15/08/2017 (20:45)

Juiz Sérgio Moro afirma que sociedade engajada vencerá a corrupção

Não basta a ação da Justiça criminal para acabar com a corrupção sistêmica. É preciso que toda a sociedade esteja engajada. "Para o avanço de medidas anticorrupção é necessário ter vontade política que vem, em parte dos agentes políticos e em parte da sociedade civil, que vota e também reclama”. São palavras do juiz Sérgio Moro.

 

Moro é o responsável pelo julgamento das ações da "lava jato" na 13ª Vara Federal de Curitiba. No encontro Mitos&Fatos, promovido pela rádio Jovem Pan, em São Paulo, defendeu (170815) que os parlamentares do Congresso Nacional têm um papel importante para evitar que as ações de combate à corrupção retrocedam e deixem de avançar.

Aplaudido de pé pelos participantes do evento, advertiu que o movimento social deve ser suprapartidário para que alcance o objetivo. Juiz fez um balanço positivo da "lava jato" ao lembrar a condenação de 4 diretores de alto escalão da Petrobras, 10 representantes da classe política e a recuperação aos cofres públicos, de pelo menos US$ 98 milhões, até agora.

 

Supremo

Na opinião do juiz, o Supremo Tribunal Federal deu um passo relevante contra a

impunidade ao aprovar medida que permite a aplicação de pena após condenação em segunda instância.

Para o magistrado, apesar de discussões em torno da presunção de inocência,

os autores de crimes devem ser responsabilizados, desde que existam provas. Com isso, na opinião

de Moro, é possível evitar uma série de apelos que atrasam o andamento de processos em fóruns de todo país.

 

Moro lembrou a contribuição do STF, que aprovou ação direta de inconstitucionalidade em 2015, para limitar as contribuições de empresas a campanhas eleitorais.

É favorável ao financiamento público de campanha que, "se for bem elaborado, poderia evitar o beneficiamento de políticos que estão no poder. Há uma tendência de quem está dentro querer ficar e não deixar entrar quem está de fora”.

O magistrado criticou a reforma política em andamento no Congresso Nacional. Disse que a proposta “não é uma reforma política de verdade”. Também confessou que espera ver o Brasil caminhando na mesma direção de outros países que conseguiram êxito no combate à corrupção.

 

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