23/04/2018 (21:37)

EMBRAPA, 45 anos de pesquisa e bons resultados para o País

Lucro social de R$ 37,18 bilhões, pela adoção no setor agropecuário, de 113 tecnologias e de 200 cultivares. É o resultado mais positivo nos 45 anos da EMBRAPA. Significa que cada R$ 1 aplicado, foram devolvidos R$ 11,06 à sociedade. Há 176.806.937 hectares destinados à preservação e à manutenção da vegetação nativa, 20,5% do território nacional.

 

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) divulgou (180423) dados preliminares do Balanço Social 2017, levantamento que mede os resultados positivos causados pelas tecnologias geradas pela empresa e transferidas à sociedade. O balanço do último ano aponta um lucro social de R$ 37,18 bilhões, obtido a partir da adoção, pelo setor agropecuário, de 113 tecnologias e de cerca de 200 cultivares. O levantamento conclui que para cada real aplicado na Embrapa no último ano foram devolvidos R$ 11,06 para a sociedade.

O lucro social é calculado a partir da análise dos benefícios econômicos obtidos por aqueles que adotaram as tecnologias disponibilizadas pela empresa, vistos na receita operacional líquida anual, ou seja, é relativo a geração de renda no meio rural.

O modelo de balanço social seguido pela Embrapa é baseado em metodologia definida pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e um grupo de empresas estatais, e obteve reconhecimento internacional da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Tropicalização do trigo

Entre os destaques do Balanço Social de 2017, está a contribuição da Embrapa na tropicalização do trigo, com o desenvolvimento do cultivar BRS 404, adaptada ao cultivo em sequeiro nos cerrados, e os avanços trazidos pela cultivar de soja BRS 7380RR, resistente a nematoides, vermes microscópicos que já levaram agricultores a abandonarem grandes áreas de cultivo.

Sobre os impactos da Embrapa na agricultura familiar, o levantamento destaca o desenvolvimento da BRS Zamir, uma cultivar de tomate tipo grape, que já ocupa 10% da área plantada com esse tipo de tomate. A BRS Zamir é mais produtiva, é tolerante ao principal fungo que ataca o tomateiro no país, além de produzir um tomate mais nutritivo, com alto teor de licopeno.

Cadastro ambiental

O Balanço Social de 2017 também traz uma análise do Cadastro Ambiental Rural (CAR) em cerca de 4 milhões de propriedades rurais pela Embrapa Territorial, revelando que em 2017 havia um total de 176.806.937 hectares destinados à preservação e à manutenção da vegetação nativa, o equivalente a 20,5% do território nacional.

 

Embrapa completa 45 anos

e investe em mudanças para

enfrentar novos desafios

 

Uma conquista da ciência brasileira, liderada pela Embrapa, universidades e iniciativa privada, permitiu ao País  desenvolver um bioinsumo formulado com bactérias que fixam o nitrogênio do ar e que hoje alcança 33,9 milhões de hectares de soja. Essa inovação permitiu aos agricultores e o país economizarem R$ 42,3 bilhões – cerca de 14 vezes o orçamento anual da Empresa - apenas na última safra, sem precisar gastar com fertilizante nitrogenado. Este é apenas um exemplo do resultado da ciência aplicada à agricultura brasileira.

Exemplos como esse tornaram o País um dos maiores produtores mundiais de alimentos e consolidaram uma revolução na agricultura da faixa tropical do planeta. O quadro é bem diferente de quatro décadas atrás, quando o Brasil era conhecido por produzir açúcar e café, mas importava praticamente todo o resto, e até alimentos básicos como arroz, leite ou feijão.

Prestes a completar 45 anos no próximo dia 26 de abril, a Embrapa anunciará na semana que vem os resultados do seu novo Balanço Social, elaborado a partir da avaliação do impacto de 113 tecnologias e de cerca de 200 cultivares adotadas e disponibilizadas em 2017. O estudo, cujos detalhes só serão anunciados em uma solenidade no dia 24, em Brasília-DF, mostrará um lucro social de R$ 37,18 bilhões no ano passado e que para cada real aplicado na Empresa foram devolvidos R$ 11,06 para a sociedade.

 

 

"O Balanço Social é uma prova de que o investimento em pesquisa agropecuária mudou a lógica do desenvolvimento do campo brasileiro", afirma Lúcia Gatto, diretora de Gestão Institucional da Embrapa, explicando que na década de 1970 decidiu-se por realizar investimentos sólidos em inovação para área agropecuária, com base em formação de recursos humanos, pesquisa em rede e foco nos problemas dos agricultores. O objetivo era fazer com que o Brasil pudesse alcançar a sua segurança alimentar.

