20/11/2017 (21:17)

Brasil é o sétimo país com adolescentes grávidas

Brasil tem a sétima taxa de gravidez adolescente mais elevada na América do Sul. Empata com Peru e Suriname, ao revelar índice de 65 gestações para cada 1000 meninas de 15 a 19 anos. Dados referentes ao período de 2006 a 2015, foram mostrados pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). Liderança desse ranking é da Venezuela.

 

Em primeiro lugar na região sul-americana está a Venezuela, com uma

taxa de 95 para cada 1 mil adolescentes, seguida por Bolívia (88), Guiana

Francesa (87), Colômbia (84), Guiana (74) e Argentina (68). Depois de

Brasil, Peru e Suriname, aparecem Uruguai (64), Paraguai (63) e

Chile (52). O Equador não forneceu dados para o levantamento.

De acordo com a Agência da ONU, 1 em cada 5 bebês que nascem no Brasil é filho de mãe adolescente. Entre estas, de cada 5, 3 não trabalham nem estudam; 7 em cada 10 são afrodescendentes e aproximadamente a metade mora na região Nordeste.

Segundo o relatório, estudos já conectaram a gravidez precoce com menor saúde física e mental mais tarde na vida; enquanto diversas pesquisas concluíram que a gravidez adolescente provoca desvantagens para meninas de baixo status socioeconômico.

A demanda não atendida por serviços de saúde, incluindo o planejamento reprodutivo, pode enfraquecer as economias e sabotar o progresso já alcançado rumo ao cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 1, que trata da eliminação da pobreza, disse a agência da ONU no documento.

Na avaliação da agência da ONU, a desigualdade econômica reforça e é reforçada por outras desigualdades. Por exemplo, a desigualdade enfrentada pelas mulheres mais pobres no acesso a serviços de saúde, onde apenas algumas privilegiadas conseguem planejar sua vida reprodutiva, reflete-se na incapacidade de desenvolver habilidades para integrar a força de trabalho remunerado e alcançar poder econômico.

“Hoje, a desigualdade nos países não pode ser entendida apenas entre ter e não ter”, afirma o representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal.

“As desigualdades são cada vez mais entendidas entre o que as pessoas conseguem e não conseguem fazer. As mulheres mais pobres, que não têm acesso a recursos que lhes permitam o planejamento reprodutivo ou que não conseguem ter bons atendimentos de saúde, são as que menos conseguem desenvolver seu potencial.”

Taxas de gravidez altas

A taxa de fecundidade adolescente nos países da América Latina

e do Caribe estão entre as mais altas do mundo, com 64

nascimentos para cada 1 mil adolescentes. A região só

perde para a África Ocidental e Central (115) e para a África

Oriental e Áustral, cuja taxa é de 95

nascimentos para cada 1 mil adolescentes.

Como base de comparação, a taxa de gravidez adolescente na França está em apenas seis para cada 1 mil adolescentes, enquanto na Alemanha é de oito. Outros países em desenvolvimento têm taxas menores que a brasileira, como a Índia, onde é de 28 gestações para cada 1 mil adolescentes, e Rússia, onde é de 27 gestações.

Na maioria dos países em desenvolvimento, as mulheres mais pobres têm menos opção de planejamento reprodutivo, menos acesso a atendimento pré-natal e são mais propensas a terem partos sem a assistência de um profissional de saúde.

O acesso limitado ao planejamento reprodutivo leva a 89 milhões de gestações não intencionais e 48 milhões de abortos em países em desenvolvimento todos os anos, afirmou o UNFPA no estudo.

Isso não afeta apenas a saúde das mulheres, mas também limita suas capacidades de entrar ou de se manter no mercado de trabalho remunerado e afasta a possibilidade de alcançarem independência financeira, ressaltou o relatório.

Clique aqui para acessar o relatório completo (em inglês).

 

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