02/05/2018 (20:50)

Endividamento do Brasil cai 0,32% em abril: R$ 3,244 trilhões

Subiu de R$ 3,234 trilhões para R$ 3,244 trilhões em abril, a dívida pública federal (DPF) do Brasil. variação resultou da apropriação positiva de juros no valor de R$ 23,61 bilhões, descontado o resgate líquido de R$ 13,25 bilhões. Mais de 95% dos resgates foram de títulos prefixados, principalmente por causa do vencimento da LTN de abril de 2017.

 

A parcela dos títulos com remuneração prefixada da DPF recuou de 34,86% em março para 33,95% em abril, enquanto a participação dos títulos indexados a índices de preços subiu de 31,97% para 32,20%. A fatia dos títulos remunerados por taxa flutuante aumentou de 29,32% para 29,99%, enquanto a de papéis atrelados ao câmbio oscilou de 3,85% para 3,86%.  Todos esses percentuais continuam dentro dos limites estabelecidos pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2017. 

Na divisão por detentores da DPMFi, Márcia Tapajós, coordenadora de operações da dívida pública do Tesouro Nacional, chamou atenção para o aumento da fatia dos não residentes, que passou de 13,26% em março para 13,63% em abril, com um aumento de R$ 12,90 bilhões do estoque em poder desse grupo. 

Segundo Márcia, a diminuição da participação dos estrangeiros nos meses anteriores ocorreu em grande medida porque eles estavam se desfazendo antecipadamente de papéis que venciam em abril de 2017. "Tínhamos a expectativa de que em algum momento eles retornassem, e foi o que aconteceu. Esse foi o momento em que eles se sentiram mais confortáveis para entrar", apontou a coordenadora. 

Houve também incremento da participação do grupo Previdência, de 25,98% em março para 26,02% em abril, e um recuo da participação das instituições financeiras de 22,70% para 21,87%. A parcela dos fundos de investimento subiu de 23,16% para 23,24%. 

Perfil de vencimentos e custos

O percentual de vencimentos da DPF para os próximos 12 meses aumentou de 16,16% em março para 16,45% em abril, permanecendo dentro do intervalo de 16% a 19% definido pelo PAF. Os vencimentos da DPFe acima de 5 anos respondem por 54,38% do estoque, destacou Márcia. 

O prazo médio da DPF, por sua vez, aumentou de 4,54 anos em março para 4,56 anos em abril, enquanto a vida média subiu de 6,30 para 6,32 anos entre os dois meses. 

O custo médio da DPF acumulado nos últimos 12 meses recuou de 11,72% em março para 11,57% em abril. O destaque foi a queda de 0,38 ponto percentual do custo médio de emissão em oferta pública da DPMFi, para 12,24%, o menor percentual desde abril de 2015. "O custo médio tem se mostrado declinante desde o segundo semestre de 2016", disse Márcia. 

Atuação do Tesouro

Juntamente com o Relatório Mensal da Dívida, o Tesouro publicou (180502) um balanço dos leilões de compra e venda realizados nos dias 19, 22 e 23 de maio, por ocasião dos acontecimentos políticos. 

Márcia explicou que a instituição atuou com o objetivo de fornecer parâmetros de preços para os agentes e contribuir para o melhor funcionamento do mercado financeiro. "Optamos por fazer uma operação coordenada, com o Banco Central atuando no câmbio e o Tesouro nos juros", disse ela. Foram colocados em leilão, em lotes simétricos de compra e venda, todos os papéis com os quais o Tesouro faz leilões tradicionais. "Entendemos que essa era uma forma bastante transparente de passar um comunicado ao mercado". 

A coordenadora explicou que o Tesouro é tomador de preço. Ao conseguir fechar negócios nas duas pontas, de compra e venda, e mostrar aos agentes os preços dessas transações feitas, a instituição oferece um parâmetro importante para o mercado em momentos de turbulência e instabilidade. 

A coordenadora afirmou ainda que os leilões não têm impacto nenhum sobre a gestão da dívida pública, já que o PAF trabalha com bandas para acomodar atuações extraordinárias quando essas são necessárias. Além disso, segundo ela, o resgate líquido total de R$ 2,11 bilhões nos três dias não caracteriza um mercado vendedor e pode ser considerado um resultado bastante eficiente da atuação do Tesouro. 

A decisão de cancelar os leilões de venda de LTN e NTN-F, previstos para quinta-feira (25/05), também está em linha essa estratégia de precaução. No dia 18, o Tesouro também cancelou um leilão de venda de LTN e LFT. "Entendemos que neste momento é prudente aguardar um pouco, ser cauteloso e observar como o mercado vai reagir nos próximos dias", afirmou Márcia.  

Luiz Fernando Alves, coordenador-geral de planejamento estratégico da dívida pública, destacou que o Tesouro conta com um caixa confortável para a gestão da dívida, correspondente a quase seis meses de vencimentos. "Esse aspecto é importante e nos dá segurança de que podemos continuar presentes neste momento que requer maior cautela", afirmou ele.

 

 

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