06/10/2017 (20:51)

Câncer no Outubro Rosa tem desafios sérios. Ministro olhe a realidade.

“A Lei dos 60 dias não funciona”. Esta é uma denúncia da oncologista Cátia de Paiva Fernandes, do Hospital Mário Kroeff, do Rio de Janeiro. Foi feita em Brasília, na Câmara dos Deputados, perante representantes de hospitais especializados e autoridades do Ministério da Saúde. É uma colocação bem apropriada quando se fala de "Outubro Rosa".

 

Advertência ao próprio ministro da Saúde, que tem a missão de tirar o País do cáos

em que se encontra a prestação de serviços de saúde aos brasileiros. É preciso

acabar com o discurso da irrealidade, enganoso, amparado pela pauta desavisada

dos jornalões da hora. Este serviço, pelo menos, estão prestando ao povo, as comissões do

Parlamento: colocam discussões abertas, com a participação das partes envolvidas e quem

desejar. Único reparo é que têm de ir a Brasília, pois o "muro" que é feito pelos assessores, ainda não foi vencido.

 

Veja as discussões sobre câncer

Em sessão solene pelo Outubro Rosa no Plenário da Câmara dos Deputados, participantes defenderam o cumprimento efetivo da chamada “Lei dos 60 dias” (Lei 12.732/12), que garante às pessoas diagnosticadas com câncer o início do tratamento em até 60 dias. O Outubro Rosa é um movimento mundial de conscientização sobre a importância de detecção precoce de câncer de mama – o tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% do total de casos.

Coordenadora da Frente Parlamentar de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Câncer, a deputada Carmen Zanotto (PPS-SC) ressaltou que apenas 60% das pessoas diagnosticadas com câncer têm o tratamento iniciado até 60 dias após o diagnóstico. Ela defendeu ainda nova lei para garantir que pacientes com suspeita de câncer tenham a garantia de exames para confirmar o diagnóstico em até 30 dias.

“A Lei dos 60 dias não funciona”, denunciou a oncologista Cátia de Paiva Fernandes, do Hospital Mário Kroeff, do Rio de Janeiro. Ela ressaltou que o câncer de mama é a quinta causa de morte entre mulheres no mundo e a primeira causa de morte entre pessoas com câncer no Brasil. E salientou a importância de ultrassonografias e mamografias, que muitas vezes não seriam liberadas pelo SUS. “O câncer bate na porta de qualquer um, não precisa ter história familiar”, observou. Conforme a médica, a cada 10 mulheres com câncer de mama, 9 não têm história familiar.

Maria Lúcia da Silveira, diretora do Hospital Federal do Andaraí, ressaltou que, quando descoberto no início, há 95% de probabilidade de recuperação total do câncer de mama.

Mais mulheres no Parlamento


A deputada Raquel Muniz (PSD-MG), uma das autoras do requerimento para a realização

da sessão, disse que o País não garante condições ideais de tratamento para as mulheres

diagnosticadas com a doença. “A saúde no Brasil não tem garantido acesso à medicina de

qualidade. Muitas vidas são perdidas nesta luta contra o câncer de mama, por

falta das condições ideais de tratamento”. Pediu mais mulheres

no Parlamento, para que haja um olhar feminino sobre os problemas.

 

Também autora do requerimento do debate, a deputada Rosangela Gomes (PRB-RJ) reforçou o pedido de mais mulheres na política: “52% de mulheres moram neste País, mas, quando vêm para Casa de Leis, não têm 10% de representatividade”. Ela criticou o fato de não ter sido pautada na votação da reforma política a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 134/15) que reserva uma cota de vagas para as mulheres na Câmara dos Deputados, assembleias legislativas e câmaras municipais.

Para a coordenadora da bancada feminina na Câmara, deputada Soraya Santos (PMDB-RJ) “é inadmissível que, em pleno 2017, existam estados e municípios sem olhares femininos”. Soraya informou que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, assumiu compromisso para que a proposta seja colocada em pauta ainda em outubro, para valer pelo menos para as eleições de 2020.

Atenção permanente


Em discurso lido pelo deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), Rodrigo Maia salientou a importância do Outubro Rosa, para estimular a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama e possibilitar, com isso, que o tratamento seja menos invasivo. Ele lembrou que o Congresso Nacional estará iluminado de rosa neste mês, como parte do Outubro Rosa. Porém, segundo Maia, a atenção da Câmara ao tema é permanente.

Além das políticas públicas para diagnóstico precoce e tratamento rápido, a

servidora pública Adriana Ramos ressaltou a importância de o Poder Público

enfrentar alguns “fatores sociais” do câncer. Citou então a violência física e simbólica,

triplas jornadas e salários menores - fatores que atingiriam especialmente

mulheres em situação de maior vulnerabilidade social. Adriana é autora do

livro “A menina do espelho”, com o relato de cura de um câncer.

A solene contou com a presença de embaixatrizes de vários países, prefeitas, vereadoras e representantes de grupos de mulheres que enfrentam a doença.

 

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