09/06/2018 (11:57)

Plástico é encontrado a 10.898 metros nas profundezas do mar

A cratera oceânica mais profunda de todo o planeta é também um depósito de lixo plástico. É o que revela um novo relatório da ONU Meio Ambiente, que lança luz sobre a poluição em águas profundas. Agência das Nações Unidas mostra que garrafas, copos, canudos e outros descartáveis já percorreram 10.898 quilômetros (km) rumo ao fundo do mar.

 

A 10.898 metros da superfície, uma sacola plástica foi identificada

boiando nas Fossas das Marianas, no oeste do Pacífico, o trecho mais

fundo de nossos oceanos. O achado é uma das descobertas do estudo

“A pegada humana no abismo: registros de 30 anos de detritos plásticos em regiões abissais”.

 

Pesquisadores da ONU Meio Ambiente se debruçaram sobre mais de 30 anos de fotografias e vídeos coletados e armazenados pelo Centro de Detritos das Regiões Abissais, mantido pelo Centro Global de Dados Oceanográficos do Japão.

Feitas com o uso de submarinos e de veículos remotamente controlados, as imagens apontam que os plásticos são uma constante mesmo nesses ecossistemas remotos.

Em 5.010 mergulhos feitos pelos submarinos, mais de 3 mil artefatos de origem humana — incluindo plástico, metal, borracha e equipamento de pesca — foram contabilizados. Mais de um terço desses resíduos era macro-plástico. Desse volume, 89% eram produtos descartáveis. Em regiões abaixo dos seis quilômetros de profundidade, mais da metade dos detritos era lixo plástico — quase todos eram itens de uso único.

O relatório alerta para a necessidade de transformar hábitos diários, cujas consequências incluem a poluição da natureza, mesmo quando essa natureza está bem distante das cadeias de produção e consumo de plástico.

Nas regiões abissais, o plástico pode perdurar por milhares de anos e ameaçar a vida marinha. Os ecossistemas das águas profundas são considerados altamente endêmicos, com espécies que são encontradas apenas nessas partes do mundo.

Segundo a ONU Meio Ambiente, há uma preocupação cada vez maior com o impacto da exploração de recursos biológicos e não biológicos sobre a flora e a fauna dessas zonas submersas. Práticas nocivas incluem a pesca de arrasto, a mineração e também atividades do setor de infraestrutura.

 

Para reduzir a poluição por plástico das fossas e fendas oceânicas, a solução é

diminuir a produção desse tipo de resíduo. A agência das Nações Unidas defende

o estabelecimento de uma rede de monitoramento global para compartilhar os

dados limitados sobre a poluição plástica nessas regiões. Pesquisas de avaliação

de impacto também devem ser prioridade para áreas ecológica e biologicamente

importantes e que já têm altas concentrações de lixo plástico.

Outra medida é o uso de modelos de circulação oceânica para identificar como o plástico viaja da terra e da superfície para as regiões abissais.

 

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