12/06/2017 (14:10)

Oceanos, lixeira dos homens mal educados

“A cada ano, 8 milhões de toneladas de plástico são jogadas nos oceanos. Isso causa prejuízos de 8 bilhões de dólares em danos (ambientais)”, alertou o diretor do UNIC Rio, Maurizio Giuliano, durante a campanha. Segundo a ONU Meio Ambiente, cerca de 90% de todo o lixo flutuando nos oceanos é plástico. Até 2050, a poluição toma lugar dos peixes.

 

Coincidindo com o Dia Mundial do Meio Ambiente (170605) e o Dia Mundial dos Oceanos (170608), a Copnferência Mundial dos Oceanos em New York, promoveu parcerias e ações para apoiar a implementação do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 14, que trata da conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos.

 

O professor de Oceanografia da Universidade do Estado do Rio Janeiro (UERJ) José Lailson Brito Jr

vê a situação dos oceanos como preocupante. Lembra que o aquecimento global afeta

não só o aumento do nível do mar, mas também altera as correntes marítimas e o clima de vários locais.

Ao mesmo tempo, o professor mostra que a acidificação oceânica interfere na habilidade dos organismos

calcificadores – como algas, corais e moluscos, por exemplo – de criarem seu esqueleto ou exoesqueleto.

 

Outro grande problema enfrentado pelos oceanos é a poluição do mar, principalmente por resíduos plásticos. Diz o pesquisador que a é grave a situação das tartarugas marinhas entregues ao Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores da UERJ. Na hora de analisá-las, a equipe constatou que todas tinham ingerido plástico.

“Todas as tartarugas marinhas que foram entregues ao nosso laboratório tinham resíduos plásticos no trato digestório”. Explicação é do estudioso. Diz que as tartarugas confundem sacolas plásticas, por exemplo, com algas, e acabam se alimentando de algo que não é digerido pelo organismo e não oferece valor nutricional, podendo morrer por inanição.

Para Ricardo Gomes, documentarista e biólogo marinho, é preciso fazer mais pelos oceanos. Ricardo é diretor do documentário “Baía Urbana”, que será lançado no dia 9 da Conferência, em Nova Iorque. Ele já havia filmado a vida submarina do Rio de Janeiro no documentário “Mar Urbano”, lançado em 2014.

A inspiração para o novo filme veio quando a cidade estava se preparando para receber as Olimpíadas, com a análise de matérias publicadas sobre a poluição na Baía de Guanabara.

“Falavam sempre como se ela estivesse morta, e eu sabia que ainda tinha muita vida na Baía”, lembrou Ricardo, que destaca a importância da população conhecer a situação dos mares e oceanos. “O primeiro passo para a gente mudar a realidade é conhecer a vida que tem ali. A gente tem que conhecer para preservar”.

Durante as filmagens, Ricardo percebeu que era preciso mudar não só a situação da Baía, mas dos oceanos como um todo, que sofrem com despejo de esgoto, o aquecimento global, a acidificação oceânica e a poluição.

Reverter esta situação dos mares e oceanos globalmente é uma questão de direitos humanos, pois envolve a qualidade de vida da população, que muitas vezes depende do mar como fonte de renda ou para segurança alimentar. Para isso, aponta mudanças no consumo como essenciais.

“É hora de começar a pensar em parar de consumir sacola de plástico, mas parar também com várias outras coisas. Parar de consumir espécies de peixe que estão exploradas acima do seu limite, por exemplo. Parar com hábitos que gerem danos ao meio ambiente”, indicou.

 

Foi pensando nesta necessidade de mudança de hábitos e consumo consciente

que a empresária Fernanda Cortez lançou o movimento "Menos 1 Lixo’". Fernanda

percebeu que precisava alterar o seu estilo de vida quando assistiu a um

documentário que mostrava o impacto do lixo nos oceanos.

 

“Uma grande parte das coisas que a gente usa no dia a dia é de plástico descartável. E como a gente ainda joga muito lixo no mar e nos rios, acaba que a concentração de plástico nos oceanos hoje é uma coisa alarmante”, disse Fernanda.

Pensando em como poderia gerar menos lixo, percebeu que o copo descartável de plástico que usava quase diariamente, poderia ser facilmente substituído por uma alternativa mais sustentável. Desenvolveu, então, o copo retrátil do movimento: feito de silicone, é durável e funcional, podendo ser levado para todos os lugares.

Em um ano utilizando o copo retrátil, Fernanda economizou 1.618 copos descartáveis de plástico. Para ela, as pessoas têm que tomar mais consciência da própria responsabilidade em relação ao meio ambiente e repensar seus hábitos para diminuir a poluição.

“Às vezes a gente acha que é um pequeno gesto, mas um pequeno gesto de formiguinha de muita gente junta muda o mundo”, afirma Fernanda. 

Centro de Informação da ONU para o Brasil (UNIC Rio) realizou na semana dos oceanos, o AquaRio, campanha de conscientização sobre as ameaças à biodiversidade marinha. Mostrou para o público do Rio de Janeiro e turistas, o que pode ser feito para proteger os mares da poluição, sobretudo do plástico.

 

Até 2050, os mares terão mais pedaços do material do que peixes, e 99% das aves marinhas

terão ingerido esse tipo de resíduo. Por trás dos custos da poluição, existem vidas humanas

e animais colocadas em risco. “Do ponto de vista da fauna, a situação é um desastre. A cada

ano, mas de 1 milhão de pássaros morrem por causa da contaminação dos oceanos e (também)

mais de 100 mil mamíferos”.

 

“Os oceanos também são uma fonte indispensável para a subsistência de milhões de pessoas”, acrescentou o dirigente, que lembrou da situação de pescadores, comerciantes marítimos e operadores de turismo que perdem oportunidades de crescimento econômico por causa da degradação dos ecossistemas.

A bióloga e gerente de Educação do AquaRio, Catarina Paes Bijalba, explicou ainda que o plástico, além de não ser biodegradável, é um material capaz de se fragmentar em micropartículas que ameaçam também os humanos. “Essas partículas pequenininhas acabam sendo ingeridas pelos animais e poluindo até as cadeias alimentares, que alcançam a nós mesmos”.

Conhecer para amar e conservar

Catarina enfatizou que ações individuais podem fazer a diferença na luta contra a poluição. Populações vivendo em cidades litorâneas devem estar atentas na hora de frequentar praias. “Levar nossa própria sacola, retirar nosso próprio resíduo, ações de limpeza de praia também são muito importantes”, afirmou.

Para a gestora, a educação ambiental é fundamental para “reduzir a lacuna que existe entre as pessoas e o ambiente marinho”. “Para a gente conservar, a gente precisa ter uma identificação com a questão e a gente só vai conservar o que a gente ama”, declarou.

O presidente do AquaRio, Marcelo Szpilman, lembrou que, em média, plásticos levam no mínimo de 80 a 100 anos para se decompor — alguns materiais levam bem mais tempo do que isso.

“Peixes e aves têm naturalmente o instinto de bicar e comer as coisas que estão disponíveis e que normalmente seriam comestíveis. Comendo plástico, ele (o animal) acaba ficando com o estômago cheio. Ele passa a ter fome, mas não consegue se alimentar e morre de inanição”, explicou.

 

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