24/04/2018 (23:07)

Microplásticos ameaçam 529 espécies selvagens nos mares

Centenas de espécies da fauna marinha, como peixes, moluscos e outras, estão sendo ameaças pela ingestão do lixo que se acumula no mar em forma de microplásticos, sem que até o momento se saiba a fundo suas causas e consequências. Os últimos estudos apontam que até 529 espécies selvagens já foram afetadas pelos resíduos.

 

Centenas de espécies da fauna marinha, como peixes, moluscos e outras, estão sendo ameaças pela  ingestão do lixo que se acumula no mar em forma de microplásticos, sem que até o momento se saiba a fundo suas causas e consequências. Os últimos estudos apontam que até 529 espécies selvagens já foram afetadas pelos resíduos, um risco mortal que se soma aos outros já enfrentados por dezenas delas em perigo de extinção. A informação é da EFE.

Por menores que sejam, os microplásticos (de até cinco milímetros de diâmetro e presentes em vários produtos, como os cosméticos) representam uma ameaça para as mais de 220 espécies que os absorvem, algumas delas muito importantes no comércio mundial, como os mexilhões, as lagostas, os camarões, as sardinhas e o bacalhau.

Relatório recente da Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou para as consequências desses resíduos para a pesca e a aquicultura. "Ainda que nos preocupe a ingestão de microplásticos por parte das pessoas através dos frutos do mar, ainda não temos evidências científicas que confirmem os efeitos prejudiciais em animais selvagens", explicou à Agência EFE uma das autoras do estudo, a pesquisadora Amy Lusher.

Ela acredita que ainda faltam muitos anos de estudos, dado o vazio de informação que existe sobre o assunto e as muitas inconsistências nos dados disponíveis. Para contribuir com o debate, uma revista especializada em biologia da Royal Society, de Londres, publicou recentemente um estudo que sugere que certos peixes estão predispostos a confundir o plástico com o alimento, por terem um cheiro parecido.

Matthew Savoca, líder de um trabalho realizado em colaboração com um aquário de San Francisco (Estados Unidos), explica que foram apresentadas a vários grupos de anchovas substâncias com o cheiro de resíduos plásticos recolhidos do mar e outras com o cheiro de plásticos limpos.

As anchovas reagiram ao lixo de forma similar à que fariam com o alimento, já que esses resíduos estão cobertos de material biológico, como algas, que têm cheiro de comida.

"Muitos animais marítimos dependem muito do seu olfato para encontrar comida, muito mais que os humanos", afirmou Savoca, ressaltando que o plástico "parece enganar" os animais que o encontram no mar, sendo "muito difícil para eles ver que não é um alimento".

A FAO lembra que os efeitos adversos dos microplásticos na fauna marinha são observados em experiências em laboratórios, normalmente com um grau de exposição a estas substâncias "muito maior" que o encontrado no ambiente.

Até então, estas partículas só apareceram no aparelho digestivo dos animais, que as pessoas "costumam retirar antes de consumir", apontou a pesquisadora Amy Lusher.

Substâncias contaminantes

No pior dos cenários, o problema seria a presença de substâncias contaminantes e de aditivos que são acrescentados aos plásticos durante sua fabricação ou são absorvidos no mar, ainda que não se saiba muito sobre o seu impacto e o dos plásticos menores na alimentação.

Para os cientistas, é preciso estudar mais a fundo a distribuição desses resíduos a nível global, por mais que se movam de um lado a outro, e o processo de acumulação de lixo, ao qual contribuem a pesca e a aquicultura quando seus equipamentos de plástico acabam perdidos ou abandonados nos oceanos.

Em um mundo onde há cada vez mais plástico (322 milhões de toneladas produzidas em 2015), estima-se que a poluição continuará aumentando nos oceanos, onde em 2010 foram despejados entre 4,8 milhões e 12,7 milhões de toneladas desse tipo de lixo.

 

Abandonar o uso de canudos, optar por sacolas, embalagens e garrafas retornáveis e consumir produtos com pouco ou nenhum plástico ou microesferas de plástico. Este é o principal apelo da campanha "#Mares Limpos" impulsionada pela regata Volvo Ocean Race, uma das mais difíceis do mundo, que se realiza na cidade brasileira de Itajaí, Santa Catarina.

Em Itajaí, maior regata do mundo apela contra os plásticos nos mares

Torneio uniu forças com a campanha da ONU Meio Ambiente, para navegar por 4 oceanos

e 6 continentes reafirmando o compromisso com a saúde dos ecossistemas marinhos por

meio do combate à poluição plástica. Em 2018, o problema da poluição plástica foi escolhido

pela ONU como o tema das celebrações do Dia Mundial do Meio Ambiente, lembrado em 5

de junho. As atividades da Volvo Ocean Race fazem parte desse movimento, que pretende

disseminar os impactos negativos e também as soluções para o flagelo do plástico nos oceanos.

 

A parceria da campanha #MaresLimpos com a Volvo Ocean Race inclui a participação do veleiro Turn the Tide on Plastic, que atracou no Brasil no início de abril. A iniciativa das Nações Unidas também está presente em diversos pontos e eventos na Vila da Regata.

Os visitantes poderão saber mais sobre os impactos dos plásticos nos mares em exposições e no seminário “O futuro dos oceanos”, além de poderem contribuir para a redução desse flagelo ao adotar um copo reutilizável neste que é um evento 100% livre de plásticos descartáveis.

