20/09/2017 (19:39)

Infecções resistem a remédios e já são emergência à saúde no mundo

Resistência das infecções microbianas são desafio a todos os pesquisadores e à indústria farmacêutica do mundo. Isso foi revelado na Assembleia Geral da ONU (170920) pela Organização0 Mundial da Saúde (OMS), cujos profissionais denunciaram já haver falta de novos antibióticos para dar combate à crescente dificuldade de tratamento das doenças.

 

Foram indicados 51 novos antibióticos em desenvolvimento clínico para tratar patógenos prioritários resistentes aos antibióticos, bem como a tuberculose e a infecção diarreica Clostridium difficile, por vezes mortal.

Entre todos os medicamentos candidatos, no entanto, apenas 8 são classificados pela OMS como tratamentos inovadores, que agregam valor ao atual arsenal de antibióticos.

 

 

A maioria das drogas em etapa de desenvolvimento para uso clínico é constituida

de modificações de classes de antibióticos existentes, ou seja, que podem significar

soluções adequadas a curto prazo. A OMS encontrou poucas opções de potenciais

tratamentos para infecções resistentes a antibióticos identificadas como a maior

ameaça à saúde. Entre essas moléstias está a tuberculose multidroga

resistente (TB-MDR), que mata cerca de 250 mil pessoas a cada ano.

 

“A resistência antimicrobiana é uma emergência mundial de saúde que compromete seriamente o progresso na medicina moderna”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “Existe uma necessidade urgente de mais investimentos em pesquisa e desenvolvimento para infecções resistentes a antibióticos, incluindo tuberculose. Caso contrário, seremos forçados a voltar a uma época em que as pessoas temiam infecções comuns e arriscavam suas vidas em uma pequena cirurgia”.

Além da tuberculose multidroga resistente, a OMS identificou 12 classes de agentes patogênicos prioritários. Alguns causam infecções comuns, como pneumonia ou as do trato urinário, que são cada vez mais resistentes aos antibióticos existentes e precisam urgentemente de novos tratamentos.

Existe uma séria falta de opções de tratamento para M. tuberculosis extensivamente resistente, bem como as identificadas como multidroga resistente, além de patógenos gram-negativos, incluindo Acinetobacter e Enterobacteriaceae (como Klebsiella e E. coli), que podem causar graves e mortais infecções que representam uma particular ameaça em hospitais e serviços de cuidado aos idosos e/ou home care.

Existem também poucos antibióticos orais em etapa de desenvolvimento para uso clínico, mas essas são formulações essenciais para o tratamento de infecções fora dos hospitais ou em serviços com recursos limitados.

“As empresas farmacêuticas e os pesquisadores devem se concentrar urgentemente em novos antibióticos contra certos tipos de infecções extremamente graves, que podem matar os pacientes em questão de dias por não termos linha de defesa”, disse Suzanne Hill, diretora do Departamento de Medicamentos Essenciais da OMS.

 

Para combater esta ameaça, a OMS e a Iniciativa Medicamentos para Doenças

Negligenciadas (DNDi, sigla em inglês) criaram a Parceria Global de Pesquisa e

Desenvolvimento de Antibióticos, conhecida como GARDP. No início de

setembro (170904), Alemanha, Luxemburgo, Países Baixos, África do Sul,

Suíça e o Reino Unido, além do Wellcome Trust,

comprometeram-se a repassar mais de 56 milhões de euros para a iniciativa.

 

“A pesquisa para a tuberculose está seriamente subfinanciada, com apenas dois novos antibióticos disponíveis para o tratamento da tuberculose resistente a medicamentos em mais de 70 anos”, alegou Mario Raviglione, diretor do Programa Global de Tuberculose da OMS. “Se quisermos acabar com a tuberculose, mais de 800 milhões de dólares por ano são urgentemente necessários para financiar a pesquisa de novos medicamentos”.

Contudo, novos tratamentos não serão suficientes para combater a ameaça da resistência antimicrobiana. A OMS trabalha com países e parceiros para melhorar a prevenção e o controle de infecções e para promover o uso adequado de antibióticos. A Organização também está desenvolvendo orientações para o uso responsável de antibióticos nos setores humano, animal e agrícola.

 

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