30/06/2018 (21:39)

Cigarro dá prejuizo anual de US$ 1,4 trilhão e mata 7 milhões

Mais de 7 milhões de mortos e prejuízos de US$ 1,4 trilhão. Estes são os trágicos números do tabagismo pelo mundo, conforme revelaram os técnicos da OMS (Organização Mundial da Saúde) em Genebra, na passagem do Dia Mundial Sem Tabaco, sempre lembrado em 31 de maio. No Brasil morrem 150 mil pessoas por causa da ação negativa do fumo.

 

Além das 7 milhões de vítimas, a OMS cita os pacientes com múltiplas doenças decorrenteds da prática e cita perdas de produtividade no trabalho, despesas de saúde associadas que elevam a conta a US$ 1,4 trilhão anuais. Em 2017, o hábito de fumar tem impacto sobre o meio ambiente pelo abandono diário de 10 bilhões de bitucas. Há ainda as desigualdades de renda e consequente prejuízo sobre o desenvolvimento socioeconômico.

Danos à economia brasileira são consideráveis e estão na ordem de R$ 56,8 bilhões anuais. Do total R$ 39 bilhões são contabilizados pelas despesas com internamento hospitalar e cuidados de saúde. O saldo é atribuido aos prejuízos com a seguridade social e no sistema empresarial. Campanhas têm contribuido para que o País tiuvesse conseguido reduzir em 35% o número de fumantes nos últimos anos. Mas ainda há 19 milhões que não conseguem largar o vício. Em Curitiba, região sul, está o centro urbano com maior número de fumantes.

 

Informa a OMS que os resíduos do tabaco contêm mais de 7 mil substâncias

químicas tóxicas que contaminam a natureza, sendo algumas delas cancerígenas

para humanos. Cerca de 10 bilhões — dos 15 bilhões de cigarros vendidos

diariamente no mundo — são descartados no meio ambiente. As bitucas representam

de 30% a 40% de todos os objetos coletados nas atividades de limpeza costeira e urbana.

 

“O tabaco ameaça a todos nós”, afirmou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, no Dia Mundial. “O tabaco acentua a pobreza, reduz a produtividade econômica, afeta negativamente a escolha de alimentos consumidos pelas famílias e polui o ar de ambientes fechados.”

Cerca de 860 milhões de fumantes adultos vivem em países de baixa e média renda. Vários estudos demonstraram que, nas residências mais pobres, os gastos com cigarros e produtos afins geralmente representam mais de 10% das despesas domésticas totais – o que significa menos dinheiro para alimentação, educação e cuidados de saúde.

O cultivo do tabaco contribui para tirar as crianças da escola, aponta a OMS. De 10% a 14% dos meninos e meninas de famílias que cultivam tabaco faltam aula por causa do trabalho nas plantações. Outro dado relevante é a composição dessa mão de obra rural por gênero: de 60% a 70% dos trabalhadores agrícolas empregados pela produção de tabaco são mulheres. Segundo a OMS, essas profissionais estão diretamente expostas a produtos perigosos.

 

A agência da ONU lembrou ainda que o fumo está por trás de 16% das

4,8 milhões de mortes provocadas por doenças não transmissíveis (DNTs)

problemas de saúde como doenças cardiovasculares, câncer, diabetes

e problemas respiratórios crônicos.

Impostos e proibição de propaganda

Para a OMS, a taxação específica de produtos ligados ao consumo do tabaco é uma das ferramentas mais eficientes para combater o fumo.

“Muitos governos estão agindo contra o tabaco, proibindo a propaganda e o marketing, a introdução de embalagens neutras para produtos de tabaco e a proibição de fumar em lugares públicos fechados e locais de trabalho”, explicou o subdiretor-geral da OMS para DNTs e Saúde Mental, Oleg Chestnov. “No entanto, uma das medidas de controle do tabaco menos utilizadas, mas ao mesmo tempo mais eficazes, é a aplicação de políticas tributárias e de preços, que os países podem aplicar para satisfazer suas necessidade de desenvolvimento.”

