07/07/2017 (21:42)

Brasil registra deflação 11 anos depois de índices elevados

Deflação de 0,23% é o dado mais positivo da economia no Brasil, 11 anos depois. Número foi anunciado (170707) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na pesquisa do IPCA (índice de preços ao consumidor amplo). Governistas festejaram, mas os críticos tiveram olhar negativo, atribuindo o registro à crise brasileira.

 

Se no mês de junho de 2017 a inflação fechou negativa, esse fato só havia sido registrado no Plano Real em junho de 2006, com menos 0,21% e depois em agosto com menos 0,51%. IBGE mediu a inflação em maio de 2017, poisitiva em 0,31%.

Com isso, o primeiro semestre do ano fechou em 1,18%, bem menos do que os 4,42% registrados no mesmo período do ano passado. Considerando os primeiros semestres, é o resultado mais baixo da série histórica. Em relação aos últimos 12 meses, o índice acumulado foi para 3%, abaixo dos 3,6% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores.

Deflação prolongada é ruim

 

Deflação significa que os preços dos produtos e serviços caíram durante o mês

de junho. De acordo com o IBGE, o que mais puxou esse resultado foram as quedas

nos preços da energia elétrica, dos transportes e dos alimentos.

Com a deflação, o consumidor consegue comprar produtos pagando menos, o que,

em um primeiro momento, representa a recuperação do poder de compra. A deflação,

no entanto, pode indicar dificuldades econômicas se persistir por vários meses.

Da mesma forma que a inflação alta representa um problema para a economia, a

queda de preços nem sempre representa um bom sinal.

 

De acordo com a teoria econômica, índices negativos seguidos e generalizados indicam que os empresários estão baixando os preços por não estarem conseguindo vender as mercadorias a consumidores sem dinheiro. Esse comportamento normalmente está associado a países que enfrentam estagnações econômicas prolongadas, como o Japão, ou recessões severas acompanhadas de alto desemprego, como a Grécia.

Após a crise econômica global de 2008, o Japão registrou inflação negativa de 2009 a 2012. Somente em 2013, o país asiático voltou a registrar taxas positivas, mas os preços subiram por causa do aumento de tributos anunciado pelo primeiro-ministro Shinzo Abe ao chegar ao poder. Em 2015 e 2016, o país continuou a registrar taxas positivas, mas próximas de zero.

A situação é mais dramática na Grécia. No início da crise da dívida grega, em 2012, o país ainda registrou inflação positiva, mas após a recessão e as medidas de ajuste fiscal impostas como parte do plano de resgate, a economia grega passou a registrar deflação crônica: -1,82% em 2013 e -2,54% em 2014. Desde 2015, o país tem registrado índices próximos de zero.

 

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