07/06/2018 (21:31)

Brasil discute ampliação de políticas públicas para doença mental

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 11,5 milhões de pessoas sofrem de depressão, por ano, no Brasil. O País é o segundo das Américas e o quinto do mundo em número de casos. Só no ano passado, 75,3 mil trabalhadores foram afastados de suas atividades por depressão. Mas o assunto ainda é tratado com reservas.

 

Psicólogos e deputados pediram a ampliação de políticas públicas de saúde mental e de combate à depressão. O assunto foi debatido em audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.

Ainda assim, o tema é tabu na sociedade brasileira e motivou psicólogos e psiquiatras a promoverem a campanha Janeiro Branco, todo mês de janeiro, desde 2014, para conscientizar as pessoas sobre a importância de cuidar da saúde mental e emocional.

 

Idealizador da campanha, o psicólogo Leonardo Rezende afirmou que o grande desafio

é quebrar a cultura do silêncio e incentivar as pessoas ao autoconhecimento. "Falar

sobre sentimentos, às vezes, soa como fraqueza. Ninguém tem coragem de chegar

no seu serviço e dizer que vai ficar afastado uma semana porque terminou um namoro

e está sofrendo. E quantas pessoas estão querendo se matar porque terminaram um

namoro, ou porque brigaram com o pai, ou porque estão com uma angústia sexual muito

grande, estão estranhando sua própria orientação sexual e não sabem com quem falar

sobre isso, e as pessoas vão engolindo essas dores, vão engolindo essas angústias. Nas

escolas, ensinamos crianças de 10 anos tudo sobre matemática, química, física, mas não

ensinamos nada sobre ciúmes, sobre medo, sobre frustração, sobre tesão".

 

Autora do requerimento para a audiência, a deputada Rosinha da Adefal (PTdoB-AL) destacou a necessidade de se encontrar tratamentos alternativos à medicação, que pode levar à dependência química. Ela avaliou apresentar projeto de lei que inclua o Janeiro Branco entre as campanhas de saúde pública do calendário oficial do País.

"Eu gosto dessas campanhas, porque tenho estatísticas de quantas pessoas, por exemplo, conseguem ter o diagnóstico do câncer de mama na época do Outubro Rosa. As doenças emocionais são muito mais silenciosas, difíceis de detectar, então a gente precisa realmente ter esse olhar de saúde pública e fazer campanhas preventivas para despertar nas pessoas a importância de cuidar da saúde", disse a deputada.

Novas tecnologias


Para a psicóloga Laeuza Farias, integrante do Movimento da Luta Antimanicomial, a depressão é uma epidemia silenciosa, um mal deste século, agravado pelo uso crescente de novas tecnologias.

"Estamos vivendo em uma era virtual, tudo a gente quer resolver por aplicativo, mandando mensagem. Só que a vida não é virtual, a vida é real. Eu vivo na realidade. Eu tenho pessoas junto de mim que têm demandas, frustrações, sentimentos, que exigem a minha presença ou que cobram algumas coisas de mim. Eu não vivo dentro de um telefone celular, eu não sou um aplicativo, eu sou uma pessoa", afirmou.

 

José Félix Barros, presidente do Conselho Regional de Psicologia de Alagoas,

atribuiu os altos índices de depressão no País à crise política e econômica. "As

mudanças na Previdência, as mudanças trabalhistas, as mudanças em todo contexto

que é da vida política do País, isso tem mexido com toda a sociedade. A gente

sente isso nos nossos consultórios, nos atendimentos no serviço público, e a

gente tem que estar preparado para atender toda essa demanda".

 

A deputada Erika Kokay (PT-DF) acredita que a campanha Janeiro Branco deveria estar inserida em uma política ampla de saúde mental, com valorização de psicólogos e ampliação da oferta de serviços pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como a inclusão de um psicólogo nas equipes de saúde da família.

 

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