06/12/2017 (22:58)

Taxa básica de juros chega ao fim de 2017 com o menor índice: 7%

Comitê de Política Monetária (COPOM), do Banco Central do Brasil, terminou o ano de 2017 fixando em 7% a taxa básica de juros (SELIC). É a menor desde 1986. Apesar de ter sido reduzida a 7,25% até o fim de 2013, começou a sofrer aumentos até alcançar 14,25% no auge das crises econômica e política, que levaram ao impeachment da Presidente.

 

De abril a setembro de 2017, o COPOM havia reduzido a SELIC em 1 ponto percentual. O ritmo de corte caiu para 0,75 em outubro e 0,5  na reunião final (171206). Para decidir desse modo, o Comitê justificou que a inflação está se comportando como o esperado e indicou que pode continuar a cortar os juros básicos na próxima reunião do Copom, ao final de janeiro de 2018.

“Para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e

em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como

adequada uma nova redução moderada na magnitude de flexibilização monetária.

Essa visão para a próxima reunião é mais suscetível a mudanças na evolução do

cenário e seus riscos que nas reuniões anteriores. Para frente, o Comitê entende

que o atual estágio do ciclo recomenda cautela na condução da política monetária”.

A SELIC é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA ficou em 0,42% em outubro. Nos 12 meses terminados em outubro, o índice acumula 2,7%, abaixo do piso da meta de inflação, que é de 3%.

Até o ano passado, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabelecia meta de inflação de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Para este ano, o CMN reduziu a margem de tolerância para 1,5 ponto percentual. A inflação, portanto, não poderá superar 6% neste ano nem ficar abaixo de 3%.

No Relatório de Inflação, divulgado no fim de setembro pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerrará 2017 em 3,2%. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo BC, a inflação oficial deverá fechar o ano em 3,03%, mesmo com os aumentos recentes nos preços dos combustíveis.

Até agosto de 2016, o impacto de preços administrados, como a elevação de tarifas públicas; e o de alimentos como feijão e leite contribuiu para a manutenção dos índices de preços em níveis altos. De lá para cá, no entanto, a inflação começou a cair por causa da recessão econômica e da queda do dólar.

Crédito mais barato

A redução da taxa Selic estimula a economia porque juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica. Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam crescimento de 0,89% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2017. A estimativa está superior à do último Relatório de Inflação, divulgado em setembro, no qual o BC projetava expansão da economia de 0,7% este ano.

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Ao reduzir os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.

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