19/04/2018 (20:07)

Boa nutrição depende de educação e políticas públicas

Educação nutricional combinada com políticas públicas, são a chave para melhorar a condição de alimentação dos brasileiros. É a principal conclusão das primeiras discussões do 25º Congresso Brasileiro de Nutrição (CONBRAN 2018) que se realiza em Brasília. Países de t5odo o mundo estão vivendo a Década de Ação das Nações Unidas sobre Nutrição.

 

Katia Campos, coordenadora da Unidade de Determinantes da Saúde, Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS/OMS no Brasil, defendeu as medidas perante os representantes da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) participou (180418) da abertura do 25º Congresso Brasileiro de Nutrição (CONBRAN 2018).

E sugeriu, por exemplo, a taxação de bebidas

adoçadas, a regulação de ambientes escolares

e a rotulagem nutricional frontal de

alimentos processados e ultraprocessados.

Referiu-se a evidências científicas recentes justificando que medidas regulatórias como essas são as que têm maior impacto na prevenção e controle da obesidade. Destacou ainda que o CONBRAN 2018 acontece em momento único, uma vez que, nos últimos anos, foram assinados importantes compromissos nacionais e internacionais para garantir o acesso universal a uma alimentação mais saudável e sustentável.

“Exemplo é a aprovação da Década de Ação das Nações Unidas sobre Nutrição e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS, que buscam acabar com a fome, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável em todo o mundo.”

Década de Ação

A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou em 1º de abril de 2016 a Década de Ação das Nações Unidas sobre Nutrição, de 2016 a 2025. A resolução tem o objetivo de desencadear uma ação intensificada para acabar com a fome e erradicar a desnutrição em todo o mundo, além de assegurar o acesso universal a dietas mais saudáveis e sustentáveis para todas as pessoas, sejam elas quem forem e onde quer que vivam.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram

fixados em 2015 pela Organização das Nações Unidas (ONU)

como um plano de ação para as pessoas, o planeta e a

prosperidade. Trata-se de uma agenda de ação até 2030,

com 17 Objetivos e 169 metas construídas sobre o

legado dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

 

 

Alimentação tem que ser baseada

em afeto, tradições e direito

 

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e o Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição da Universidade de Brasília (OPSAN) organizaram, como parte do 25º Congresso Brasileiro de Nutrição (CONBRAN), a oficina “Por uma comida que seja nossa!”.

A atividade, que aconteceu no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF), teve o objetivo de gerar reflexões e promover a cidadania alimentar com base no afeto, nas tradições e no direito.

“Estamos vivendo um momento fundamental em que a alimentação e a nutrição despontam com metas audaciosas no âmbito da Década de Ação das Nações Unidas sobre Nutrição e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, afirmou Alice Medeiros, consultora de Nutrição e Alimentação da OPAS/OMS no Brasil.

No entanto, lembrou a importância das políticas públicas, “que devem ser construídas coletivamente na luta por sistemas alimentares mais justos, equitativos e saudáveis para todas as pessoas”.

Medeiros declarou que ainda existem muitos obstáculos e desafios a

serem superados para que o direito humano à alimentação adequada

e saudável e o direito à saúde se tornem uma realidade para a

população brasileira. “Juntos, vamos ressignificar

a comida e perceber que comer é um ato político”.

A oficina, que foi realizada dividida em três momentos, contou com a participação de mulheres quilombolas, de religiões de matriz africana e terreiros, indígenas e agricultoras, que representaram a diversidade da alimentação nos mais diversos cantos e culturas do país.

Os participantes se reuniram em grupos para discutir aspectos relacionados à alimentação: afeto, tradição e direito. “A comida é poderosa. É mais do que nutrientes; é carinho. É mais que os ingredientes de uma receita; é afeto, e está presente em nossas vidas o tempo todo”, ressaltou Maína Castro, do OPSAN.

A mãe de terreiro Marcele de Xangô, afirmou que, nas religiões de matriz africana e terreiros, a alimentação não é apenas fundamental para a nutrição, mas também é considerada de forma simbólica, como parte dessa cultura tradicional.

“O alimento para gente é sagrado, rezado. É importante que as pessoas conheçam essa tradição. Não podemos deixar que nossa comida tradicional se perca com o tempo. Temos que resgatar as receitas de nossos avós e bisavós”, defendeu.

 

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