16/04/2018 (21:37)

Brasil mostra o que faz para evitar abusos contra idosos

Quase 16% das pessoas com 60 anos ou mais foram submetidas a abusos psicológicos (11,6%), financeiros (6,8%), físicos (2,6%) ou sexuais (0,9%). abandonados e negligenciados (4,2%). É o que diz a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2016, que se baseia nas evidências disponíveis de 52 estudos em 28 países de diferentes regiões.

 

Diz o estudo (um pouco defasado) que 14,4% da população brasileira tem 60 anos ou mais de idade. Percentual corresponde a 29,6 milhões de pessoas. Promover o envelhecimento ativo, saudável e sustentável da população é uma estratégia necessária para o enfrentamento dos desafios da transição demográfica, de acordo com as Nações Unidas.

E o Brasil participa com a “Estratégia Brasil Amigo da Pessoa Idosa”, que busca alcançar

o envelhecimento ativo, saudável, cidadão e sustentável para todos os nacionais. A iniciativa

contou com a colaboração da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial

da Saúde (OPAS/OMS) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Prioridade é a população idosa vulnerável, embora contemple todas as pessoas de idade

avançada. A expectativa é atingir inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais

do Governo Federal, que ultrapassa 6 milhões de pessoas com 60 anos ou mais.

A ideia da estratégia é reconhecer os municípios que assumem o compromisso de garantir o direito das pessoas idosas e de desenvolver ações voltadas a essa população.

Os estados participarão sensibilizando, mobilizando e capacitando os municípios na estratégia, e também apoiarão no monitoramento e identificação dos municípios habilitados ao reconhecimento, de acordo com sua evolução.

De acordo com o ministério do Desenvolvimento Social, a estratégia oferecerá mais qualidade de vida para as pessoas com mais de 60 anos, além de fortalecer a Política Nacional do Idoso.

A coordenadora nacional de Saúde da Pessoa Idosa do Ministério da Saúde, Maria Cristina Hoffmann, ressaltou que o processo de envelhecimento é uma das principais conquistas da humanidade, mas surge com uma série de desafios.

“A estratégia é uma oportunidade para responder a essas necessidades”, declarou. Ressaltou a validade da inclusão do tema nas agendas políticas e técnicas e, com isso, “reconhecer a contribuição e o valor das pessoas idosas”.

A responsável pelo tema de pessoas idosas na OPAS/OMS, Carla Lisboa, reforçou a importância do reconhecimento do cenário de transição demográfica, e elogiou a iniciativa do governo federal.

Didier Trebucq, diretor do PNUD no Brasil, lembrou que “valorizar a pessoa idosa e considerar seriamente o envelhecimento das pessoas, são vitais para a realização da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Sugere mais atenção e investimento na população idosa, atitude indispensável para a construção de uma sociedade mais justa.

A estratégia também tem entre as prioridades o combate à violência e ao abuso financeiro, psicológico ou físico contra o idoso, bem como a adaptação de residências para essa população, atividades formativas, medidas de prevenção de quedas e cuidados em saúde; entre outras.

Brasil está se esforçando para atender as recomendações da OMS para avaliação e

desenvolvimento dos Planos de Ação voltados à adaptação das cidades às

necessidades dos idosos. Ao todo, 8 domínios da vida urbana

podem influenciar na saúde e na qualidade de vida dessa população:

1) espaços ao ar livre e edifícios;

2) transportes;

3) habitação;

4) participação social;

5) respeito e integração social;

6) participação cívica e emprego;

7) comunicação e informação;

8) apoio da comunidade e serviços de saúde.

O número de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos vai mais que dobrar no mundo em 2050, passando de 900 milhões em 2015 para cerca de 2 bilhões. Por isso, a OPAS/OMS acredita ser importante que os idosos de hoje e os do futuro possam envelhecer de maneira saudável e ativa.

Um estudo apoiado pela OMS e publicado em 2017 na revista especializada Lancet Global Health mostrou que um em cada seis idosos sofre alguma forma de abuso. Esse número é maior do que o estimado anteriormente e a previsão é de que aumente à medida que as populações envelhecerem em todo o mundo.

 

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