 

Os governos coletam cerca de US$ 270 bilhões em receitas de impostos

especiais sobre o consumo de tabaco a cada ano, uma cifra que poderia

aumentar em mais de 50%, com um aumento simples de 0,80 centavos

de dólar por pacote, equivalente a um dólar internacional.

Os ganhos adicionais seriam de 141 bilhões de dólares.

Na visão da OMS, a medida ajudaria a mobilizar recursos domésticos, criando o espaço fiscal necessário para que os países atinjam as prioridades de desenvolvimento da Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.

Prêmio à Colômbia, Peru e Equador

Colômbia, Peru e Equador, receberam da Organização Mundial da Saúde (OMS) o Prêmio do Dia Mundial Sem Tabaco 2017. Foi em reconhecimento às ações dos governos dos 3 países para combater o tabagismo.

O Congresso colombiano aprovou em dezembro em 2016 um aumento de 100% no imposto sobre o consumo de cigarros. Com a nova legislação, autoridades esperam que a taxação passe de 49% para mais de 60% do preço dos produtos. Também é esperado um aumento de 33% no valor das vendas a varejo. A medida inclui ainda um novo acréscimo de imposto de 50% para 2018 e um ajuste anual acima do Índice de Preços ao Consumidor (IPC).

As mudanças são fruto da articulação entre os Ministérios da Saúde e Proteção Social, das Finanças e Crédito Público e da Vigilância Cidadã para o Controle de Tabaco. As três pastas serão premiadas pela OMS.

No Equador, a Receita Federal deu início em 2014 à implementação do Sistema de identificação, marcação, autenticação, monitoramento e rastreamento fiscal (SIMAR) para cigarros, cervejas e bebidas alcoólicas de fabricação nacional. Esses produtos são taxados pelo Imposto sobre Consumos Especiais.

A iniciativa do organismo fiscal foi concebida para aplicar as recomendações do Protocolo para a Eliminação do Comércio Ilícito de Produtos do Tabaco. Mecanismo global foi ratificado em outubro de 2015 pelo Equador, o terceiro país das Américas e um dos dez primeiros de todo o mundo a validar e adotar o documento. O SIMAR começou a funcionar em março de 2017 e se tornou um exemplo para outros países das Américas.

Já no Peru, a OMS reconhece o trabalho do Ministério da Economia e das Finanças. Em maio do ano passado, o país aprovou por decreto presidencial (112-2016-EF) um aumento de 157% no imposto especial sobre cigarros. Com o incremento, a nação conseguiu reverter concretamente uma tendência de queda na taxação sobre o tabaco. A proporção entre imposto e preço passou de 38%, em 2014, para cerca de 50% em 2016.

De acordo com a agência da ONU, a conquista foi o resultado de uma sólida proposta desenvolvida pela pasta das Finanças, que fez um uso eficiente das evidências científicas coletadas a nível nacional e internacional.

No Peru, 44 pessoas morrem por dia por causas atribuíveis ao tabagismo. Quando considerado o período de um ano, o número de óbitos representa 12,1% do total de mortes. Estimativas reunidas pela OMS indicam que as despesas de saúde associadas a problemas provocados pelo tabagismo chegam a 2,2 bilhões anuais de soles (moeda peruana).

Os prêmios da OMS serão entregues aos países pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

 

1 comentário para a notícia

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zair lorival luiz schuster

01/07/2018 às 19:10

A desculpa mais rotineira para quem fuma e não consegue abandonar o vicio é este:eu não consigo.Meu pai, falecido aos 94 anos, fumava 4 carteiras de cigarros/dia.Aos 50 anos, foi ao médico, pois sentia algumas pontadas no coração. Feito o exame radiológico, o médico foi enfático: o senhor está vendo esta manchinha aqui no pulmão? Pois se o senhor não abandonar o fumo, não irá muito longe. No mesmo dia,já em casa, jogou quatro pacotes de cigarros no forno, onde estava sendo assado pão. Nunca mais fumou e viveu até os 94 anos.

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