmo vírus, estar gripado é um claro sinal de queda na imunidade que torna os olhos mais vulneráveis à inflamação.

Os grupos mais atingidos são: mulheres na pós-menopausa que têm mais chance de desenvolver olho seco, crianças e idosos por terem o organismo mais frágil.

Sintomas e primeiro socorro

Olhos vermelhos, lacrimejamento, coceira, sensação de corpo estranho, queimação, pálpebras inchadas, fotofobia e visão borrada são os sintomas em comum a todos os tipos de conjuntivite. Queiroz Neto afirma que a principal diferença de sintoma está no tipo de secreção produzida pelos olhos. Na alérgica, ressalta, a secreção é aquosa. Na viral é transparente e viscosa e na bacteriana é purulenta e amarelada.

A dica do especialista é aplicar sobre as pálpebras fechadas,

compressas de gaze embebida em água filtrada fria ao primeiro

sinal de conjuntivite alérgica ou viral. “Para conjuntivite bacteriana

as compressas devem ser mornas”, ensina. Se os sintomas não

desaparecerem em 2 dias é necessário consultar um oftalmologista

Banalização da doença

Queiroz Neto afirma que embora a conjuntivite não seja uma doença grave, a falta de tratamento correto pode trazer complicações como úlceras, cicatrizes na córnea e ceratocone, doença degenerativa que tem como principal fator de risco o hábito de coçar os olhos e responde por 70% dos transplantes no País.

A conjuntivite alérgica leve pode ser tratada com colírio antialérgico e os casos mais severos com corticoide que também é indicado para a viral, pontua.

Os colírios antialérgicos agravam o olho seco. Por isso, devem ser associados a um

lubrificante adequado à análise do filme lacrimal de cada pessoa. Já o uso de colírio

com corticoide precisa de acompanhamento médico porque a dosagem deve ser

regressiva. “A interrupção brusca provoca efeito rebote, ou seja, a doença volta

mais agressiva”, explica. Por outro lado, colírio corticoide usado com frequência

ou continuamente causa glaucoma e catarata, alerta.

Prevenção

A conjuntivite alérgica não é transmissível, mas pode ser prevenida. As principais dicas do oftalmologista são:

  • Manter o corpo hidratado.
  • Consumir alimentos ricos em ômega 3 como peixes e linhaça para diminuir a evaporação do filme lacrimal
  • Evitar o contato de cosméticos e maquiagem com a mucosa ocular,
  • Substituir a vassoura por aspirador de pó e panos úmidos.
  • Evitar cortinas e tapetes confeccionados em materiais que acumulam muito pó.

Já a conjuntivite viral é altamente contagiosa. As principais recomendações para prevenir a contaminação dos olhos são:

  • Lavar as mãos várias vezes ao dia.
  • Higienizar as mãos com álcool gel sempre que compartilhar tecnologias.
  • Não compartilhar maquiagem, fronhas ou toalhas.

 

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