07/03/2018 (21:26)

Movimento de mulheres #Me Too ganha o mundo e exige direitos

Desigualdade de gênero e violência sexual contra mulheres, estão no centro de denúncias e ações internacionais que arregimentam um exército feminino por todos os países. Pelo movimento #Me Too, estão exigindo mudanças e fazendo cumprir direitos. Essa influência se fez refletir na recente festa do Oscar, em Los Angeles (EUA), onde vozes ecoaram.

 

Comunicado sobre o Dia da Mulher e a revolução feminina, foi assinado por Alda Facio, Elizabeth Broderick, Ivana Radačić, Meskerem Geset Techane, Melissa Upreti, relatora-presidente e membros do grupo de trabalho sobre a discriminação contra mulheres na lei e na prática; Dubravka Šimonovic, relatora especial para a violência contra a mulher, as causas e consequências; e pelo Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação contra Mulheres (CEDAW, na sigla em inglês).

 

“É um momento de transformação, libertador e empoderador. Ao falar nesta escala,

as mulheres estão rompendo normas discriminatórias estabelecidas por séculos que

normalizam, aceitam e justificam a violência sexual contra mulheres e

limitaram-nas a papéis bem definidos de inferioridade e discriminação”.

“Por isso este momento é tão significativo. Não é mais apenas sobre indivíduos, mas

sobre uma sociedade. Não é sobre moral e honra, é sobre os direitos das mulheres

como direitos humanos. É o sistema de concentração do poder e de dominação que está sendo desafiado.”

 

“Por meio das ações corajosas, essas mulheres lançaram um movimento global que quebrou o silêncio sobre o assédio sexual e outras formas de violência sexual frequentemente toleradas”. Palavras dos especialistas independentes das Nações Unidas, em comunicado conjunto para o Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março.

“É hora de homenagear as incontáveis mulheres que, durante a história, ousaram se levantar, protestar e dizer não à discriminação contra mulheres e meninas e contra uma de suas piores manifestações, a violência. Sua coragem e revolta foram a força por trás de cada progresso alcançado”.

Os especialistas classificaram o movimento como um ponto de inflexão na luta pelos direitos das mulheres, e ofereceram o apoio total dos mecanismos de direitos humanos das Nações Unidas.

Sociedade errada

Epidemia universal

Os especialistas disseram que a pergunta feita agora não é mais se acreditamos nas mulheres, mas sobre o que há de errado com nossa sociedade. “Como pode a violência sexual contra mulheres existir em uma escala tão massiva e endêmica em um momento de paz nos locais mais ordinários da vida: escritórios, escolas, universidades, ruas, transporte público e em casa?”.

“Do Norte ao Sul, do Leste ao Oeste, a violência sexual atravessa a linhas de cultura, religião, ideologia, estágios de desenvolvimento econômico e atinge mulheres de todas as origens sociais e profissões, seja em partidos políticos, instituições financeiras, na mídia e na indústria do entretenimento, na academia e no campo humanitário. Acontece na família. É uma epidemia verdadeiramente universal.”

Com o advento deste movimento, os especialistas disseram que a vergonha e o medo estão começando a deixar as vítimas para chegar aos abusadores e perpetuadores de violência sexual, que em muitos casos enfrentam ações criminais e outras consequências por causa do comportamento inaceitável.

“Os todo-poderosos não são mais inatingíveis que podem gozar de impunidade em

paz de espírito. Esta sendo questionada a capacidade de comprar o silêncio e

de se esconder. Está evaporando-se o poder de intimidação. No momento, a complacência

dos outros e a indiferença das instituições não são mais aceitas sem resistência”.

“Precisamos manter o impulso para torná-lo um movimento verdadeiramente global que atinja todas as mulheres e meninas em lugares onde ainda é tabu quebrar o silêncio e a violência contra mulheres; e, onde as mulheres têm pouco acesso à Justiça e nenhuma escolha a não ser carregar o peso da vergonha e da culpa”. Foi o que disseram os relatores da ONU.

“É nesses lugares, longe dos holofotes da mídia internacional, que as vozes das mulheres precisam e devem ser ouvidas. Estamos aqui para apoiar esse movimento, em linha com nossos respectivos mandatos, e para unir forças para a continuação em todas as partes do mundo”.

Disseram ainda que é importante mas não suficiente a existência de leis e políticas de combate ao assédio sexual e outras formas de violência sexual. “Igualdade entre mulheres e homens é uma luta da humanidade, uma luta tanto de homens como de mulheres. Em face à violência sexual e à discriminação, todos estão preocupados e todos precisam agir”.

 

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