Redução nas cirurgias de catarata, aumenta o perigo no trânsito
14-10-2020 22:32:50 (47 acessos)
Perito em Medicina do Trânsito e membro da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (ABRAMET), o médico de Campinas, Leôncio Queiroz Neto considera que é dobrado o risco de acidentes de trânsito, a "alarmante" redução nas cirurgias de catarata. DATASUS revelou que durante o isolamento do coronavírus, especialmente nos meses de março a agosto de 2020, foram realizadas 204 mil cirurgias de catarata. No mesmo período em 2019, foram 311 mil procedimentos pelo SUS.

A pandemia de COVID-19 provocou uma queda dramática no Brasil do número de cirurgias de catarata realizadas pelo SUS (Sistema Único de Saúde).  De março a agosto deste ano foram realizados 204 mil procedimentos contra 311 mil no mesmo período de 2019. Os dados são do DATASUS que atende a maior parte dos brasileiros.

Segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, perito em Medicina do Trânsito e membro da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (ABRAMET) o relatório do DATASUS é alarmante. Isso porque, estudos mostram que a catarata dobra o risco de acidentes no trânsito.

Além da redução nas cirurgias, parte dos motoristas está dirigindo com carteira vencida por causa da interrupção dos exames de renovação no período. Pior: O número de brasileiros com mais de 60 anos esta aumentando e a maior causa da doença é o envelhecimento. Outras causas elencadas pelo oftalmologista são o uso permanente de corticoide, alta miopia, diabetes e traumas oculares.

Sintomas

Queiroz Neto afirma que a catarata torna opaco o cristalino, que é a lente natural do olho. Quanto mais progride, menor a agilidade na direção. Razão disso é que a visão responde por 85% da integração com o meio ambiente e, portanto, está diretamente relacionada ao reflexo no trânsito que se vai perdendo conforme a idade avança. 

Não por acaso, a última pesquisa nacional de saúde, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para o Ministério da Saúde, mostra que entre 60 e 64 anos 6,8% dos brasileiros afirmam ter alguma dificuldade para dirigir. Dos 65 aos 70 anos, 12,2% e aos 75 anos ou mais chega a 39,2%.  Os principais sinais de alerta que indicam catarata são:

  • Mudança frequente do grau dos óculos.
  • Perda da visão de contraste.
  • Diminuição da visão de profundidade
  • Visão de halos ao redor da luz.
  • Dificuldade de enxergar à noite ou em ambientes escuros.
  • Aumento da fotofobia (aversão à luz) a ponto de gerar cegueira momentânea causada por faróis contra.

Diagnóstico

O oftalmologista afirma que o diagnóstico de catarata é feito em uma consulta oftalmológica de rotina. A maioria das pessoas nem desconfia ter a doença logo no início porque a visão não sofre alterações perceptíveis. Por isso, é comum a cirurgia só acontecer depois de meses e em alguns casos mais de um ano após o diagnóstico. 

Médico ressalta que o momento certo de operar é quando começa ficar difícil realizar tarefas cotidianas como trabalhar no computador ou ler placas de trânsito. Esperar a catarata madurar torna a cirurgia mais perigosa. “A catarata muito madura impede a  visualização do fundo do olho e a chance de lesão na capsula do cristalino onde é mplantada a lente intraocular.

A cirurgia

A cirurgia é ambulatorial e feita com anestesia local. Queiroz Neto explica que consiste em aspirar o cristalino opaco com ultrassom através de um pequeno corte feito no canto da íris, parte colorida do olho, e implantar uma lente intraocular no espaço do cristalino. A boa notícia é que a cirurgia hoje pode ser feita de forma personalizada. Significa que além de eliminar a opacidade, corrige vícios de refração e pequenas imperfeições.

O laser de femtosegundo tornou o procedimento maus seguro e preciso porque eliminou a imprecisão natural dos cortes manuais. Quem já teve a indicação de cirurgia não deve continuar adiando a operação por medo de contaminação pelo sar-cov-2 “Em menos de meia hora é possível resgatar a autonomia e na maioria dos casos se livrar dos óculos para corrigir miopia ou astigmatismo”, conclui.

 

Fonte: Instituto Penido Burnier SP - Eutrópia Turazzi
 

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