Remédios mais vendidos podem piorar o ceratocone
21-11-2019 21:05:07 (440 acessos)
Um em cada 3 dos 20 medicamentos mais vendidos no Brasil em 2018 podem piorar o ceratocone, doença degenerativa responsável por 70% dos transplantes no Brasil. Moléstia faz a córnea se deslocar para a frente e tomar a forma de um cone. É isto que denuncia o guia de 2019 da INTERFARMA (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa). Leôncio Queiroz Neto, oftalmologista de Campinas, entende que há piora porque medicamentos contêm substâncias como dipirona e losartan.

Segundo o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, do Instituto Penido Burnier o agravamento do ceratocone acontece porque  os remédios no topo do ranking de vendas no País contêm substâncias que agravam o olho seco: a  dipirona, analgésico para aliviar dores, e o  losartan, cujo princípio ativo faz parte de muitas fórmulas utilizadas no  tratamento de hipertensão arterial entre outras alterações cardíacas. Além dessas duas classes de medicamento, o especialista destaca que antialérgicos, anticoncepcionais, antidepressivos, tranquilizantes, descongestionantes e os indicados para má digestão também podem desestabilizar a lágrima. Por isso,  exigem acompanhamento de perto para evitar complicações na córnea associadas à toxidade dessas substâncias.

Levantamento

A análise de 315 prontuários do hospital realizada pelo oftalmologista, mostra que 24% dos portadores de ceratocone têm olho seco, o dobro da prevalência na população brasileira. As alterações na lágrima induzidas por remédios podem afetar todas as camadas da córnea, salienta. Os sintomas da síndrome do olho seco são: vermelhidão, ardor, sensação de areia nos olhos e coceira, principal fator de risco relacionado à progressão do ceratocone.

A melhora da lubrificação dos olhos é essencial no tratamento da doença.  As dicas de Queiroz Neto são:

  • Usar lágrima artificial sem conservante.
  • Incluir na dieta alimentos ricos em ômega 3 como sardinha e linhaça
  • Reforçar o consumo de legumes verduras e frutas ricos em vitamina A e E.
  • Beber bastante água, manter os ambientes livres de poeira e umidificados com uma vasilha de água.
  • Evitar travesseiros de pena e condicionador de ar.
  • Consultar um oftalmologista sobre aplicações de luz pulsada no consultório. A terapia estimula a produção da camada lipídica da lágrima e por isso diminui a evaporação.

Crosslink para córneas mais finas

Queiroz Neto afirma que desde 2018 os planos de saúde cobrem o crosslink, única cirurgia capaz de interromper a progressão do ceratocone. O procedimento é ambulatorial, e associa riboflavina (vitamina B2) e radiação ultravioleta para fortalecer ligações cruzadas entre as fibras de colágeno da córnea, aumentando  a resistência do tecido  em até 3 vezes.

O problema é que a técnica tradicional só pode ser aplicada em córneas de no mínimo 400 µm. Este padrão foi alterado pela crosslink epi on que pode ser aplicado em córneas de no mínimo 300 µm porque não retira a camada externa da córnea para aplicação da luz ultravioleta.

A eficácia do tratamento ainda é questionada por alguns especialistas, mas de acordo com Queiroz Neto o procedimento causa menos dor, a recuperação visual é mais rápida e o risco de infecção é menor. Além disso, um grupo de estudos dos EUA que acompanhou pacientes por 3 e 6 meses mostra que as duas técnicas são eficazes e que pacientes com mais de 35 anos podem obter resultados semelhantes aos mais jovens com o novo procedimento.

 

Fonte: Instituto Penido Burnier - Eutrópia Turazzi
 

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