A Embrapa, a rede de universidades, assistência técnica, órgãos estaduais de pesquisa, muitas e muitas parcerias e um espírito empreendedor dos agricultores não apenas fizeram com que o Brasil alcançasse a segurança alimentar para sua população como permitiu exportar os excedentes para quase todos os mercados no mundo. Ainda: ajudou a diminuir o valor da cesta básica em 50% e a cada ano amplia a presença do Brasil entre os maiores exportadores de alimentos do globo, tornando o País líder em inovação agropecuária no mundo tropical - e de onde se espera que saiam os alimentos para uma população cada vez maior.

A agropecuária brasileira é hoje uma das mais eficientes e sustentáveis do planeta. Incorporou aos

sistemas produtivos uma larga área de terras degradadas dos cerrados, região que hoje é responsável

por quase 50% da produção nacional de grãos. A oferta de carne bovina e suína foi quadruplicada e

a de frango, ampliada em 22 vezes. Nos últimos 46 anos, o Brasil aumentou a produção de grãos

em 555,6%, sem ampliar a área plantada em grandes proporções (163,43%). As crises de abastecimento

de produtos básicos, como feijão, arroz e frango, ficaram como lembranças das décadas de 70 e 80.

Se no passado o brasileiro só consumia determinadas frutas e hortaliças (como uva e cenoura)

em meses específicos, hoje elas estão presentes nas prateleiras o ano inteiro.

"Se o Brasil conquistou o posto de influente ator mundial em dois setores de importância vital, o meio ambiente e a segurança alimentar, tal patamar é consequência do trabalho da ciência, aliado à determinação e à ousadia do setor produtivo. Essa parceria precisará ser ainda mais ampliada para se fortalecer as bases que garantirão a qualidade de vida para todos no planeta", argumenta o diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da Embrapa, Celso Moretti. Segundo ele, o conhecimento gerado pela ciência ajuda os legisladores a produzir decisões que refletem diretamente na economia e na sociedade.

Subsídios a políticas públicas

Mas a pesquisa agropecuária não contribui apenas com novas sementes, sistemas de produção mais eficientes, controle de pragas, equipamentos, softwares, melhoramento genético ou subsídios para o agricultor tomar a melhor decisão possível. Propriedade intelectual, transgênicos e código florestal são alguns exemplos de temas de amplo alcance e impacto social que são beneficiados pela contribuição qualificada da pesquisa.

Um exemplo pouco percebido de contribuição da pesquisa é o suporte tecnológico para o Plano Agricultura de Baixo Carbono (Plano ABC), voltado para estimular o produtor rural a desenvolver sua atividade com menos impacto ambiental e, assim, reduzir emissões de carbono. É uma medida do Brasil para atender ao compromisso firmado na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 15), de 2009. As principais tecnologias relacionadas são a recuperação de pastagens degradadas, a ampliação da área com integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), com reflorestamento e com plantio direto de qualidade, e a expansão das áreas que fazem uso da fixação biológica de nitrogênio e das iniciativas para aproveitamento dos resíduos sólidos.

Outro caso, pouco lembrado, é o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC),

que na prática, fez desaparecer do noticiário as fraudes com seguro agrícola.

Trata-se de um mapeamento das áreas de produção que indica as melhores

datas de plantio de mais de 40 culturas para cada município brasileiro, reduzindo o risco de

perdas por fatores climáticos. O zoneamento agrícola é hoje base para o seguro agrícola brasileiro.

Prova mais recente, lançada no começo de março deste ano, é o Sistema de Inteligência Territorial da Macrologística da  Agropecuária Brasileira, que reúne, em base georreferenciada, dados sistematizados pela Embrapa sobre produção agropecuária, armazenagem e caminhos das safras dentro do mercado interno e para exportação. A novidade, que pode ser acessada por qualquer cidadão, permite gerar diversos estudos e extrair desse big data informações estratégicas para o planejamento de políticas públicas e do setor produtivo.

Futuro e Visão 2030

Estimativas da FAO indicam que até 2050 a produção agrícola precisará crescer globalmente 70%, e quase 100% nos países em desenvolvimento, para alimentar a crescente população, excluindo a demanda para biocombustíveis. Assim, os desafios para a Embrapa e seus parceiros são enormes e exigem um olhar atento para o futuro. Além das áreas tradicionais, a Empresa tem investido fortemente em tecnologias de ponta, como sequenciamento de genomas de plantas e animais, clonagem, nanotecnologia e agricultura digital.

