15/03/2018 (23:03)

Notícia falsa, mal que aumenta através das redes sociais

Notícia falsa passou a ser preocupação mundial e até levou a decisões da Aliança de Civilizações das Nações Unidas (UNAOC). Facilidades de compartilhar dados por pessoas que não têm preparo técnico para avaliar o que é correto, aumentam o tamanho do desafio. Fórum em New York alerta para o descrédito deliberado da mídia e o perigo da desinformação.

 

Em meio ao aumento da proliferação de notícias falsas – “fake news”, em inglês – e

do desafio de discernir entre informações verídicas e falsas, um fórum das Nações

Unidas discutiu (170907) formas de tratar deste complexo assunto. O encontro debateu

caminhos para levar aos cidadãos as habilidades e ferramentas necessárias para

avaliar a credibilidade de qualquer conteúdo da mídia ou de uma fonte de notícias.

 

“O mundo de hoje é o mais conectado da história, através das redes sociais e da tecnologia; somos supersaturados com notícias”, disse Maher Nasser, diretor da Divisão de Promoção do Departamento de Informação Pública da ONU, durante o evento “Unravelling #FakeNews from opinion-making information” (“Desvendando as #fakenews das informações de formação de opinião”, em português.

A reunião foi organizada pela Aliança de Civilizações da ONU (UNAOC).

Como parte dos pontos destacados, Nasser mencionou a complexidade que representa distinguir notícias verdadeiras de notícias falsas, especialmente quando os algoritmos, usados por plataformas das redes sociais para fornecer conteúdo aos usuários, costumam depender das interações dos próprios usuários com seus círculos, o que acaba criando as chamadas “bolhas” dessas notícias.

 

Além disso, a facilidade de compartilhar a informação no mundo interligado de hoje

acrescenta uma nova dimensão a esses complexos desafios, disse Nasser. Destacou

a importância de os usuários verificarem a informação antes de compartilhá-la com as

redes de amigos e seguidores, por exemplo, acessando fontes confiáveis e averiguando a precisão dos fatos.

 

O evento também incluiu discussões sobre alfabetização para a mídia e contou com a participação de Alan Miller, fundador e CEO do News Literacy Project; Mitra Kalita, vice-presidente de programação da CNN Digital; Áine Kerr, gerente de parcerias jornalísticas do Facebook; Dina Temple-Raston, correspondente de contraterrorismo da National Public Radio dos EUA; e Michelle Ciulla Lipkin, diretora-executiva da National Association for Media Literacy Education.

O debate foi mediado por Jordi Torrent, gerente de projetos da Media Literacy Initiative da UNAOC.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) apresentou alguns pareceres sobre o tema das “fake news” a membros do Parlamento Europeu para conter o crescente problema e seus impactos.

 

Guy Berger, diretor de Liberdade de Expressão e Desenvolvimento da Mídia da UNESCO, 

alertou sobre a seriedade da desinformação e o descrédito deliberado da mídia profissional.

Ressaltou a necessidade de melhorar a proteção de jornalistas e solicitou mais investigações

e processos judiciais para punir, quando fornecedores de notícias falsas estiverem envolvidos

em fraude, como o uso indevido de nomes de marcas de fornecedores de notícias reputados.

 

Berger também pediu que a mídia aumente a credibilidade, destacando marcas confiáveis e serviços públicos de radiodifusão, e evite a publicidade que leva a links de notícias falsas. Também pediu mais transparência em relação a inclinações políticas ou de propriedade.

 

 

“Finalmente, os jornalistas são responsáveis por acompanhar e informar sobre o fenômeno das fake news”.

 

Falsidades na informação prejudicam

institutos de pesquisa, diz Presidente do IBGE

 

Rio de Janeiro - Novo presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Roberto Olinto, toma posse (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Roberto  Olinto, presidente  do  IBGE 
FOPTO Fernando Frazão, Agência Brasil

Roberto Olinto, presidente do Instituto Brasileiro de

Geografia e Estatística (IBGE), disse (180315) que

o fenômeno da divulgação de informações falsas

pelas redes sociais, as fake news, é

um desafio para os órgãos estatísticos.

“Ainda tem essa novidade do fake news, que afeta a gente. Volta e meia sai uma notícia que, associada a alguma questão econômica, social, [dá a entender que] o IBGE está envolvido nessa confusão”, destacou, em palestra promovida pela Associação Nacional de Editores de Revistas.

Na avaliação de Olinto,a grande proliferação de informações de uma maneira geral é um cenário adverso para os institutos produtores de dados. “A sociedade está se afogando na quantidade de números gerados”, enfatizou. Ele disse que, nesse contexto, é cada vez mais difícil manter a credibilidade do IBGE, ainda mais com a grande circulação de diversos pontos de vista.

“Excesso de opinião. Opinião também afeta a estatística oficial, porque você tem que se contrapor, de certa forma, com um dado de confiança”.

Até mesmo índices consolidados ainda são alvo de dúvidas da sociedade:

“50% da população brasileira acha que o IPCA [Índice de Preços ao

Consumidor Amplo] é errado, que dentro da sua casa a inflação não é

aquela e não acredita na gente de forma nenhuma”, afirmou. Por causa

desse tipo de problema, o IBGE investe em campanhas explicativas nas redes sociais.

“Na internet tem uns videozinhos em que tentamos explicar esse tipo de questão.”

Além disso, ele destacou que nos últimos anos o IBGE tem construído uma relação próxima e de confiança com a imprensa. “A credibilidade dos institutos de estatística só existe a partir do momento que existe uma boa relação de comunicação com a sociedade. É preciso ser transparente. Isso tem que ser feito através dos diversos instrumentos disponíveis para a comunicação.”

Para Olinto, outro fator importante para manter a credibilidade dos estudos é evitar interferências externas ou políticas nos trabalhos. “As pesquisas do IBGE tem que ser protegidas com uma imparcialidade muito grande.” (Agência Brasil).

 

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