29/08/2017 (19:42)

Novas formas de doença renal na América Central preocupam OPAS

Aumento no número de jovens de comunidades rurais vulneráveis da América Central a desenvolver forma grave de insuficiência renal de origem incerta. Daí novas recomendações para ajudar países da região a fortalecer ou criar sistemas de vigilância dessa epidemia não relacionada a diabetes ou hipertensão. Pode ser devido às más condições de trabalho.

 

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) registrou um aumento no número de jovens de comunidades rurais vulneráveis da América Central a desenvolver uma forma grave de insuficiência renal de origem incerta. Por isso, a agência da ONU publicou na semana passada (24) novas recomendações para ajudar os países da região a fortalecer ou criar sistemas de vigilância dessa epidemia não relacionada a diabetes ou hipertensão.

 

Os casos dessa doença renal crônica se concentram principalmente em

homens jovens que vivem em comunidades rurais de baixa renda, e

parecem estar associados a fatores como contaminantes ambientais

(por exemplo, produtos agroquímicos), condições de trabalho deficientes

e ingestão de água insuficiente durante a jornada laboral com temperaturas

altas. Em alguns casos, concluiu-se que a doença começou há mais de dez anos.

 

A nova publicação “Epidemia de doença renal crônica em comunidades agrícolas da América Central: definição de casos, base metodológica e enfoques para a vigilância de saúde pública” é apresentada no contexto dessa epidemia e inclui suas características epidemiológicas; os principais fatores hipotéticos de risco; uma descrição das características clínicas e patológicas; definições de casos para a vigilância; base metodológica e enfoques para vigilância de saúde pública.

De acordo com as diretrizes da OPAS, os sistemas de saúde precisam de melhores informações epidemiológicas para responder a esta epidemia, além de estratégias à vigilância passiva, ativa e baseada na população através de pesquisas. Essas estratégias podem ajudar a determinar as pessoas que estariam em risco de sofrer insuficiência renal e que poderiam se beneficiar de intervenções ou de tratamentos para melhorar o controle da doença.

Esse tipo de doença renal crônica associada a causas não tradicionais — fundamentalmente uma forma de nefrite intersticial crônica — alcançou proporções epidêmicas, afetando comunidades inteiras e saturando os sistemas de saúde da região.

Segundo análise recente, entre 1997 e 2013, mais de 60 mil pessoas morreram devido a insuficiência renal na América Central. A doença, que se caracteriza pela aparição progressiva de insuficiência renal, é em geral diagnosticada tardiamente, uma vez que os sintomas não surgem em suas etapas iniciais. Dessa forma, os pacientes precisam se submeter a uma terapia de substituição renal para sobreviver.

 

Os dados disponíveis sobre a doença renal crônica em geral, associada tanto

a causas tradicionais como não tradicionais, indicam que as hospitalizações

por essa doença aumentaram 50% entre 2005 e 2012 em El Salvador — sendo

esta a principal causa de hospitalização no país. Quase 1,5 mil dessas hospitalizações

referiram-se a menores de 19 anos, um número excepcionalmente alto.

 

Em 2013, representantes dos países da América Central e da República Dominicana realizaram uma reunião de alto nível sobre doença renal crônica de causas não tradicionais e emitiram a Declaração de San Salvador, na qual reconheceram a doença renal crônica como um problema grave de saúde pública que requer medidas urgentes.

A doença renal de origem incerta em comunidades rurais da América Central foi declarada um grave problema de saúde pública pelas autoridades de saúde no Conselho Diretor da OPAS em 2013.

Nessa reunião, os ministros da saúde de toda a região das Américas expressaram sua preocupação, e se comprometeram a apoiar as iniciativas de investigação e mitigação. Também observaram que milhares de vidas foram perdidas, e instaram os países a redobrar seus esforços para investigar e abordar os fatores ambientais e ocupacionais que podem ser apontados como causa do problema.

A nova publicação responde a solicitação das autoridades de saúde à OPAS para proporcionar um marco para a vigilância sistemática da doença renal crônica associada a causas tradicionais e não tradicionais nos países afetados.

 

O marco inclui um mecanismo de vigilância passivo baseado nos registros de mortalidade e no registro

da população em tratamento de diálise ou em fase terminal de uma doença renal. Na publicação,

também se recomenda a vigilância ativa baseada na vigilância sentinela em comunidades e profissões

específicas, assim como a vigilância baseada na população mediante à realização de pesquisas transversais

reiteradas, como o método STEPS da OMS, um enfoque progressivo na vigilância das doenças não transmissíveis.

 

Além do fortalecimento da vigilância, a OPAS está trabalhando com o objetivo de aumentar a capacidade das equipes de atenção primária para abordar a doença. Nesse sentido, desenvolveu um curso online centrado na prevenção e no manejo da doença, que atualmente conta com 6,6 mil profissionais de saúde inscritos.

A OPAS informou que continuará propondo melhoras na saúde ambiental e ocupacional, promovendo a mobilização de recursos e prestando apoio técnico para melhorar a vigilância e detalhar uma agenda de investigação para combater a doença.

 

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