06/01/2017 (13:49)

Diagnóstico precoce, o segredo no tratamento do câncer

Diagnóstico precoce de tumores malignos é o que poderá beneficiar milhares de pessoas no Brasil e no mundo, diz os especialistas. Em preparativos para o Dia Nacional de Combate ao Câncer, a 27 de novembro, há um clamor para que o Governo atue mais em ações de prevenção. Estatística indica que em 2016 serão quase 500 mil casos da doença no Brasil.

 

Alertam os médicos que o Estado tem papel fundamental no combate

aos fatores externos causadores de câncer. Deve atuar contra o

tabagismo, alcoolismo, poluição, hábitos alimentares e sexuais.

Contudo precisa o Estado, melhorar o diagnóstico precoce de tumores malignos.

“Um milímetro, 2 milímetros, isso faz uma diferença grande em alguns tipos de tumores”, observou o deputado Antônio Jácome (PTN-RN), que sugeriu o debate sobre o tratamento do câncer no Brasil, durante sessão na Câmara Federal, em Brasília.

Com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), lembrou que entre 80% e 90% dos casos de câncer são causados por algum fator externo evitável. Em 2016, disse ainda, as projeções apontam para a ocorrência de quase meio milhão de novos casos dos diversos tipos de câncer na população brasileira. Dados do Inca indicam, por exemplo, a incidência de 61,2 mil novos casos de câncer de próstata neste ano e 57,9 mil de mama.

“O Ministério da Saúde aponta que em 2020 o câncer

será a principal causa de morte no Brasil, revelando a

importância de promover campanhas educativas e preventivas”.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, leu mensagem do deputado Jácome e também defendeu a prevenção do câncer, com o mesmo argumento de que muitos podem ser evitados a partir da mudança de hábitos. “O governo precisa de políticas públicas de combate à obesidade, ao fumo, ao sedentarismo. O Estado deve disponibilizar sistematicamente informações sobre situações de risco”.

A necessidade de combater a doença, segundo Antônio Jácome, se justifica ainda pelas mortes e pela angústia gerada em pacientes e familiares, mas também pelos impactos econômicos. “O câncer compromete somas de recursos para o combate à doença, provoca o afastamento das funções laborais, quando não lhes exige a aposentadoria precoce, onerando a previdência social”, listou.

Diagnóstico precoce


Outro ponto mencionado pelos deputados foi o diagnóstico precoce. Rodrigo Maia lamentou que, na rede pública de saúde, metade dos casos de câncer diagnosticados já apresentem metástase, ou seja, são diagnosticados tardiamente. “Devemos admitir as falhas do Estado e o mau funcionamento das políticas públicas de combate à neoplasia maligna”, disse Maia.

Raphael Haikel Junior, oncologista do Hospital de Câncer de Barretos (SP),

observou que o diagnóstico tardio dificulta e encarece o tratamento.

Como exemplo, ele citou o caso de uma mulher que descobre precocemente

um câncer de mama. Passará por um tratamento de 6 meses, com 95% de

chances de cura e custos de R$ 10,4 mil aos cofres públicos. Na contrapartida,

no câncer avançado, o tratamento dura 2 anos e meio, com chances de cura de 30% e custos de R$ 144 mil.

Haikel também reclamou dos altos custos para os hospitais. “Tudo tem um preço. O hospital de Barretos custa R$ 32 milhões por mês, mas temos um repasse do SUS (Sistema Único de Saúde) da ordem de R$ 15 milhões. Buscamos apoio, patrocínio, imploramos ajuda”, afirmou.

O diretor do Hospital de Câncer de Campo Grande, Carlos Alberto Coimbra, também reclamou da falta de incentivo aos hospitais especializados e pediu mais efetividade do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon), do Ministério da Saúde, lento na concessão de incentivo, segundo ele.

Antônio Jácome considerou a criação de um grupo de trabalho para rever a lei que trata do Pronon (12.715/12).

Demora no atendimento


Os participantes da comissão geral criticaram ainda a demora no início do tratamento de câncer no País. O presidente Rodrigo Maia reclamou do fato de muitas vezes um paciente só conseguir atendimento ou remédios no SUS por meio da Justiça.

A deputada Carmen Zanotto (PPS-SC) lembrou que hoje a legislação brasileira já prevê prazo de 60 dias para início do tratamento de pacientes diagnosticados com câncer no SUS.

“Por que aprazar o início do tratamento? Em algumas regiões do País,

alguns pacientes esperam até 18 meses para o início de tratamento.

Isso significa diagnóstico tardio, dificuldades e muito mais chance de

o paciente ir a óbito”, lamentou Zanotto. Para ela, o Brasil ainda é

incipiente quando se trata de câncer.

 

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