Veleiro Turn the Tide on Plastic

No mar, o veleiro da campanha #MaresLimpos (#CleanSeas, no original em inglês) é uma das 7 embarcações disputando a regata. Liderada pela britânica Dee Caffari, a equipe é composta por mais de 10 tripulantes que, além de competir pelo pódio, têm também a missão de recolher o lixo plástico marinho encontrado durante o percurso de 45 mil milhas náuticas.

Ações na Vila da Regata

Na Vila da Regata, que funciona até o dia 22 de abril na Marina de Itajaí, a campanha convida o público a conhecer a sua base em terra, aberta para visitação com uma mostra sobre o impacto do plástico nos oceanos. Quem passar pelo estande irá se deparar com totens sobre os efeitos mais perversos da poluição plástica, como os resíduos encontrados no estômago de um filhote de albatroz de 90 dias. Também são apresentadas propostas criativas para o reaproveitamento do material encontrado nas águas.

Os visitantes têm acesso a informações da campanha #MaresLimpos, como dados sobre os principais desafios que nossos oceanos enfrentam, as consequências do descarte e consumo irresponsável de plástico e outras ações potencialmente poluidoras, além de receberem orientação sobre o destino correto dos materiais. Ao final do passeio, cada indivíduo é convidado a assinar o compromisso #MaresLimpos, assumindo responsabilidades eco-conscientes como abandonar o uso de canudos, optar por sacolas, embalagens e garrafas retornáveis e consumir produtos com pouco ou nenhum plástico ou microesferas de plástico.

A campanha ainda está presente no The Globe, tenda onde são exibidos filmes na Vila da Regata, e no espaço da Meu Copo Eco, onde totens fornecem informações sobre poluição plástica. Espalhados pela Vila, um grupo de voluntários com camisetas #MaresLimpos transita com iPads convidando os visitantes a assumirem compromissos da campanha.

Para Fernanda Daltro, gerente de campanhas da ONU Meio Ambiente, a parceria com a Volvo Ocean Race é uma oportunidade única. “A regata atrai a atenção de milhões de pessoas em todo o mundo e só na Vila da Regata em Itajaí são esperados mais de 350 mil visitantes. É um momento importante de disseminação das mensagens da campanha, uma vez que a Vila também direciona os visitantes a repensarem seu consumo de plástico descartável: a vila de Itajaí é a primeira 100% livre de copos plásticos descartáveis”, afirma Fernanda.

Seminário “O futuro dos oceanos”

No dia 18 de abril, na quarta-feira, a #MaresLimpos teve seminário “O futuro dos oceanos: Combate ao lixo no mar”, promovido pela prefeitura de Itajaí e pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com apoio da ONU Meio Ambiente. Participaram o procurador-chefe do Ministério Público Federal em Santa Catarina (MPF/SC), Darlan Airton Dias, o professor doutor da Universidade de Aveiro (Portugal), Armando da Costa Duarte, o coordenador de Gerenciamento Costeiro do Ministério do Meio Ambiente, Régis Pinto Lima.

Também na programação do seminário, as defensoras da #MaresLimpos no Brasil, a digital influencer Fê Cortez e a velejadora Martine Grael, falaram sobre os efeitos do consumo de plásticos descartáveis e as ações de sustentabilidade que vêm sendo realizadas ao longo da Volvo Ocean Race. Martine, além de defensora da campanha, é também a única brasileira que participa do torneio e relatou o que encontrou de lixo durante a travessia de volta ao mundo.

Itajaí é o primeiro município brasileiro a abraçar a campanha #MaresLimpos.

Blitz na Marina e limpeza de praias

No dia 19 de abril, quinta-feira, os barcos atracados na Marina Itajaí serão alvo de uma blitz que irá “fiscalizar” o uso de plástico descartável e orientar os velejadores sobre as práticas alternativas e sustentáveis que podem ser usadas a bordo. Além de receber a blitz e aderir à campanha #MaresLimpos, a Marina Itajaí assumirá 3 compromissos para proteger os oceanos: banir o uso de canudos e copos plásticos nas lojas de conveniência da Marina, realizar um esforço de comunicação junto aos usuários sobre poluição plástica e estabelecer um sistema de coleta de redes e materiais de pesca descartados pelos pescadores.

Outras ações de sensibilização acontecerão durante o período da Volvo Ocean Race no Brasil. Mais de 20 ações de limpeza de praia (ou clean-ups), em parceria com diversas organizações, como a UFSC e Instituto EcoSurf, serão realizadas nas praias próximas e o Catamarã Meu Copo Eco – parceiro da #MaresLimpos – atracará na cidade catarinense trazendo o lixo coletado desde Paraty.

Sustentabilidade no uso de copos retornáveis

Um dos grandes diferenciais da stopover da Volvo Ocean Race em Itajaí é que esta é a primeira etapa

da competição completamente livre de copos e garrafas descartáveis nos restaurantes que operam dentro

da Vila da Regata. “Esta é uma medida de extrema importância, uma vez que grande parte dos plásticos

usados, principalmente em áreas litorâneas e portuárias, acaba indo parar nos mares e oceanos. Vale

lembrar que cerca de 8 milhões de toneladas de plástico chegam aos oceanos todos os anos e que,

se nada for feito, até 2050 haverá mais plástico do que peixes nos mares”, destacou Fernanda.

 

Desde o primeiro dia do evento, os frequentadores da Vila da Regata estão sendo convidados a escolher os copos comemorativos pelo valor simbólico de R$ 5, deixado no guichê de retirada como caução. Após o uso, a pessoa pode devolver o copo e pegar o dinheiro de volta ou, se preferir, levá-lo para a casa e dar nova vida ao material. Um copo exclusivo #MaresLimpos está disponível para os visitantes.

 

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