03/06/2017 (20:41)

Destruição da Mata Atlântica cresceu 57,7% em 2016

Cresceu 57,7% o desmatamento na Mata Atlântica (reserva protegida, presente em 17 estados brasileiros), de 2015 para 2016. Isso significa 29,075 hectares destruídos, muito mais do que ocorreu entre 2014 e 2015, quando foram derrubados 18.433 hectares. Informação é do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Maior agressão foi na Bahia.

 

Em território baiano a destreuição da floresta atlântica chegou a 12.288 hectares,

no período indicado pelo INPE. Aumento atingiu 207% além do registrado no

período imediatamente anterior. Municípios de Santa Cruz Cabrália e Belmonte

lideram a lista dos maiores desmatadores com 3.058 hectares e 2.119 hectares,

respectivamente. Se somados aos desmatamentos identificados em outras cidades

do Sul da Bahia, como Porto Seguro e Ilhéus, ocorreu nesta região cerca de 30%

da destruição do bioma no período.

 

Há 10 anos não se perdia uma área tão grande, observou Marcia Hirata, da SOS Mata Atlântica. “O que mais impressionou foi o enorme aumento no desmatamento no último período. Tivemos um retrocesso muito grande, com índices comparáveis aos de 2005”. No período de 2005 a 2008, a Mata Atlântica perdeu 102.938 hectares de floresta, ou seja, média anual de 34.313 hectares a menos.

“O setor produtivo voltou a avançar sobre nossas florestas, não só na Mata Atlântica, mas em todos os biomas, após as alterações realizadas no Código Florestal e o subsequente desmonte da legislação ambiental brasileira. Pode ser o início de uma nova fase de crescimento do desmatamento, o que não podemos aceitar.”

Bahia desmatou mais

Em 2015-2016, na Bahia foram destruídos 3.997 hectares de vegetação nativa. “Essa região é a mais rica do Brasil em biodiversidade e tem grande potencial para o turismo. Estamos destruindo um patrimônio que poderia gerar desenvolvimento, trabalho e renda para o estado”. Segundo o diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, a situação é gravíssima e indica uma reversão na tendência de queda do desmatamento registrada nos últimos anos.

Minas Gerais aparece em segundo lugar no ranking, com 7.410 hectares desmatados. Os principais pontos de desflorestamento ocorreram nos municípios de Águas Vermelhas (753 hectares), São João do Paraíso (573 hectares) e Jequitinhonha (450 hectares). Segundo os dados da SOS Mata Atlântica e do Inpe, a região é reconhecida pelos processos de destruição de vegetação nativa para produção de carvão ou pela conversão da floresta por plantios de eucalipto. Minas liderou o desmatamento em sete das últimas nove edições do Atlas da Mata Atlântica.

No Paraná, o desmatamento do bioma passou de 1.988 hectares entre 2014 e 2015 para 3.545 hectares entre 2015-2016, o que representa aumento de 74%. Este foi o segundo ano seguido de crescimento do desmate no estado. Segundo o relatório, a destruição está concentrada na região das araucárias, espécie ameaçada de extinção, com apenas 3% de florestas remanescentes.

No Piauí, pelo quarto ano consecutivo os maiores desmatamentos ocorreram nos municípios de Manoel Emídio (1.281 hectares), Canto do Buriti (641 hectares) e Alvorada do Gurguéia (625 hectares), todos próximos ao Parque Nacional Serra das Confusões.

 

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