07/03/2017 (20:10)

Trabalho doméstico sem salário ocupa 39% das mulheres no mundo

Cozinhar, limpar a casa, cuidar de crianças e idosos, são tarefas comuns que a mulher desempenha em todo o mundo, sem contudo receber qualquer pagamento. Calculam os técnicos que essa atuação tem significado econômico importante e assume "mais peso" que o da indústria da manufatura ou do comércio, igual até 39% do PIB dos países.

 

“O trabalho de cuidado não remunerado e o trabalho doméstico suprem carências em matéria de serviços públicos e infraestrutura, e são realizados majoritariamente por mulheres”, disse a ONU Mulheres. “São uma carga e uma barreira injustas para a igualdade de participação no mercado de trabalho e na igualdade de remuneração.”

 

Por isso entende que é necessário adotar políticas que permitam

reduzir e redistribuir o trabalho doméstico não remunerado, por

exemplo, mediante o aumento de empregos remunerados na

economia de cuidado e incentivar os homens a dividir o

trabalho de cuidado e o trabalho doméstico.

 

Além disso, é preciso investir em infraestruturas básicas como fornecimento de água, eletricidade, transporte e outros com o objetivo de reduzir o trabalho doméstico.

A entidade lembrou ainda que, mesmo quando empregadas, as mulheres continuam ganhando menos que os homens, e permanecem sustentando o peso do trabalho de cuidado não remunerado e do trabalho doméstico.

“Alcançar o empoderamento econômico das mulheres requer uma mudança para dividir a prosperidade de forma equitativa, sem deixar ninguém para trás. A comunidade internacional assumiu esse compromisso na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.”

Segundo a entidade, todas as mulheres deveriam poder desfrutar o seu direito a um emprego decente.

 

Combate à discriminação

A agência da ONU lembrou ainda que a tecnologia e a ecologização

das economias trazem novas oportunidades de trabalho para as

mulheres. No entanto, é necessário corrigir as disparidades, dado

que costumam ocupar mais frequentemente os empregos com baixa

remuneração e são pouco representadas nos postos de direção,

assim como nos setores de ciência e tecnologia.

 

Segundo a ONU Mulheres, metade da população economicamente ativa do mundo trabalha no setor de serviços, majoritariamente mulheres. Essa proporção alcança 77% da Ásia Oriental.

“As barreiras de gênero no trabalho estão enraizadas nas leis, normas sociais e políticas discriminatórias. Por exemplo, é possível que algumas políticas comerciais sirvam para explorar a mão de obra feminina barata. As políticas fiscais, muitas vezes, impõem limite de gasto com serviços que poderiam ajudar as mulheres a obter maior equilíbrio entre trabalho e família”, disse a entidade.

Segundo a ONU Mulheres, é necessário adotar medidas políticas em caráter de urgência, para eliminar as barreiras que discriminam as trabalhadoras, além de propor educação e capacitação para elas, de forma a criar novas oportunidades no mundo do trabalho em constante mudança.

 

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