26/01/2018 (21:40)

Mudanças no clima agravam produção de alimentos no Caribe e América do Sul

Clima e agricultura da América Latina e do Caribe. sofrerão mudanças nos próximos anos. No fim do século 21 haverá grande variação no nível de precipitações na América do Sul, com mudanças heterogêneas. No Nordeste brasileiro estima-se que haverá uma redução de 22% das chuvas. Em áreas do sul-oriente sul americano, deve haver aumento de 25%.

 

Conclusões constam dos relatórios “O Estado Mundial da Agricultura e da Alimentação (SOFA, na sigla em inglês)”

e “Mudanças Climáticas e Segurança Alimentar e Nutricional da América Latina e Caribe”,

publicados pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

 

As alterações no padrão das chuvas terão importantes efeitos sobre a agricultura latino-americana e caribenha, e será cada vez mais difícil realizar colheitas, criar animais, gerir florestas e pescar nos mesmos locais e da mesma forma que anteriormente.

“Dado que a mudança climática altera os padrões das chuvas e a disponibilidade de água, a capacidade para enfrentar a escassez ou os excedentes de água será fundamental nos esforços para melhorar a produtividade de forma sustentável”.

O relatório destacou o risco de perda de superfície das florestas da região, que se transformarão em savanas, destacando que a Amazônia enfrentará risco de incêndios frequentes. Na América Central, as mudanças climáticas colocam 40% das espécies de manguezais em ameaça de extinção.

Conversão de florestas

Alertou também o documento para a crescente conversão de florestas latino-americanas e caribenhas em terras para a agricultura ou pecuária, o que representa a principal fonte de emissões de gases de efeito estufa na região.

A redução do desmatamento é a principal frente de combate às mudanças climáticas na América Latina, enquanto a pecuária e a agricultura são os setores que mais degradam as florestas da região, contribuindo para a emissão de gases do efeito estuda, segundo a organização.

As três principais fontes de emissões de gases de efeito estufa da agricultura

em 2014 na América Latina e no Caribe foram a fermentação entérica (58%).

Esse é o gás produzido nos sistemas digestivos dos ruminantes. Comntribuem

ainda o estrume deixado nas pastagens (23%) e os fertilizantes sintéticos (6%).

Por esse motivo, a FAO faz um chamado global para que os governos implementem transformações rápidas nos sistemas alimentares e agrícolas para lidar com as mudanças climáticas. A agência da ONU também recomendou avançar em estabelecer compromissos nacionais de erradicação da fome e da pobreza.

Essas transformações incluem práticas como o uso eficiente dos fertilizantes, a promoção de dietas que não estejam baseadas em produtos de origem animal, pois a produção exerce uma forte pressão sobre os recursos naturais, a redução das perdas e desperdícios de alimentos e o apoio aos pequenos agricultores.

Efeitos na agricultura

Mudanças climáticas vão afetar os cultivos e a pecuária da região de diferentes maneiras. Também se verificará maiores secas dos solos e aumento da temperatura vai reduzir a produtividade nas regiões tropicais e subtropicais.

Além disso, se espera maior salinização e desertificação em áreas áridas do Chile e do Brasil, enquanto a agricultura de sequeiro em áreas semiáridas vai enfrentar perdas de colheitas.

No estudo está o prognóstico de que as mudanças climáticas vão provocar a

diminuição da produção primária no Pacífico tropical e algumas espécies de peixes

vão se trasladar em direção ao sul. A maior frequência das tempestades,

furacões e ciclones prejudicará a aquicultura e a pesca do Caribe, e as mudanças

na temperatura podem alterar a fisiologia das espécies de peixes de água

doce e gerar o afundamento dos sistemas dos arrecifes de corais.

Ameaças à luta contra a fome

Um relatório complementar ao SOFA, denominado “Mudanças Climáticas e Segurança Alimentar e Nutricional da América Latina e Caribe”, publicado pelo Escritório Regional para América Latina e Caribe da FAO, apontou que as mudanças climáticas podem afetar as quatro dimensões da segurança alimentar e ameaçar as grandes conquistas que a região vem alcançando na luta contra a fome e a pobreza.

As mudanças climáticas podem afetar a estabilidade da segurança alimentar devido a maior incerteza em relação ao desempenho produtivo das atividades agrícolas, a renda das famílias e os preços dos alimentos.

No caso da disponibilidade, as mudanças climáticas podem afetar diretamente a produção alimentar, com a possível diminuição da quantidade física e variedade de alimentos disponíveis. Choques climáticos em grandes áreas produtoras poderiam ter severas implicações no comércio, chegando a afetar a oferta internacional de alimentos.

Além disso, as mudanças climáticas podem incidir na dimensão de acesso da segurança alimentar e nutricional, com variações bruscas da renda das famílias dependentes do setor agrícola ou no caso de uma redução da demanda de mão de obra assalariada para as tarefas agrícolas, repercutindo na capacidade de comprar alimentos.

As alterações no clima podem ainda incidir na dimensão

de utilização, gerando mudanças importantes nas dietas

da população, por uma oferta e ingestão alimentar pouco

variada e afastada de padrões alimentares saudáveis,

o que levaria a consequências negativas na nutrição.

 

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