03/06/2017 (20:40)

Mudança climática mais forte em 2017. Calor aumentou 1,1º em 2016

temperaturas globais atingiram 1,1º Celsius acima do período pré-industrial, o nível do mar global alcançou recordes e a cobertura de gelo do planeta caiu mais de 4 milhões de quilômetros quadrados abaixo da média em novembro. É o que diz o relatório sobre o estado geral do clima em 2016. Advertência do tempo é o degelo nos polos maior na Antártica

 

O degelo do mar da Antártida está em um nível recorde, em contraste com a tendência nos últimos anos. Algumas áreas, incluindo o Canadá e grande parte dos EUA, eram extraordinariamente amenas, enquanto outras, incluindo partes da península arábica e do norte da África, registraram temperaturas muito baixas no início de 2017.

As temperaturas globais fixaram mais um recorde no ano passado, e o mundo testemunhou o degelo marinho, o aumento do nível do mar e o calor oceânico.

A informação é da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que alertou nessa semana (21) que o ano de 2016 bateu todos os recordes de temperatura e 2017 segue a mesma tendência.

De acordo com a declaração da agência sobre o estado global do clima em 2016, as temperaturas globais atingiram 1,1º Celsius acima do período pré-industrial, o nível do mar global alcançou recordes e a cobertura de gelo do planeta caiu mais de 4 milhões de quilômetros quadrados abaixo da média em novembro.

“Este aumento da temperatura global é consistente com outras mudanças que ocorrem no sistema climático”, explicou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.

“Com níveis de dióxido de carbono na atmosfera quebrando novos recordes, a influência das atividades humanas sobre o sistema climático se tornou cada vez mais evidente”, continuou.

 

Cada ano – desde 2001 – tem estado pelo menos 0,4°C acima da média

registrada entre 1961 e 1990. O aquecimento registrado em 2016 foi

impulsionado ainda mais pelo fenômeno meteorológico El Niño (2015/2016),

que também contribuiu para o aumentou do nível global do mar.

 

Da mesma forma, os níveis de dióxido de carbono na atmosfera atingiram o valor de referência simbólico de 400 partes por milhão em 2015 – e, segundo a OMM, não cairão desse nível tão cedo devido à natureza duradoura do CO2.

As condições climáticas extremas também contribuíram para o sofrimento humano. O ano de 2016 viu secas severas, afetando milhões no sul e leste da África e na América Central. No Caribe, por exemplo, o furacão Matthew destruiu o Haiti e provocou perdas econômicas significativas na região.

Em meio a esses desafios, Taalas sublinhou a importância da implementação do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, que entrou em vigor no ano passado.

“A entrada em vigor do Acordo de Paris em 4 de novembro de 2016 representa um marco histórico”, disse ele. “É vital que sua implementação se torne uma realidade e que o Acordo guie a comunidade global para lidar com as mudanças climáticas, promovendo a resiliência climática e integrando a adaptação climática às políticas nacionais de desenvolvimento.”

Ele também pediu investimentos contínuos em pesquisas e observações climáticas para permitir que o conhecimento científico acompanhe o ritmo das mudanças do clima.

2017 mantém a mesma tendência

De acordo com a OMM, o Ártico registrou três ondas de calor,

com poderosas tempestades vindas do Atlântico e trazendo

umidade. Durante o auge do inverno no Polo Norte, alguns

dias tiveram temperaturas próximas do degelo.

 

O degelo do mar da Antártida também está em um nível recorde, em contraste com a tendência nos últimos anos. Algumas áreas, incluindo o Canadá e grande parte dos Estados Unidos, eram extraordinariamente amenas, enquanto outras, incluindo partes da península arábica e do norte da África, registraram temperaturas muito baixas no início de 2017.

Somente nos Estados Unidos, 11.743 recordes de temperatura quente foram quebrados em fevereiro, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA, disse a agência da ONU.

Aquecimento vai liberar muito carbono

O aumento das temperaturas pode liberar quantidades consideráveis de carbono presas no solo da Terra, informou ontem a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), alertando que a gestão do solo pode melhorar ou quebrar os esforços de resposta às mudanças climáticas.

 

A FAO explicou que plantas e resíduos orgânicos absorvem

carbono e, em seguida, o liberam no solo, criando um vasto

reservatório de carbono. Mas quando o solo é degradado, o

carbono aprisionado e outros gases de efeito estufa resultantes

da degradação são liberados na atmosfera.

 

“Isso significa que o reservatório de carbono do solo da Terra pode liberar quantidades maciças de gases de efeito estufa na atmosfera ou segurá-los, dependendo das decisões de gestão que fizermos daqui para frente”, afirmou a agência.

O diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, disse que, para além do papel como sumidouros de carbono, solos saudáveis são ainda a base da segurança alimentar global.

“Os solos com alto teor de carbono orgânico provavelmente serão mais férteis e produtivos, mais capazes de purificar a água e ajudarão a aumentar a resiliência dos meios de subsistência aos impactos das mudanças climáticas”, frisou.

A agência da ONU informou que melhorar a saúde dos solos do planeta e aumentar o seu conteúdo de carbono orgânico é fundamental para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), incluindo os relacionados com a erradicação da fome e da desnutrição.

 

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