13/12/2017 (20:28)

Indústria espera investimentos para não parar

“O empresariado está chegando ao limite dos investimentos". Foi o que disse Venilton Tadini, presidente da ABDIB(Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) no Seminário Brasil 2018, da Amcham, em São Paulo. Opina que sem incentivos públicos, os investimentos privados em infraestrutura vão ficar estagnados,

 

Disse ainda o presidente da ABDIB que não há hoje no País, investimentos que "mudam a lógica de crescimento econômico se não tivermos a força de indução do estado nesse movimento.”

Tadini destacou a falta de políticas públicas e financiamento de longo prazo adequados ao desenvolvimento de infraestrutura. Lembrou que o setor público sempre terá papel importante na concepção, desenvolvimento e financiamento dos projetos, e também no compartilhamento de riscos.

“Mesmo projetando com eficiência, existe um limite de custos que pode ser repassado aos usuários. É um fato que acaba requerendo alto grau de participação pública, e não só através de parcerias público-privadas (PPP)”, argumenta. “Se não tivermos isso claro, corremos o risco de chegar a lugar nenhum. Essa é uma mensagem relevante”.

De acordo com o dirigente, o empresariado brasileiro já investe

majoritariamente em setores como energia (56% de participação)

e comunicações (93%). A participação privada é menor em

setores como saneamento e água (10%) e transportes (23%).

Na América Latina, o nível médio de investimentos em infraestrutura

é baixo. Mesmo assim, o Brasil é um dos países onde o investimento

privado é maior que o do governo. Entre 2008 e 2013, o setor público investiu

1,5% do PIB, enquanto o empresariado contribuiu com 1,7% do PIB.

O patamar de investimentos públicos em infraestrutura vem se mantendo há décadas, o que é insuficiente para influenciar o crescimento econômico, lamenta Tadini. “É preciso investir pelo menos 3% do PIB em infraestrutura, mas desde a década de 90 o investimento público em infraestrutura vem sendo negligenciado.”

 

Financiamento de médio e longo prazos

Tadini também defendeu a criação de mecanismos de mercado que possibilitem o financiamento de médio e longo prazos. “Temos as debêntures incentivadas, mas nosso mercado de capitais ainda é incipiente”, destaca.

O BNDES, que é o grande financiador da infraestrutura, sofre com críticas que Tadini considera injustas. “O banco tem quadros competentes e não pode ser execrado por cumprir a política pública de escolher os campeões nacionais. Se é dada uma orientação, tem que cumprir.”

Tadini lamenta o fato de o governo ter escolhido segmentos de baixo conteúdo tecnológico, como o de proteína animal. “Não vamos demonizar a política pelo seu mau uso. Mas tínhamos outras opções”, afirma o dirigente.

 

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