04/10/2017 (11:12)

Bienal Internacional em Porto Alegre mostra arte de 16 países

Exibição simultânea e interativa de obras de 250 artistas em 32 cidades e 16 países. É isso que pretende a BIENALSUR (Bienal Internacional de Arte Contemporânea da América do Sul), que está em Porto Alegre (extremo sul do Brasil). Movimento surgiu em Buenos Aires (Argentina) e acabará em dezembro na cidade de Tóquio (Japão), por solidariedade.

 

“É uma proposta criativa de integração e solidariedade entre nações, num momento em que o mundo está cheio de muros e projetos de intolerância”, disse o sociólogo e colecionador Aníbal Jozami, reitor da UNTREF, de Buenos Aires. Como exemplo, citou as intervenções artísticas em duas zonas de conflito fronteiriço. Numa delas, 14 artistas trabalharam durante uma semana numa área cuja soberania é disputada pelo Chile e o Peru; e a equipe inteira passou uma noite na cadeia.

“Um artista vestiu réplica do uniforme do general Bernardo O’Higgins (líder da independência chilena), para uma foto, e alguém denunciou à polícia peruana a presença de um exército invasor”, contou Jozami. “Mas, além dessa anedota, o resultado desse esforço conjunto será exibido nos dois países”. No próximo dia 21 de outubro, a Bienal vai inaugurar outra exposição na fronteira entre a Colômbia e a Venezuela.

Convidados para participar da Bienal, os venezuelanos desistiram, afirmando que não tinham como garantir a segurança do patrimônio artístico. Os preparativos para o evento coincidiram com o agravamento da crise na Venezuela: desde abril, mais de 100 pessoas morreram em manifestações contra e a favor do presidente Nicolás Maduro, que enfrenta uma inflação anual de três dígitos e desabastecimento.

No Brasil, já estão em cartaz exposições no Memorial da América Latina ,

na capital paulista e no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (SP). O

Rio de Janeiro terá exposições na Central do Brasil e na Fundação

Getulio Vargas, a partir do dia 12 de outubro. E

artistas brasileiros como Eduardo Srur, Vik Muniz, Hélio Oiticica e Anna

Bella Geiger – entre outros – farão mostras na Argentina e no Peru.

 

No total, os artistas representam 78 países – entre eles vários da América Latina, da Europa, dos Estados Unidos, de Israel e de Madagascar. Todos os parceiros da Bienal assumiram o compromisso de abrir seus espaços gratuitamente ao público, que poderá “visitar” virtualmente todas as 84 sedes do evento e interagir com outros visitantes em uma tela.

A diretora artística do evento, Diana Wechsler, disse que essa bienal de arte é diferente de todas as outras, porque não definiu um tema. Fez uma convocação internacional, onde cada artista apresentou a sua proposta. “A ideia era privilegiar a liberdade e a criatividade e mostrar que é possível estabelecer um diálogo, em pé de igualdade, entre vários pontos do planeta, usando a arte como forma de integração”, concluiu Jozami.

Na Argentina, o projeto incluiu um ateliê de fotografia para adolescentes de comunidades da grande Buenos Aires, coordenado pelo conhecido fotógrafo de guerra iraniano Reza Deghati. As obras deles também serão exibidas na Bienalsur.

 

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