18/12/2017 (20:46)

Desemprego aumenta em 2017, mas cairá em 2018 na América latina

Mais de 26 milhões de pessoas estão desempregadas nos países da América Latina. É o que diz a OIT (Organização Internacional do Trabalho) que lançou documento mostrando as tendências de mercado. Exibiu sinais positivos na economia, o que leva crer que haverá melhora no mercado de trabalho.

 

 

“O mercado de trabalho da região parece estar em um momento de mudança de ciclo, após um período de deterioração generalizada dos indicadores sociais e de trabalho, mas a melhoria dependerá do cumprimento das previsões de maior crescimento econômico”. Assim alertou José Manuel Salazar-Xirinachi diretor-regional da OIT para a América Latina e o Caribe, .

Relatório "Panorama Laboral da América Latina e Caribe 2017", lançado na sede do Escritório Regional da OIT em Lima (Peru), destacou que em 2017 a taxa média de desemprego na América Latina e no Caribe aumentou de 7,9% em 2016 para 8,4% no final de 2017 (0,5%). O número total de pessoas que procuram um emprego sem sucesso aumentou em 2 milhões, para 26,4 milhões de pessoas.

OIT observou, no entanto, que a média foi fortemente influenciada pela situação do Brasil, que concentra cerca de 40% da força de trabalho da região e onde a taxa de desemprego foi de 13,1% no terceiro trimestre de 2017.

Além disso, embora 2017 tenha sido observada uma leve recuperação do crescimento econômico após um período de desaceleração e contração, isso não foi suficientemente forte para mudar a tendência de um mercado de trabalho que “atua com atraso quando há recuperação”.

Já em 2018, quando as últimas previsões indicam que o crescimento econômico médio da região pode chegar a 2%, “se espera que a recuperação econômica seja mais visível nos mercados de trabalho” e que a taxa de desemprego diminua pela primeira vez depois de três anos, para 8,1%.

O relatório da OIT afirma que já se notou melhora na taxa de ocupação no mercado de trabalho no final de 2017, o que permite prever uma evolução positiva para 2018. Mas o documento alerta que a melhoria ainda é “leve e frágil”.

Na análise por sub-regiões, o relatório destaca

que o desemprego aumentou no Cone Sul, onde

a variação interanual para o terceiro trimestre

passou de 10,7% para 11,9%. Nos países andinos

houve uma redução moderada de 6,9% para 6,8%.

Na América Central e no México, a queda foi de 4,5%

para 4,0%. Já no Caribe, a redução foi de 7,8% para 7,4%.

Em 2017, o desemprego aumentou em nove dos 19 países com dados para o terceiro trimestre. Esta também é uma evolução positiva em relação a 2016, quando o aumento foi registrado em 13 países.

“A principal novidade deste Panorama Laboral 2017" é que, em geral, podem-se ver o fim da deterioração generalizada nos mercados de trabalho registrados nos últimos anos. Acredita que é o início do que será nova fase de melhoria, se materializar a aceleração do crescimento esperada para 2018”.

Salazar lembrou que o desemprego é apenas a parte mais visível do funcionamento dos mercados de trabalho. “Há outras dimensões do emprego que devem ser abordadas pelos países da região, como a persistente desigualdade de gênero, a falta de emprego para os jovens e as questões relacionadas à qualidade do emprego, que contribuem para perpetuar a informalidade”, ressaltou o diretor-regional da OIT.

No caso das mulheres, a boa notícia é que, pela primeira

vez desde o início da produção anual do Panorama Laboral,

a participação das mulheres no mercado de trabalho superou

50%, chegando a 50,2%. Isso significa que mais de 100

milhões de mulheres fazem parte da população economicamente ativa.

Apesar desta evolução positiva, a desigualdade de gênero é

persistente. As taxas de participação e ocupação das mulheres

ainda são inferiores às dos homens em mais de 20 pontos

percentuais. Por outro lado, a taxa de desemprego das

mulheres, de 10,4% no terceiro trimestre, ainda é 1,4

vezes maior que a dos homens. “Os mercados de

trabalho na região continuam sendo fortemente

segregados”, comentou Salazar.

Por outro lado, a taxa média de desemprego juvenil aumentou de 18,9% para 19,5% em 2017, o que significa que um em cada cinco jovens na força de trabalho não consegue encontrar trabalho. Estima-se que esta situação afeta cerca de 10 milhões de jovens na região.

Quanto à qualidade dos empregos, o relatório da OIT identificou a persistência de uma fraca geração de postos de trabalho no setor formal e assalariado, enquanto o crescimento do trabalho por conta própria foi maior, geralmente associado a condições de trabalho de menor qualidade e informalidade.

No caso de empregos por setor, destaca-se o aumento de 1,9% no emprego na indústria manufatureira, normalmente associado a condições formais de trabalho.

Em termos de salários, em um contexto de crescimento moderado e especialmente devido à menor inflação, em sete dos nove países com informações disponíveis os salários reais no setor formal aumentaram entre o terceiro trimestre de 2016 e o terceiro trimestre de 2017. O aumento foi mais notável no caso dos salários-mínimos reais, com um aumento médio de 4,3% no terceiro trimestre de 2017, acima dos 2,3% registrados há um ano.

Um tema especial incluído neste Panorama Laboral 2017 é a “Evolução dos salários na América Latina e no Caribe de 2005 a 2015”. Entre outros dados, a pesquisa destaca que durante esta década:

  1. Os salários reais na América Latina aumentaram 19,8%, ou 1,8% ao ano;
  2. Em média, o salário-mínimo real aumentou 42% na América Latina;
  3. Na América Latina, os funcionários públicos representavam 18% do total de assalariados em 2015; o setor privado concentrava 74% dos assalariados, comparado a 8% no trabalho doméstico.

O Panorama Laboral da América Latina e Caribe 2017 alerta que as perspectivas futuras dependem da manutenção de um ambiente econômico internacional mais estável.

Além disso, Salazar ressaltou que “embora 1,2% ou 2% de crescimento seja melhor que as taxas de crescimento recentes, esse ‘novo normal’ é uma má notícia, pois esses níveis de crescimento são insuficientes para reduzir a pobreza rapidamente, satisfazer e financiar as demandas das classes médias e ter impactos verdadeiramente transformadores nos indicadores sociais e de mercados de trabalho”.

Para isso, “os países da região deveriam crescer 5% ou 6%, o que só será alcançado com o enfrentamento das lacunas de baixa produtividade e da falta de desenvolvimento e diversificação produtiva, bem como as questões de educação, formação profissional e infraestrutura”.

“Somente assim poderemos avançar para um crescimento mais sustentado, inclusivo e sustentável com mais e melhores empregos”, disse o diretor-regional da OIT.

Acesse o relatório completo em 

http://www.ilo.org/americas/sala-de-prensa/WCMS_613957/lang–es/index.htm

 

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