01/02/2018 (21:37)

Hanseníase. Identificou. Tratou. Curou

Uma campanha de esclarecimento público sobre a hanseníase, popularmente chamada lepra, foi anunciada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), no Brasil. Ali foram identificados 25,2 mil casos há 2 anos e o quadro não evoluiu favoravelmente. Para o Ministério da Saúde brasileiro é preciso agir e evitar que a doença continue a se propagar.

 

Sob o lema “Hanseníase. Identificou. Tratou. Curou”, autoridades querem alertar

sobre os sinais do mnal de Hansen, principalmente homens com idade entre 20 e

49 anos, grupo com o maior número de detecção de novos casos.

Interesse é incentivar o público a buscar orientações em caso de suspeita e também

orienta os profissionais sobre diagnóstico precoce, tratamento

e prevenção das deficiências resultantes da hanseníase.

Joaquín Molina, representante da OPAS no Brasil, afirmou que a região das Américas tem observado uma diminuição gradual no número de novos casos da infecção. Entre 2011 e 2016, por exemplo, houve uma redução de 26% nos casos detectados e de 31% na quantidade de crianças diagnosticadas. Apesar das conquistas, o combate à doença não pode perder a força.

“Avançamos e podemos comemorar os progressos alcançados nos últimos anos, mas não podemos baixar a guarda. São necessários recursos financeiros adicionais e mais compromisso político para atingir o objetivo da eliminação da hanseníase”, defendeu Molina.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil também registrou queda na detecção de casos nos últimos anos: de 40,1 mil em 2007 para 25,2 mil em 2016 – o que representa uma diminuição de 42,3% da taxa de diagnóstico do país.

“É importante lembrar que, apesar de existirem tratamentos eficazes e cura para a hanseníase,

campanhas massivas de educação em saúde pública, um aumento da consciência sobre a doença

e integração dos tratamentos nos serviços de saúde, os esforços para o combate e controle dessa

enfermidade ainda encontram um grande obstáculo: o estigma e a

discriminação enfrentados pelas pessoas afetadas por ela”, acrescentou o dirigente da OPAS.

O representante da agência da ONU reafirmou o compromisso da OPAS de continuar trabalhando junto aos governos, parceiros, movimentos sociais e sociedade civil para assegurar um controle efetivo da doença no Brasil e em outros países das Américas.

“Em todo o mundo, os programas de combate à hanseníase e seus parceiros trabalham para promover a conscientização sobre uma doença que muitas pessoas acreditam estar extinta, quando, na verdade, 210 mil novos casos ainda são diagnosticados a cada ano”, ressaltou Isabelle Roger, assessora regional de Doenças Negligenciadas e Hanseníase da OPAS.

A especialista revelou ainda que é possível haver um grande número de pessoas com a enfermidade sem o devido diagnóstico – o que as deixa em risco de desenvolver incapacidades físicas.

Abordagens inovadoras

Desenvolvido pelo Ministério da Saúde brasileiro em parceria com a OPAS e com apoio da Fundação Nippon, do Japão, o Projeto Abordagens Inovadoras para Intensificar Esforços para um Brasil livre da Hanseníase teve início em outubro de 2017. Programa busca reduzir a incidência da doença em 20 municípios dos estados do Maranhão, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Piauí e Tocantins.

Essas localidades foram escolhidas por apresentarem o maior número de casos novos de hanseníase diagnosticados entre jovens com menos de 15 anos. O Pará, estado onde a campanha foi lançada, é o terceiro com o maior número de novas ocorrências (2.359), ficando atrás apenas de Mato Grosso (3.167) e Maranhão (2.715).

Saiba mais sobre a hanseníase

A hanseníase é uma doença crônica infecciosa causada por uma bactéria que se multiplica

muito lentamente. O período de incubação da doença varia de nove meses a 20 anos, com

uma média de cinco anos. Afeta principalmente a pele, os nervos periféricos e os olhos. A

detecção precoce dos casos reduz muito os riscos de deformidades e incapacidades físicas

entre os pacientes. Essa enfermidade tem cura e o medicamento é gratuito em todos os países.

A hanseníase não é muito contagiosa. É transmitida por meio de gotículas nasais e orais durante contato próximo e frequente com uma pessoa que tem a doença e não recebeu tratamento. Quando tratada em seus estágios iniciais, as chances de incapacidade diminuem consideravelmente. Hoje, o diagnóstico e o tratamento da hanseníase são simples e os países com maior endemicidade estão se esforçando para integrar plenamente o cuidado com a doença nos serviços gerais de saúde já existentes.

A doença está presente em 24 dos 35 países das Américas. Em 2016, esses Estados registraram um total de 27.357 novos casos. Isso representa 12,6% da carga global (11,6% somente no Brasil) e põe a região das Américas como a segunda em número de casos reportados, atrás apenas do Sudeste Asiático.

Estratégia Global até 2020

Lançada em 2016 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a Estratégia Global para a Hanseníase 2016-2020 está baseada em três pilares: fortalecer o controle, a coordenação e as parcerias do governo; combater a hanseníase e suas complicações; enfrentar a discriminação e promover a inclusão.

A estratégia fornece orientações aos gestores de programas nacionais de hanseníase para que tomem as medidas necessárias para reduzir a incidência da doença, em colaboração com vários setores, incluindo organizações que trabalham com direitos humanos e igualdade de gênero.

 

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