20/03/2017 (18:36)

Governo esqueceu a prioridade do mercado interno de carnes

Preocupados mais com a repercussão internacional que poderá levar a prejuízos de mais de R$ 5 bilhões, as autoridades brasileiras reagiram tarde em atender o cliente interno que representa 80% do consumo de carnes. Michel Temer, o presidente brasileiro, levou representantes para comer churrasco num ambiente que pratica o melhor dos produtos.

 

No momento desesperador da falta de governança do passado que ameaça se perpetuar no presente, falando-se de inspeção de produtos destinados à alimentação, prioritários são os nacionais! Passados 4 dias do anúncio das falsidades, só então é que se cuidou de ir aos estabelecimentos que comercializam carnes e derivados. O que os fiscais da vigilância sanitária coletaram no Rio de Janeiro e imediatamente anunciaram, prova que teria sido mais urgente que as operações se dessem na mesma sexta-feira (170317).

 

Lá fora o mal já está feito e todos do Governo  bem como os industriais, já sabiam o que iria acontecer. União Europeia, China, Coreia do Sul, Chile, EUA, todos os principais importadores decidiram interromper as compras. Governantes se apressaram em reafirmar que o sistema de fiscalização (SIF) é seguro e competente. Não é hora de se defender assim, porque as falsificações mostram o contrário. Também não é próprio acusar a Polícia Federal pelo anúncio espetacular. Porque do jeito que anda a corrupção institucional no País, o Ministério Público e a Polícia Federal nunca iriam conseguir chegar a esse resultado.

 

"Endurecer negociação com o Chile"! É outra ameaça incabível que saiu da boca do ministro da Agricultura, Blairo Maggi, porque os vizinhos importadores de carne estão no direito de contestar. E a mesma autoridade confessou que não há habilidade, ao dizer que só em 3 semanas será possível conhecer a realidade da falsificação na indústria e no comércio.

 

Quando as vigilâncias sanitárias dos municípios encerrarem, como estão fazendo os inspetores no Rio de Janeiro, muitos governantes terão de desinflar o peitoral e desempostar mais a voz. Há carne estragada que historicamente é vendida nas prateleiras dos supermercados e outros estabelecimentos; há produtos falsificados e mal preparados; assim como já se constatou, mal conservados. Infelizmente o que o Presidente Michel Temer chama de sistema qualificado de inspeção, não é tanto assim.

 

Consumidor continua sendo o eterno esquecido.

 

Imediatamente seria preciso sair em público e colocar fartamente indicações de como reconhecer os produtos falsificados. Cor, textura e cheiro (odor), são itens importantes a observar quando se vai adquirir carne. Outra dificuldade a ser esclarecida: qual o motivo de estarem vendendo cada vez mais, peças embaladas que muitas vezes ficam além do tempo expostas à venda? E quais os riscos do uso de químicos para conservação e embelezamento? Segundo os técnicos, esses ardis não fazem tanto mal à saúde, mas podem mascarar a falta de condições do produto.

 

Mais uma vez os brasileiros devem muito ao Ministério Público, à Polícia Federal que desmascarou a farsa e à imprensa que oferece o dia inteiro, instruções como reconhecer produtos de boa qualidade e o que fazer diante de problemas. Seria a tarefa do "serviço público", que ao contrário do que diz o Presidente, está em falta com os cidadãos.

 

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