23/06/2019 (11:51)

Idosos são mais discriminados em países de alta renda

Depressão e isolamento são as piores consequências de discriminação da pessoa idosa. Isto é o que concluiu pesquisa com 83 mil pessoas feita em 57 países por técnicos da OMS (Organização Mundial da Saúde). Estudo encontrou agravante em países de alta renda, onde se pratica "os mais baixos níveis de respeito" contra pessoas de idade avançada.

 

 

Estudo produzido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que

atitudes negativas ou discriminatórias contra idosos prejudicam a saúde física e mental

dessa população, um dado preocupante divulgado às vésperas do

Dia Internacional das Pessoas Idosas, lembrado no sábado (161001).

O estudo ouviu mais de 83 mil pessoas em 57 países, avaliando as atitudes de pessoas de todas as faixas etárias em relação aos idosos. Os mais baixos níveis de respeito foram relatados em países de alta renda, segundo a pesquisa.

“Esta análise confirma que a discriminação por idade é extremamente comum. No entanto, a maioria das pessoas desconhece completamente os estereótipos subconscientes que têm sobre pessoas idosas”, disse John Beard, diretor de envelhecimento e curso de vida da OMS. “Assim como acontece com o sexismo e o racismo, é possível mudar as normas sociais. É tempo de parar de definir as pessoas por sua idade”, completou.

Atitudes negativas sobre o envelhecimento e em relação a pessoas idosas também têm consequências significativas para a saúde física e mental dessa população. Idosos que se sentem um fardo percebem suas vidas como menos valiosas, colocando-se em risco de depressão e isolamento social, de acordo com a OMS.

Pesquisa publicada recentemente aponta que idosos que têm opiniões negativas

sobre seu próprio envelhecimento não se recuperam bem de deficiências e vivem,

em média, 7,5 anos a menos que pessoas com atitudes positivas.

Até 2025, o número de pessoas com 60 anos ou mais duplicará e, até 2050, alcançará a marca de 2 bilhões no mundo, com a maioria vivendo em países de baixa e média renda.

“A sociedade se beneficiará desse envelhecimento da população se todos nós envelhecermos de uma forma mais saudável”, disse Alana Officer, coordenadora de envelhecimento e curso de vida da OMS. “Entretanto, para fazer isso, precisamos acabar com a discriminação por idade”.

Alana acrescentou que “a discriminação por idade assume muitas formas”. “Elas incluem retratar pessoas mais velhas como frágeis, dependentes e fora de contato, ou por meio de práticas discriminatórias como racionamento dos cuidados de saúde por idade ou políticas institucionais, como a aposentadoria obrigatória em certa idade”.

 

Em mensagem para o Dia Internacional das Pessoas Idosas, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon,

pediu o fim do preconceito etário, enquanto o diretor-executivo do Fundo de

População das Nações Unidas (UNFPA), Babatunde Osotimehin,

defendeu a redução das desigualdades ao longo da vida para melhorar

as condições dessas pessoas quando chegam à terceira idade.

“O Dia Internacional das Pessoas Idosas é nossa chance de nos posicionarmos contra o problema destrutivo do preconceito etário”, disse Ban sobre a data que este ano cai no sábado (1). “Enquanto se diz que as pessoas idosas são particularmente respeitadas, a realidade mostra que muitas sociedades criam barreiras para elas, negando acesso a empregos, empréstimos e serviços básicos”, completou.

Segundo o chefe da ONU, a marginalização e a desvalorização das pessoas idosas provocam profundos estragos nas sociedades, minando sua produtividade, restringindo a capacidade dessas pessoas de apoiar financeiramente suas famílias e comunidades. “O preconceito de idade frequentemente interage com outras formas de discriminação baseada em gênero, raça, deficiência e outras, misturando e intensificando seus efeitos”, declarou.

Ban lembrou que a população global de idosos deve subir de cerca de 900 milhões em 2015 para 1,4 bilhão em 2030 e para 2,1 bilhões em 2050, quando haverá aproximadamente o mesmo número de idosos e crianças com menos de 15 anos. Nesse cenário, pediu medidas efetivas de combate à violação dos direitos humanos de pessoas idosas, e demandou uma “mudança na forma como os idosos são representados e percebidos” na sociedade. “É necessário que deixem de ser vistos como um fardo para serem apreciados por muitas contribuições positivas que dão para nossa família humana”.

“Também peço mais garantias legais (…) para evitar que o preconceito etário resulte em políticas, leis e tratamento discriminatórios”, afirmou, completando que devemos rejeitar todas as formas de preconceito etário e trabalhar para permitir que os idosos realizem seu potencial, “enquanto honramos nossa promessa de construção de uma vida de dignidade e direitos humanos para todos”.

Envelhecimento da população

Para o diretor-executivo do UNFPA, Babatunde Osotimehin, o envelhecimento populacional é uma das tendências mais significativas do século 21, representando tanto um motivo de comemoração como um desafio. “Para garantir que o bem-estar de todos melhore ao longo dessa mudança demográfica, mais esforços são necessários para minimizar as desigualdades durante a vida e melhorar as condições dos mais velhos”, disse.

Segundo ele, a maior parte do crescimento projetado da população idosa para os próximos anos deve ocorrer nos países em desenvolvimento. A Ásia abriga mais da metade da população mundial de 901 milhões de idosos, com 508 milhões de pessoas acima de 60 anos. Outros 177 milhões de idosos moram na Europa, 75 milhões na América do Norte, 71 milhões na América Latina e no Caribe, 64 milhões na África e 6 milhões na Oceania.

“O envelhecimento da população pode potencialmente ser uma força socialmente perturbadora,

enquanto as desigualdades sociais tendem a ser ampliadas na terceira idade”,

disse o chefe do UNFPA, completando que os homens mais velhos recebem, em média,

68% mais que as mulheres, por terem mais tempo de emprego formal e salários mais altos.

“Esse fato é particularmente importante tendo em vista que a população idosa

é formada predominantemente por mulheres”.

Para o chefe do UNFPA, os esforços de redução das desigualdades começam na infância, com partos seguros, e continuam com uma boa nutrição infantil e escolas excelentes. “Demandam garantir que a saúde sexual e reprodutiva e os direitos sejam universais, que a igualdade de gênero seja garantida, que a proteção social e a segurança de renda se estenda às pessoas idosas, e que a saúde seja transferida às gerações mais jovens”, salientou.

A agência da ONU também destacou que a discriminação etária no local de trabalho pode ser uma crescente preocupação em países onde a expectativa de vida e a boa saúde encorajam os mais velhos a se manter trabalhando, especialmente se o desemprego entre os jovens for alto.

“As sociedades precisam alterar suas expectativas sobre a idade natural de aposentadoria, assim como sobre o papel público e privado dos idosos, enquanto eles permanecem cada vez mais ativos”, declarou. “O envelhecimento populacional é uma força transformadora em todos os países que irá testar as estruturas existentes de nossas economias, lares e sociedades. Trabalhemos juntos para garantir que todas as pessoas possam envelhecer com dignidade e aproveitar uma vida de contribuição, integração e bem-estar.”

 

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