31/03/2017 (22:15)

Para economista reforma previdenciária como está vai gerar crise

Estagnação econômica é o que espera o Brasil, se os parlamentares aprovarem o projeto de reforma da previdência, tal como está colocado no parlamento pelo Governo. Opinião é de Marcio Pochmann, professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Participou em Brasília da última audiência pública que discutiu o tema na Câmara Federal.

 

Agora só falta o relatório do deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA). A reforma

da Previdência (PEC 287/16) poderá levar o País à estagnação econômica, disse

o economista. Entende que do jeito que está a reforma vai reduzir os gastos sociais

do Governo. Falou que, como esses gastos representam 23% do Produto Interno

Bruto (PIB) e têm efeito multiplicador sobre a economia, o crescimento será

afetado e o País terá dificuldade de combater o desequilíbrio fiscal.

 

“Não há saída para o deficit com redução de gastos. Não me parece que a saída será a forma como está sendo encaminhada a reforma da Previdência, pois podemos ter um tiro no pé, na medida em que pode induzir a queda da arrecadação”, disse o economista, que presidiu o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) entre 2007 e 2012.

“Se viermos a comprometer o gasto social, o Brasil pode entrar num ciclo de longa duração de estagnação, e não sai da recessão”, declarou Marcio Pochmann.

Um dos argumentos do Governo para propor as mudanças na Previdência é reduzir o desequilíbrio fiscal da União, que convive há 3 anos com deficits primários crescentes. Para 2017, a previsão é de novo deficit.

Desemprego


Para Pochmann, a redução dos benefícios previdenciários e assistenciais vai forçar os trabalhadores a manterem-se empregados ou buscar novos empregos para complementar a renda, elevando a taxa de desemprego. A previsão dele é que a reforma poderá levar a taxa para um patamar de até 25%. Segundo o IBGE, a taxa atingiu 11,5% em 2016.

Com mais gente desempregada, a massa salarial da economia se reduzirá, diminuindo, também a arrecadação previdenciária. “Quando você torna mais difícil a pessoa se aposentar, desestimula o trabalho formal, desestimula a contribuição para a Previdência”, disse. Para o economista, o saldo da reforma será mais pobreza e menos crescimento.

Crise fiscal


A afirmação de Pochmann foi rebatida por parlamentares favoráveis a mudanças na Previdência. Para o 1º vice-presidente da comissão especial, deputado Marcus Pestana (PSDB-MG), a Previdência brasileira possui um deficit elevado que, se não for combatido, poderá piorar a situação das contas públicas e da economia.

“Se não tiver o ajuste, e a Previdência é parte central nisso, vamos novamente empurrar o Brasil para a beira do abismo. Teremos o aumento do desemprego e da recessão e vamos destruir qualquer retomada do desenvolvimento sustentável”, disse.

Pestana criticou ainda quem afirma que a Previdência não possui deficit. Segundo ele, os três conceitos que podem ser usados para medir as contas do sistema (orçamentário, contábil e atuarial) indicam “deficit relevante”.

Já o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) disse que a reforma vai preparar o País para a retomada do crescimento. “A reforma é muito boa para quem for governar o Brasil a partir de janeiro de 2019: vai encontrar um Brasil em melhores condições para crescer”, disse.

Oposição é contra


Contrária à PEC 287, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) concordou com Marcio Pochmann e disse que a saída para a crise econômica e fiscal é o investimento público, principalmente na área social. “A saída é a economia, não é mudança da regra da cobertura dos gastos sociais. A gente tem falado isso aqui”.

Para o deputado Pepe Vargas (PT-RS), a mudança nas regras previdenciárias só deveria ser discutida em momentos de crescimento econômico e não agora, quando o País passa por uma recessão. “Em um ambiente de crescimento econômico, de distribuição de renda, em um ambiente mais favorável, poderíamos discutir aumento da idade média [de se aposentar]. Mas não é o que está acontecendo agora”, criticou.

 

 

Seja o primeiro a comentar esta notícia.

Comente esta notícia 

 

5UrPT7