05/04/2017 (22:03)

Fazendeiro é condenado por escravizar trabalhadores

Sete anos e meio de reclusão, é a pena dada ao fazendeiro Jairo Alves de Barros Filho, que manteve 30 trabalhadores sob escravidão, na fazenda que tem em Valença, lado sul do Rio de Janeiro. Sentença foi assinada pela juíza federal de Barra do Piraí, Caroline Vieira Figueiredo, da 1ª seção judiciária. Atende denúncia do Ministério Público Federal.

 

Foi o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marques de Valença que apontou as ilicitudes do responsável pela empresa Inagro Agricultura Pecuária e dono da fazenda São Fernando. Acusação é de ter aliciado aproximadamente os trabalhadores residentes em Ibaiti (PR). Ao se negarem a fazer o serviço não contratado, os trabalhadores foram impedidos de deixar a fazenda até que pagassem o valor de R$ 2.800. Valor é o custo alegado pelo fazendeiro para o transporte entre o Paraná e a fazenda no Rio de Janeiro.

Todos os trabalhadores eram do Paraná e foram trazidos ao Rio de Janeiro com proposta de remuneração acima do que era pago na região de origem. Quando chegaram no cafezal, entretanto, tiveram conhecimento de que, além do serviço de colheita, teriam que fazer outras atividades, como limpeza e capina, sem receber a devida remuneração por esse acréscimo de trabalho.

 

Denúncia

Na denúncia, o MPF relatou que os trabalhadores chegaram a passar fome.

“Os mantimentos fornecidos eram insuficientes, sendo os trabalhadores

mantidos em situação de precariedade, alojados em locais que não forneciam

condições mínimas de saúde e higiene, além de não lhes ter sido fornecida a

possibilidade de retorno à sua cidade de origem", informaram os procuradores de Justiça.

 

Uma inspeção realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-RJ) apresentou fotos que mostraram um quadro de precariedade nas condições oferecidas aos trabalhadores e suas famílias, inclusive crianças bem pequenas. No relatório, os auditores fiscais do Trabalho esclareceram que compareceram à Fazenda São Fernando acompanhados da Polícia Federal e realizaram vistoria no local e entrevista com os trabalhadores, ocasião em que puderam constatar as condições precárias do local.

“Eles estavam em casebres não abastecidos por água potável e com a energia elétrica desligada. Nas instalações em que os trabalhadores ficavam não tinha nenhum tipo de cama, nenhum tipo de higiene, apenas folhas de bananeira no chão. As crianças já estavam com bastante debilidade física, porque já não tinha comida há vários dias”, informaram os fiscais do trabalho no relatório entregue à Justiça.

 

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