Educação é o que falta na formação de novos motoristas no Brasil
27-11-2019 18:48:46 (460 acessos)
As 38 mil mortes registradas em ruas e estradas do Brasil em 2018 deram sinal de alerta entre parlamentares, representantes do governo e autoescolas, para a qualidade da formação dos motoristas. Acidentes são a principal causa de afastamento do trabalho e respondem por 60% da ocupação de leitos nas emergências dos hospitais, segundo dados da ONG Observatório Nacional de Segurança Viária. Educação, luta em que este noticiário tem se empenhado, foi considerada prioritária aos novos motoristas.

Mas perdura ainda a sede pelas multas como atitude que as autoridades preferem continuar. É uma indústria cruel que empobrece mais brasileiros, maioria dos quais usa os veículos automotores para trabalhar e obter o sustento da família. Agentes militares ou não, recebem incentivos financeiros ou de outra forma, pelo volume de multas lançadas no período. Mais uma crueldade que o Presidente da República, Jair Bolsonaro, quer acabar. Apesar dessa vontade, esqueceu-se de falar em educação. Poderia ter aproveitado o momento para exigir dos que dirigem veículos. É o segredo para acabar com a tragédia dos acidentes.  

Mas aparece uma luz no Parlamento. Na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, especialistas criticaram resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e o projeto de lei do Poder Executivo (PL 3267/19) que altera o Código de Trânsito para, entre outros pontos, flexibilizar o uso dos simuladores nas aulas dos futuros condutores, reduzir a carga horária da formação e trocar parte das aulas presenciais pelo ensino a distância.

Durante a audiência pública, o deputado Abou Anni (PSL-SP) mostrou vídeo em que um motorista de transporte de cargas perigosas, leva no máximo meia hora para conseguir um certificado on-line. Junto com representantes das autoescolas, o parlamentar se posicionou contrariamente à adoção dessa modalidade de ensino.

"Além de ser mais caro, o curso on-line não qualifica os condutores para estarem em via pública dirigindo", disse Anni.

Comportamento


Relações institucionais do Observatório Nacional de Segurança Viária, Francisco Garonce, afirmou que 90% dos acidentes de trânsito são provocados por falha humana. Ressaltou que o desafio é promover uma mudança geral de comportamento. "Não podemos negligenciar a questão do fator humano para a segurança viária. E isso está relacionado à educação, à formação para o trânsito."

Os debatedores concordaram que essa educação deve ser vista de forma mais ampla, cobrindo do ensino fundamental à universidade. "A autoescola não é responsável sozinha pela mudança de comportamento da sociedade. Nós temos a nossa parcela, não vamos nos furtar da formação teórico-técnica e de prática veicular. No entanto, as instituições também têm de colaborar", declarou o presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do Rio Grande do Sul, Edson Luiz da Cunha.

O coordenador-geral do Denatran, Francisco Brandão, reconheceu que os motoristas brasileiros recebem um treinamento por um período curto e que a educação no trânsito ainda não foi implantada. Já Haley Bueno, diretor-técnico do Detran do Distrito Federal, lembrou que cabe aos detrans promover a reciclagem dos motoristas.

 

Fonte: Agência Câmara - Cláudio Ferreira
 

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