27/10/2017 (21:07)

Alto custo de hemodiálise preocupa médicos e pacientes

Deputados, médicos e pacientes pediram ao Ministério da Saúde e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) que encontrem solução rápida para reduzir custos da hemodiálise no Brasil. Serviço está encarecendo devido à decisão de 2014 da Agência que mandou descartar, após o uso, todas as linhas arteriais e venosas usadas nos procedimentos.

 

Pelko mundo, 1 em cada 10 pessoas estão passando pelo processo de hemodiálise. No Brasil são 130 mil que Os cuidados. Todos t~em esperança de um dia realizar um transplante de rim e desta forma acabar com a dependência que obriga 2 vezes por semana a passar pelapurificação sanguínea.

Por meio da Resolução 11/14, a ANVISA deu prazo de 3 anos para que as clínicas descartassem as linhas. Medida valeria a partir de março de 2017. Mas outra resolução da Agência (163/17), editada em junho, suspendeu por 4 meses a anterior. O novo prazo termina em outubro.

“Estamos tentando um consenso. Não podemos fazer uma análise superficial do reuso, porque existe um risco associado [de infecções por hepatite, por exemplo], mesmo que as evidências provem contra. Mas existe um princípio a ser observado da precaução. Estamos trabalhando junto ao Ministério da Saúde para resolver”. Foi o que disse André Rezende, gerente de Tecnologia em Serviços de Saúde da Agência.

Experiências internacionais


Segundo Rezende, a resolução de 2014 foi construída com a participação de todos os envolvidos no assunto e, à época, era factível. Explicou ainda que a decisão foi tomada com base em experiências internacionais. O Chile é o único País dos contatados que permite o reuso das linhas, conforme normas técnicas. Já países como Argentina, Austrália, Canadá e Japão proíbem o reuso.

Para o deputado Mandetta, se o objetivo é evitar infecções, a ANVISA deveria determinar também a troca dos filtros de diálise. “O fluido que passa pelo filtro é o mesmo. Ou eu troco tudo ou mantenho tudo e faço a esterilização”. André Rezende respondeu que existe um processo internacional que fala do reuso do filtro, mas não das linhas.

Desassistência


Yussif Ali Mere Júnior, presidente da Associação Brasileira do Centro de Diálise e Transplantes (ABCDT),

explicou que há 40 anos o Brasil faz reuso de linhas. Observou que o descarte pode

levar a uma desassistência dos doentes renais crônicos, se não houver a

devida compensação financeira para compra de novas linhas.

Miguel Riella, diretor de Políticas Associativas da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), observou que um

conjunto de linhas custa aproximadamente R$ 12. “O descarte agregará

mais custos a um reembolso já defasado, sem benefício aos pacientes”.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) paga R$ 194,20 por uma sessão de hemodiálise em um adulto. O

valor foi reajustado em outubro de 2016 e equivaleu a um aumento de 8,4% em r

elação ao que era pago em 2013 (R$ 179,03). Segundo a consultora técnica do Ministério

da Saúde Maria Inês Gadelha, esse ajuste já considerou os custos do descarte de linhas.

Pacientes


A Sociedade Brasileira de Nefrologia estima que existam hoje no Brasil 122,8 mil pacientes em tratamento dialítico, em quase 750 clínicas em todo o País. Já os números do Ministério da Saúde apontam para 707 serviços habilitados no SUS em 2017, sendo 89 públicos, 439 privados e 176 sem fins lucrativos.

Diálise é um procedimento em que uma máquina faz o papel do rim doente, limpando e filtrando o sangue. A maior parte dos pacientes se submete à chamada hemodiálise em clínicas, em sessões que duram de quatro a cinco horas, três vezes por semana. Uma menor parcela dos pacientes (quase 8%) faz tratamento em casa, a chamada diálise peritoneal domiciliar.

Os deputados Jorge Solla (PT-BA) e Carmen Zanotto (PPS-SC) sugeriram mais investimentos na diálise peritoneal e também uma tabela de custos regionalizada. “O custo do transporte pesa muito no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste. Seria algo a se pensar para estimular a diálise peritoneal”, justificou Solla.

Segundo Miguel Riella, da SBN, o não crescimento da diálise peritoneal se deve à remuneração inadequada e à falta de códigos específicos para tratamento das infecções como a peritonite, comum nesses casos.

Esse foi o principal ponto de uma audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família (170919), realizada a pedido dos deputados Mandetta (DEM-MS) e Silas Freire (Pode-PI).

 

 

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