16/06/2018 (18:25)

Alimentos que indicam a origem lucram até 50% mais

Vender alimentos especificando a origem melhora o lucro e estimular o crescimento de comunidades agrícolas. É o que diz a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Analisou 9 produtos – incluindo o vinho brasileiro do Vale dos Vinhedos e concluiu que o uso da indicação geográfica pode aumentar os preços finais até 50%.

 

Elaborado em parceria com o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD), o relatório da FAO aponta que os alimentos vendidos com a indicação de onde foram feitos faturam, por ano, mais de US$ 50 bilhões.

“As indicações geográficas são uma estratégia dos sistemas de produção e comercialização de alimentos que coloca as considerações sociais, culturais e ambientais no centro da cadeia de valor”, explica o economista do Centro de Investimentos da FAO, Emmanuel Hidier. Segundo o especialista, tal medida pode abrir caminho para o desenvolvimento sustentável e para mercados mais rentáveis.

Vinho brasileiro

No Brasil, a cadeia do vinho do Vale dos Vinhedos é um exemplo de uso da indicação geográfica para a penetração do produto em novos mercados. Em 2002, 19 vinícolas — das 26 instaladas no Vale — obtiveram o direito de vender sua bebida com uma Indicação de Procedência (IP). À época, as empresas que conseguiram a rotulagem produziam 1,5 milhão de litros de vinho por ano — o que representava 20% de toda a produção local.

O estabelecimento da Indicação de Procedência não é um processo simples, pois envolve a delimitação da região que será reconhecida como local de origem dos produtos. Outras etapas incluem a definição de padrões compartilhados de produção, com técnicas que sejam comuns a todos os agricultores e especificações sobre quais variedades de uva serão utilizadas.

Dez anos depois, 9 vinícolas do Vale, adquiriram uma Denominação de Origem (DO) — outra

rotulação baseada na localização geográfica — para os produtos. A nova classificação era

mais restritiva, pois introduzia novos métodos produtivos, com o intuito de melhorar a

qualidade do vinho. A categorização também determinava redução nas safras, que deveria

ser limitada a 12 toneladas de uva por hectare e a 4 quilos por parreira. A área de

plantação também foi diminuída, de 81 para 74,5 quilômetros quadrados.

Segundo a FAO, o caso brasileiro mostra os desafios particulares das estratégias de indicação geográfica. Como resultado da adoção dos novos critérios, houve uma redução de 78% na produção das vinícolas certificadas entre 2012, quando passou a valer a Denominação de Origem, e 2014.

Atualmente, as vinícolas autorizadas a vender com a Denominação de Origem representam apenas 1% da produção do Vale dos Vinhedos, o que equivale a uma média anual de cerca de 190 mil litros.

De acordo com a FAO, os produtores que apostaram na indicação geográfica observaram uma inversão no modo como se inserem no mercado. Eles vendem menos quantidade, mas por um valor maior. O relatório da agência da ONU mostra que a microprodução dessas vinícolas — elas respondem por 0,45% de todo o vinho de qualidade feito no Brasil — é vendida sobretudo para um nicho de alto valor agregado no mercado doméstico.

Embora os decréscimos na produção possam assustar, estudos coletados pelo organismo internacional apontam que o lucro líquido do vinho vendido sob a Denominação de Origem é 115% maior que o da bebida feita no Vale dos Vinhedos, mas sem a certificação. Em 2015, o preço por litro do vinho com o reconhecimento era estimado em 6,60 euros. O valor médio do concorrente local sem a rotulagem era de 3,15 euros.

Acesse o relatório na íntegra clicando aqui.

 

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