12/10/2018 (19:50)

Conflitos obrigam 50 milhões de crianças a deixar os lares

Das 50 milhões de crianças obrigadas a sair de casa por conflitos internos em 78 países, 28 milhões de meninos e meninas vagam pelo mundo, em busca de asilo. Enfrentam a morte em arriscadas travessias como as do Mar Mediterrâneo, a desnutrição, estupros, assassinatos, desidratação, sequestro e tráfico. Boa parte é usada como soldado nas guerras.

 

Últimos números impressionantes, são do conflito na Síria em que estão envolvidas as tropas do Governo Bashar al Assad e o grupos opositores como o Estado Islâmico. Relatório do UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância (160907) mostra que estão vagantes pelas ruas destruídas de Alepo e outras cidades, pelo menos 3,7 milhões de pequenos com menos de 5 anos de idade.

Relatório publicado refere-se às “imagens permanentes de cada criança – o pequeno

corpo de Aylan Kurdi em uma praia após o afogamento no mar, ou o rosto atordoado

e sangrento de Omran Daqneesh em uma ambulância depois da casa ter sido destruída ,

chocaram o mundo”. Assim lembrou o diretor-executivo do UNICEF, Anthony Lake.

“Mas cada imagem, cada menina ou menino, representa muitos milhões de crianças em risco ,

e isso exige que a nossa compaixão para com as crianças individualmente

seja combinada com a ação para todas as crianças”.

O relatório “Desenraizados: a crescente crise de crianças refugiadas e migrantes” , apresenta um quadro sombrio da vida e situações de milhões de crianças e famílias afetadas por conflitos violentos e outras crises, situações que fazem parecer mais seguro arriscar tudo em um viagem perigosa do que permanecer em casa.

De acordo com o relatório, cerca de 50 milhões de crianças, em todo o mundo, migraram através de ou dentro de suas fronteiras, ou foram deslocadas à força. Mais de metade desse número – 28 milhões – são meninos e meninas com menos de 18 anos que fugiram da violência e da insegurança.

Mais crianças abandonadas

Documento aponta que mais e mais crianças estão atravessando as fronteiras por conta própria. Em 2015, mais de 100 mil crianças não acompanhadas pediram asilo em 78 países, o triplo do número de 2014.

As crianças não acompanhadas estão entre aquelas com maior risco de exploração e abuso, incluindo por parte de contrabandistas e traficantes.

Em termos de distribuição geográfica, o relatório assinala que a Turquia acolhe o maior número total de refugiados recentes e, muito provavelmente, o maior número de crianças refugiadas no mundo. Em termos percentuais, o Líbano acolhe o maior número de refugiados por uma margem esmagadora: cerca de uma em cada cinco pessoas no Líbano é refugiada.

Brasil ajuda deslocados

Na região das Américas, o Brasil é o sétimo país com o maior número de migrantes (tanto emigrantes quanto imigrantes) em 2015, e o oitavo que recebeu o maior número de migrantes internacionais com menos de 18 anos.

O Brasil foi o destino de 714 mil crianças em 2015, o que não representa nem 1% de sua população total. Em contrapartida, pouco mais de 1,5 milhão de crianças deixaram o país, também em 2015, para migrar para outro país – número que ultrapassa 1% da população brasileira.

EUA, México e Canadá

Um em cada dez migrantes nas Américas é criança, sendo que 4 em cada 5 crianças migrantes vivem em apenas 3 países: Estados Unidos, México e Canadá. Estes países possuem números muito acima dos demais. No total, 6,3 milhões de crianças migrantes vivem nas Américas, o que representa um quinto do total global.

Acesse o relatório na íntegra, em inglês, clicando aqui. Saiba mais sobre o que o UNICEF está fazendo sobre o tema aqui.

 

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