25/07/2017 (21:47)

OMS reclama da indústria na luta contra tabagismo

Apenas 15% da população mundial está protegida por proibições amplas da publicidade, promoção e patrocínio do tabaco. A taxação especial para encarecer cigarros e derivados é apontada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) com uma das medidas de controle menos utilizadas pelos países. Há progressos mas a Organização reclama da indústria.

 

A indústria do tabaco continua prejudicando os esforços dos governos para implementar plenamente intervenções que são capazes de salvar vidas e reduzir os custos trazidos pelo consumo de cigarros. Reclamo é da OMS

“Governos de todo o mundo devem incorporar logo todas as disposições da Convenção Quadro da OMS para o Controle do Tabaco em seus programas e políticas nacionais de controle do tabaco”. Proposta é de Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral. “Eles devem também reprimir o comércio ilícito de tabaco, que está agravando a epidemia mundial de tabaco e suas consequências socioeconômicas e de saúde.”

Cerca de 4,7 bilhões de pessoas — 63% da população mundial — estão protegidas por pelo menos uma medida de controle do tabaco, número que quadruplicou desde 2007, quando apenas 1 bilhão de indivíduos estavam resguardados do cigarro por políticas integrais. O avanço é destaque do novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a epidemia de tabagismo.

 

Proteção a 5 bilhões

Os quase 5 bilhões de indivíduos já “protegidos” vivem em países que

adotaram pelo menos uma boa prática indicada na Convenção do

organismo internacional. Segundo o levantamento da agência da ONU, isso

foi possível só porque governos intensificaram ações para implementar o acordo.

 

O consumo do tabaco é a principal causa evitável de mortes em todo o mundo, matando mais de 7 milhões de pessoas por ano. Os seus prejuízos econômicos também são enormes, somando mais de 1,4 trilhão de dólares em despesas de saúde e perdas de produtividade.

“A interferência da indústria do tabaco na formulação de políticas governamentais representa uma barreira mortal para o avanço da saúde e do desenvolvimento em muitos países”, alegou Douglas Bettcher, diretor do departamento da OMS para a prevenção de doenças não transmissíveis. “No entanto, ao monitorar e bloquear tais atividades, podemos salvar vidas e plantar sementes para um futuro sustentável para todos.”

O tabagismo é apontado como um dos principais fatores de risco comuns para as doenças não transmissíveis, que matam 40 milhões de pessoas por ano — o equivalente a 70% de todos os óbitos registrados no mundo. Desse valor, 15 milhões são falecimentos registrados na faixa etária dos 30 aos 69 anos. Mais de 80% dessas mortes prematuras ocorrem em países de baixa e média renda.

Brasil é destaque

Nas Américas, 21 dos 35 países-membros da OMS já contam com ao menos uma das medidas integrais de controle do tabaco propostas pela OMS — o que traz benefícios para quase 1 bilhão de pessoas, ou quase 95% da população do continente. Ao menos 15 nações da região colocaram em prática duas dessas medidas, o que representa 59% da população mais protegida contra o consumo de tabaco.

A principal estratégia adotada por esses Estados tem sido a criação de ambientes livres do cigarro, preservando a saúde de quase 500 milhões de pessoas em 18 países.

 

O uso de imagens de advertência contra o consumo nas embalagens

dos produtos derivados do tabaco tem sido a segunda medida mais

popular nas Américas. A estratégia já foi implementada em 16

países que, juntos, reúnem 55% da população do continente.

 

O Brasil é citado no relatório por ser um dos oito países que implementaram quatro ou mais medidas para combater o tabagismo — ao lado do Irã, Irlanda, Madagascar, Malta, Panamá, Turquia e Reino Unido.

Segundo a OMS, existem 69 milhões de fumantes nas Américas. Eles representam 6% do total de fumantes no mundo. Sessenta e oito por cento — 47 milhões — dos fumantes são homens e 32% mulheres — 22 milhões. Com isso, a região é a segunda com a maior prevalência de mulheres tabagistas em termos relativos. A primeira é a Europa.

Estratégias para reduzir tabaco

A OMS elaborou medidas para ajudar países a implementar sua Convenção. Chamadas “MPOWER”, essas recomendações propõem ações em seis áreas:

  • Monitorar políticas de uso e de prevenção do tabaco;
  • Proteger as pessoas contra a fumaça do tabaco;
  • Oferecer ajuda para o fim do tabagismo;
  • Avisar a população sobre os perigos do tabaco;
  • Reforçar as proibições de publicidade, promoção e patrocínio do tabaco;
  • Aumentar os impostos sobre o tabaco.

“Uma em cada 10 mortes globalmente é causada pelo tabaco, mas podemos mudar isso por meio das medidas de controle do tabaco, as MPOWER, que se mostraram altamente eficazes”, afirmou o embaixador da OMS para doenças não transmissíveis e fundador da Bloomberg Philanthropies, Michael R. Bloomberg.

 

De acordo com o documento lançado pela OMS, 3,2 bilhões de pessoas vivem em um

país que exibiu pelo menos uma campanha de mídia nacional antitabaco nos últimos 2

anos. Vinte e seis nações têm programas para levar as pessoas a parar de consumir

derivados do produto. Mais cidadãos são protegidos por advertências nas embalagens

do que por qualquer outra “MPOWER” — são quase 3,5 bilhões de indivíduos em 78 países.

 

O novo relatório também mostra que um terço dos países possui sistemas abrangentes para monitorar o uso do tabaco. Embora isso seja superior a taxas anteriores — como o índice de um quarto dos países acompanhando as tendências de consumo nos níveis recomendados em 2007 —, os governos ainda precisam fazer mais para priorizar ou financiar ações de mitigação do tabagismo.

 

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