15/09/2016 (21:27)

Reitor denuncia fechamento de 40 mil escolas no campo em 15 anos

Abandono da educação no campo e desatenção às necessidades dos estudantes, como inexistência de rede de água e esgoto e de internet. São denúncias tornadas públicas pelo reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Roberto Leher, em audiência pública na Câmara Federal. Pior ainda é a informação de que 40 mil escolas foram fechadas no Brasil.

 

Colaborador do Fórum Nacional de Educação do Campo, Leher apontou ainda que as escolas existentes têm muitos problemas de infraestrutura, como falta de água e de esgoto. “Das escolas do campo que hoje temos no Brasil, só 15% têm acesso à rede de internet”.

Considera fundamental discutir o modelo de “municipalização” das escolas. O modelo de financiamento da educação atual, por meio do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), baseia-se no número de estudantes, por isso, as escolas rurais com poucos alunos, estão sendo fechadas. Reitor afirma que a obrigação de manter essas escolas tem de ser da União, por meio de programas federais.

Autor do requerimento da audiência, o presidente da comissão, deputado Padre João (PT-MG), indicou as dificuldades enfrentadas pelos alunos do meio rural, como a distância das escolas.

“Existem comunidades em determinados municípios que estão

a 100 quilômetros da escola, por estradas de chão, que não são

bem conservadas. Por isso, que o índice de analfabetismo rural

é altíssimo, vergonhoso”, completou.

Segundo o professor Roberto Leher, nas áreas rurais brasileiras,

a taxa de analfabetismo ainda é de 21% da população.

Especificidades


Diversos debatedores defenderam que os currículos das escolas do campo atendam às especificidades dos alunos e das famílias.

O representante da Rede CEFFAs (Centros Familiares de Formação por Alternância), Joel Duarte Benísio, foi um dos que fez a defesa. Ele salientou a “perspectiva revolucionária da pedagogia da alternância”. Trata-se de um processo de formação que articula períodos de vivência no meio escolar e no meio familiar, alternando a formação técnica na propriedade com a formação teórica geral na escola. A ideia é que haja, além das disciplinas básicas e obrigatórias, uma preparação para a vida associativa e comunitária.

Para o secretário de Políticas Sociais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), José Gonçalves, a educação no campo deve ser diferenciada e contextualizada. Ela deve levar em conta, por exemplo, a questão da produção de alimentos e da preservação das riquezas naturais do País.

Críticas ao governo


Outros participantes no debate apontaram retrocessos na área de educação no governo Michel Temer, como a representante do Fórum Nacional de Educação do Campo, Clarice Campo.

Ela pediu engajamento dos trabalhadores na campanha “Educação é direito, não é mercadoria” e para lutar contra a aprovação da PEC do Teto de Gastos Públicos (PEC 241/16), contra o projeto de renegociação das dívidas dos estados (PLP 257/16) e contra as reformas trabalhista e previdenciária.

Além disso, ela pediu luta para a manutenção de orçamento para o Programa de Bolsa Permanência – programa de concessão de auxílio financeiro a estudantes matriculados em instituições federais de ensino superior em situação de vulnerabilidade socioeconômica e para estudantes indígenas e quilombolas. E ainda para assegurar o financiamento dos programas de alternância nas universidades.

 

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