Ainda assim, a visão é de que é preciso mudar para se adequar às exigências de um processo permanente de transformações. "A Empresa segue em movimento, buscando ajustar-se às mudanças tecnológicas e sociais e aumentar sua eficiência, simplificando seus processos. Por isso, em fevereiro, iniciamos a maior mudança administrativa de nossa história, reduzindo de 15 para seis as áreas administrativas da sede, em Brasília, com corte de funções gratificadas e alteração de toda a estrutura e processos", diz Maurício Lopes, presidente da estatal.

No final de 2017, a Embrapa já havia reduzido a quantidade — de 46 para 42 — de Unidades de pesquisa e inovação, com a extinção de cinco Unidades de serviço. Também no ano passado, ela adotou um novo Estatuto, alinhado à Lei das Estatais e produzido com a orientação da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) e do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Reflexo das mudanças estruturais que estão sendo implementadas, toda a gestão da programação de pesquisa também passa neste momento por uma grande reformulação, tendo como principal objetivo aumentar a capacidade de inovação da Embrapa e aproximar mais a Empresa das cadeias produtivas.

Futuro da agricultura brasileira

Mudanças também redirecionarão o futuro da Embrapa. Na cerimônia dos 45 anos será

lançado o documento “Visão 2030: o futuro da agricultura brasileira”, que consolida sinais

e tendências globais e nacionais sobre as principais transformações na agricultura em

questões científicas, tecnológicas, sociais, econômicas e ambientais e seus potenciais

impactos. “Visão 2030” terá versões digital e impressa e oferecerá bases para o planejamento

estratégico das organizações públicas e privadas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I).

Na Embrapa, vai, particularmente, subsidiar novas estratégias e prioridades da Empresa,

a produção do próximo plano diretor e, consequentemente, o trabalho dos seus 2.448 pesquisadores.

Edson Bolfe, coordenador do Sistema de Inteligência Estratégica da Embrapa (Agropensa) e da produção do documento, diz que “no esforço de análise e de prospecção de cenários buscou-se antever transformações e, assim, contribuir para a definição de diretrizes que orientem a programação de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) com foco no desenvolvimento sustentável da agricultura”. O documento traz perspectivas e os principais desafios científicos, tecnológicos e organizacionais baseados em análises do ambiente interno e externo, nacional e internacional e alinhados à Agenda 2030, estabelecida pela Organizações das Nações Unidas (ONU) a partir de 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Sete tendências do desenvolvimento

Um dos destaques é a identificação de sete megatendências: Mudanças Socioeconômicas e Espaciais na Agricultura; Intensificação e Sustentabilidade dos Sistemas de Produção Agrícolas; Mudança do Clima; Riscos na Agricultura; Agregação de Valor nas Cadeias Produtivas Agrícolas; Protagonismo dos Consumidores; e Convergência Tecnológica e de Conhecimentos na Agricultura. A publicação explora aspectos relacionados a cada uma das megatendências e sugere, por exemplo, desafios e oportunidades.

Alinhada ao documento Visão 2030 será lançada também a plataforma digital Olhares para 2030, que reunirá artigos de opinião de 90 especialistas de diferentes áreas de atuação, com projeções e expectativas de caminhos possíveis para o desenvolvimento sustentável da agricultura brasileira. Os artigos foram agrupados nas sete megatendências, sintetizando as principais forças de transformação da agricultura brasileira para os próximos anos.

De acordo com o diretor de Inovação e Tecnologia, Cleber Soares, a Embrapa tem feito ainda grande esforço para "dar agilidade, mais atenção à atividade-fim e obter maior proximidade com o mercado de inovações tecnológicas e os produtores. Em resumo: garantir que a instituição continue atendendo a sua missão”. O esforço é para garantir a otimização dos processos e o foco da Empresa em inovação e proximidade com o mercado, inclusive pela ampliação das parcerias públicas e privadas.

Veja o que diz o presidente da EMBRAPA, Maurício Lopes: "Capacidade de influenciar

é parte da Missão da Embrapa e será a base de motivação para as mudanças que

estamos promovendo para nos alinharmos cada vez mais efetivamente às agendas

relevantes do país, fazer escolhas acertadas e definir e perseguir metas de impacto

que possam comprovar a qualidade das nossas entregas para a sociedade".

 

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