12/03/2018 (10:50)

Mapa de carbono já é distribuido e ajuda contra degradação

Melhorar o carbono, a saúde e a fertilidade do solo, são medidas que podem ajudar não só a restauração da produtividade de alimentos mas também compensar o rápido aumento de dióxido de carbono na atmosfera. recomendação da Conferência do Clima, em Bonn (Alemanha) já está sendo implementada em países onde a degradação é mais intensa, como na África.

 

Para insrumentalizar as ações de restauração está sendo distribuido pela ONU, através da FAO,

um mapa detalhado sobre as reservas de carbono nos solos do

mundo. Mapa Mundial do Carbono Orgânico do Solo, que mostra as reservas de carbono

orgânico nos primeiros 30 cm de solo, revela áreas naturais com um elevado armazenamento

de carbono que requerem conservação, assim como regiões onde seria possível reter uma maior quantidade.

Esta informação pode ser uma boa ferramenta para ajudar a tomar decisões sobre práticas que apontem para preservar e aumentar as atuais reservas de carbono do solo, contribuindo para a luta contra a mudança climática.

“Os solos são a base da agricultura, é onde começam os alimentos”, disse a subdiretora-geral da FAO, Maria Helena Semedo. “Manter as importantes funções e serviços do solo para apoiar a produção de alimentos e aumentar a resiliência frente a um clima em mudança requer práticas de gestão sustentável do solo”.

Restaurar solos degradados

O mapa afirma que, em todo o mundo, os 30 primeiros centímetros do solo contêm cerca de 680 bilhões de toneladas de carbono, quase o dobro do presente na atmosfera. Trata-se de uma quantidade significativa quando comparada ao total de carbono armazenado na vegetação (560 bilhões de toneladas).

Mais de 60% dessas 680 bilhões de toneladas de carbono estão em dez países (Rússia, Canadá, EUA, China, Brasil, Indonésia, Austrália, Argentina, Cazaquistão e República Democrática do Congo). Isso significa que devem ser implementadas medidas para proteger estes solos naturais ricos em carbono e evitar as emissões à atmosfera.

A degradação de um terço dos solos no nível global induziu uma enorme liberação de carbono na atmosfera. Restaurar estes solos pode eliminar até 63 mil toneladas de carbono da atmosfera, contribuindo significativamente para a luta contra a mudança climática.

Aumentar quantidade de carbono

Os solos com alto conteúdo de carbono orgânico são mais produtivos,

purificam melhor a água e dão às plantas condições ótimas de umidade.

A água armazenada no solo sustenta 90% da produção

agrícola mundial e representa cerca de 65% da água doce.

Aumentar o carbono orgânico do solo com uma gestão melhorada pode ajudar a manter a produtividade em condições mais secas. Portanto, devem ser tomadas medidas para fomentar o sequestro adicional de carbono quando as condições forem adequadas para isso. Práticas inovadoras devem ser promovidas, como o uso de espécies de enraizamento profundo.

“Manter, mas, especialmente, aumentar os estoques de carbono orgânico deveria ser uma obrigação, já que isso nos permitiria liberar todo o potencial para apoiar as ações de mitigação e adaptação em um clima em mudança”, disse Semedo.

Processo participativo

Este primeiro mapa do carbono orgânico do solo foi desenvolvido através de um processo inclusivo e dirigido pelos países e contou com o apoio do Grupo Técnico Intergovernamental de Solos (GTIS) da FAO.

No total, mais de 100 países-membros compartilham seus mapas nacionais de carbono que a FAO reuniu neste mapa global, uma contribuição concreta ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 15, que trata da vida na terra.

O passo seguinte para os países será avançar no monitoramento dos níveis de carbono orgânico do solo utilizando seus sistemas nacionais de informação para tomar decisões baseadas em evidências sobre como geri-los e como dar prosseguimento ao impacto dessas ações.

 

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