UNICEF diz que crianças mais pobres ainda sofrem pelo mundo
20-11-2019 21:39:31 (443 acessos)
Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) afirma que em 30 anos desde a Convenção sobre Direitos, houve ganhos em favor das crianças. Em documento histórico, opinam os especialistas que "crianças mais pobres ainda não sentiram o impacto desses avanços". Henrietta Fore, diretora executiva do UNICEF disse que "vontade e determinação política" serão decisivas para superar as adversidades que penalizam as mais vulneráveis.

“Além dos desafios persistentes de saúde, nutrição e educação,

hoje as crianças precisam enfrentar novas ameaças, como

mudanças climáticas, abuso online e cyberbullying. Somente

com inovação, novas tecnologias, vontade política e aumento

de recursos ajudaremos a transformar a visão da Convenção

sobre os Direitos da Criança em uma realidade

para todas as crianças em todos os lugares.”

Observa documento do UNICEF que a taxa global de mortalidade de menores de 5 anos caiu cerca de 60%; a proporção de crianças em idade escolar que não frequentam a escola, diminuiu de 18% para 8%; os princípios orientadores da CDC (Convenção sobre Direitos da Criança) – não discriminação, os melhores interesses da criança, o direito à vida, sobrevivência e desenvolvimento e o direito à proteção – influenciaram globalmente inúmeras constituições, leis, políticas e práticas.

Mas nos países de baixa e média renda, as crianças das famílias mais pobres têm duas vezes mais chances de morrer de causas evitáveis, antes do quinto aniversário, do que as crianças das famílias mais ricas.

De acordo com dados disponíveis, apenas metade das crianças das famílias mais pobres da África ao sul do Saara, está vacinada contra o sarampo, em comparação com 85% das crianças das famílias mais ricas.

Apesar do declínio nas taxas de casamento infantil em todo o mundo, as meninas mais pobres de alguns países correm mais riscos hoje do que em 1989.

Apesar de referências positivas, ameaças antigas e novas

afetam crianças em todo o mundo: a pobreza, a discriminação

e a marginalização continuam colocando em risco milhões de

crianças mais desfavorecidas — conflitos armados,

xenofobia crescente e a crise global de migração e refugiados

têm um impacto devastador no progresso global.

As crianças estão fisicamente, fisiologicamente e epidemiologicamente em maior risco de sofrer os impactos da crise climática. Mudanças rápidas no clima estão espalhando doenças, aumentando a intensidade e a frequência de eventos climáticos extremos e criando insegurança alimentar e hídrica. A menos que sejam tomadas medidas urgentes, o pior para muitas crianças ainda está por vir, segundo o documento.

Embora mais crianças estejam imunizadas, uma desaceleração nas taxas de cobertura de imunização na última década está ameaçando reverter ganhos duramente conquistados na saúde: a cobertura vacinal contra o sarampo estagnou desde 2010, contribuindo para o ressurgimento da doença mortal em muitos países. Quase 350 mil casos de sarampo foram registrados em 2018, mais do que o dobro do total em 2017.

O número de crianças fora da escola estagnou e os resultados de aprendizagem para os que estão na escola permanecem baixos: globalmente, o número de crianças que não estão no nível primário, permanece estático desde 2007. Muitos dos que estão na escola não conseguem aprender o básico, muito menos as habilidades necessárias para prosperar na economia de hoje.

Para acelerar o progresso no avanço dos direitos da criança

e tratar da estagnação e do retrocesso de alguns desses direitos,

o relatório pede mais dados e evidências; ampliação de soluções

e intervenções comprovadas; expansão de recursos; engajamento

de jovens na criação conjunta de soluções; e aplicação dos

princípios de equidade e igualdade de gênero na programação.

O documento também reconhece que, embora todos esses elementos sejam necessários para provocar mudanças, o mundo em rápida mudança também exige novas modalidades para enfrentar oportunidades e desafios emergentes e incorporar novamente os direitos das crianças como causa global.

Para encontrar esses caminhos, nos próximos 12 meses, o UNICEF planeja iniciar um diálogo mundial sobre o que será necessário para tornar a promessa da convenção uma realidade a todas as crianças. O discurso será inclusivo, envolvendo crianças e jovens, pais e responsáveis, educadores e assistentes sociais, comunidades e governos, sociedade civil, academia, setor privado e mídia. E influenciará a maneira como a organização atuará no futuro.

“A Convenção está numa encruzilhada entre seu passado ilustre e o futuro potencial. Cabe a nós renovar nosso compromisso, tomar medidas decisivas e nos responsabilizar”, disse Fore. “Devemos seguir o exemplo dos jovens que estão se manifestando e defendendo seus direitos como nunca antes; devemos agir agora – com ousadia e criatividade.”

No Brasil

Para celebrar o aniversário da CDC, o UNICEF Brasil lançou o relatório “30 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança: avanços e desafios para meninas e meninos no Brasil”. A publicação mostra o que avançou no País, os problemas que ainda persistem e os novos desafios enfrentados por crianças e adolescentes hoje.

O relatório na íntegra pode ser acessado aqui.

 

Fonte:
 

 Não há Comentários para esta notícia

 

Aviso: Todo e qualquer comentário publicado na Internet através do Noticiario, não reflete a opinião deste Portal.

Deixe um comentário

zrST2