26/10/2017 (15:24)

Especialistas denunciam: caatinga sofre destruição acelerada

Palco de 932 espécies animais e vegetais e onde vivem 24 milhões de pessoas, a caatinga sofre destruição acelerada de flora e fauna em toda a extensão dos 11% da área que ocupa, sobretudo na região nordeste do Brasil. Responsáveis pela degradação foram apontadas a pecuária extensiva e monoculturas de milho e arroz, impulsionadas pela seca e pobreza

 

Denúncias foram feitas por especialistas em Caatinga reunidos em audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Federal (171024). Trata-se do único e exclusivo bioma no País onde está a maior população do mundo em semiárido. Parte do problema está ligada à escassez de recursos oficiais para execução de projetos de desenvolvimento sustentável. Opinião é patrocinada por Fábio São Mateus, do Centro Comunitário de Formação em Agropecuária Dom José Brandão de Castro, em Sergipe.

"Alguns dados deixam a gente um pouco assustado. Por exemplo, um corte, para 2018, de 85% no programa de assistência técnica e extensão rural; um corte de 11% no Bolsa Família; um corte de 93%, em 2018, nos recursos destinados à construção de cisternas para o acúmulo de água; e no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, que é um órgão importante do governo federal, um corte de 99,9%".

Formalmente, a Caatinga ocupa quase metade do território de Sergipe, mas 28

municípios do Estado já registram processos de desertificação. Em todo o bioma,

só dois rios não secam ao longo do ano: o São Francisco e o Parnaíba. Os

especialistas sugeriram investimentos em agroecologia, diversificação

de culturas e ampliação das unidades de conservação no bioma.

 

Elísio Neto, superintende de biodiversidade e florestas da Secretária de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Sergipe, fez dois apelos à Câmara: apoio na revitalização do rio São Francisco e aprovação da Caatinga como patrimônio nacional.

“A vazão do rio, lá na foz, está a 500 m³ por segundo: é o menor já registrado em toda a história do São Francisco. E para finalizar, que vocês tentem mobilizar o número máximo de deputados para incluir a Caatinga entre os biomas do patrimônio nacional. Aí, a gente teria mais uma legislação para assegurar a defesa desse bioma tão necessário e importante para nós, nordestinos".

 

A transformação do Cerrado e da Caatinga em patrimônio nacional é prevista em 7

propostas de emenda à Constituição (PEC 504/10 e apensadas), que já estão prontas

para a análise no Plenário da Câmara. Para o presidente da Comissão

de Meio Ambiente, deputado Nilto Tatto (PT-SP), o atual modelo

econômico atrapalha o desenvolvimento sustentável no país.

 

"Como é extraordinário verificar, neste país, a diversidade biológica, que se configura em cada espaço e em cada bioma. Pena que o modelo preponderante de agricultura vá no caminho de acabar com essa diversidade biológica e, consequentemente, com a própria diversidade cultural, que é fruto desses espaços".

Para a coordenadora do programa de meio ambiente da Universidade Tiradentes, Luciana Rodrigues de Morais e Silva, as riquezas da Caatinga poderiam ser melhor exploradas. Alerta para a utilização de recursos naturais do bioma a partir de princípios puramente extrativistas, sem indícios de manejo sustentável. “Mas a região tem potencial para explorar a fabricação de produtos sustentáveis e o turismo histórico e ecológico”.

Segundo Nilto Tatto, a audiência pública na Câmara ajuda a ampliar o conhecimento do brasileiro sobre a riqueza e os problemas da Caatinga e sua importância para a manutenção do equilíbrio ambiental.

Íntegra da proposta

 

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