07/05/2018 (10:16)

Muito sal e alimentos processados causam obesidade e doença cardíaca

Ministério da Saúde do Brasil e delegações de 9 países da América Latina e Caribe lançaram, em Brasília, duas redes para combater o consumo de alimentos processados e a ingestão de sódio. Apresentadas na sede nacional da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), iniciativas buscam cumprir compromissos da Década para a Nutrição, de 2016 a 2026.

 

Consumo de produtos industrializados em países das Américas está ligado a taxas crescentes de sobrepeso, obesidade e doenças crônicas, como diabetes, câncer e doenças do coração.

Joaquín Molina, representante da OPAS no Brasil, lembrou que a nutrição aparece claramente em 6 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, os ODS. “A má nutrição, em todas as suas formas, afeta todos os países, e as diferentes formas de má nutrição, como a fome e a obesidade, convivem dentro dos mesmos países”.

Daniel Balaban, diretor do Centro de Excelência contra a Fome e representante do Programa Mundial de Alimentos no Brasil, ressaltou que “a nutrição é hoje o mais importante tema de saúde pública a ser discutido pelo mundo”.

Segundo o especialista, os recursos gastos para combater os males causados pela má nutrição deveriam ser utilizados para promover a nutrição adequada — e portanto, prevenir problemas de saúde. “O Guia Alimentar brasileiro serve de exemplo para vários países do mundo porque mostra claramente quais alimentos são benéficos e quais são maléficos para a nossa saúde e o que precisamos fazer para ter uma alimentação saudável.”

Os dois projetos inaugurados pelo governo brasileiro são a Rede sobre difusão de Guias Alimentares baseados no nível de processamento dos alimentos e a Rede sobre estratégias para redução do consumo de sódio e prevenção e controle de doenças cardiovasculares.

A estratégia do Ministério da Saúde faz parte dos compromissos assumidos pelo Brasil junto à Década para a Nutrição da ONU. Entre as promessas, está a criação de outras três redes, com atuação prioritária nas Américas. Programas visam promover a alimentação escolar sustentável, prevenir obesidade e doenças crônicas, garantir a governança em segurança alimentar e nutricional e estimular as compras públicas de produtos alimentícios da agricultura familiar.

As redes são coligações de países que trabalham pelo fortalecimento de políticas e legislação, fomentando iniciativas de cooperação técnica e compartilhando boas práticas em temas específicos. A expectativa do Brasil é de que esses organismos sejam catalisadores para o cumprimento dos objetivos de cada nação junto à Década de Nutrição.

Além de instituir esses espaços institucionais de diálogo, o Brasil se comprometeu a deter o crescimento da obesidade entre adultos, reduzir o consumo regular de bebidas adoçadas com açúcar em pelo menos 30% no mesmo grupo etário e ampliar em no mínimo 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente.

Alan Bojanic, representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, afirmou que “é importante atuar nos territórios onde estão os grupos vulneráveis à má nutrição”. O dirigente lembrou que a Década da Nutrição teve início em 2016 e que, portanto, ainda existem oito anos de trabalho pela frente para alcançar as metas.

 

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