Capim Dourado, rico artesanato do Tocantins
Capim dourado compoe o rico artesanato do Topcantins e de boa parte da regiao norte no Brasil
08-09-2020 22:00:52 (1219 acessos)
No limite da Amazônia Legal, Estado do Tocantins, comunidade quilombola do Mumbuca, Ramom Morato acompanha a coleta de matéria-prima peculiar. Das veredas do Jalapão para as mãos de artesãos e artesãs, o capim dourado, que na verdade não é capim e sim uma planta da família das sempre-vivas, de valor ambiental, social e cultural na região. Nas mãos quilombolas o capim dourado e a seda do buriti, se transformam em artesanatos que encantam os turistas brasileiros e estrangeiros.

No Jalapão, a economia criativa é fomentada pelo turismo. Com o turismo, também vieram as associações de lojistas que garantem a compra de boa parte do artesanato produzido. O recurso finito está cada vez mais escasso.

Com o apoio de pesquisadores e organizações não governamentais, os comunitários apostam no manejo e no uso racional da matéria-prima. A dúvida é: Estas comunidades tradicionais podem contribuir para a conservação dos recursos naturais na medida em que se utilizam deles para melhorar as suas condições de vida?

 

Capim dourado é uma espécie de sempre-viva da família Eriocaulaceae (Syngonanthus nitens Ruhland), ocorre em campos úmidos próximos a veredas em diversas regiões do Cerrado (por exemplo, nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Bahia). Na região do Jalapão, localizado no estado do Tocantins, com a palha do qual se faz artesanatos, tais como: pulseiras, brincos, chaveiros, bolsas, cintos, vasos, peças de decoração entre outros.

Sua característica principal é a cor que lembra a do ouro. A principal localidade, onde começou o desenvolvimento da produção artesanal, é Mumbuca em Tocantins, um vilarejo localizado no município de Mateiros. Atualmente esses artesanatos são produzido em outras localidades da região do Jalapão.

O artesanato de capim dourado chegou ao Jalapão em meados de 1920 pelas mãos de índios Xerente. A arte foi aprendida por moradores da comunidade quilombola da Mumbuca e, desde então, é passada de geração em geração nas comunidades jalapoeiras.

Os pequenos maços de hastes do capim dourado eram costurados com uma fibra fina e resistente obtida de folhas novas da palmeira buriti (Mauritia flexuosa). Essas duas espécies ocorrem naturalmente no Cerrado do Brasil Central e são muito abundantes no Jalapão.

O Capim Dourado só pode ser colhido entre 20 de Setembro e 20 de Novembro para que não entre em extinção. Existem regulamentações no estado do Tocantins que proíbem a saída do material "in natura" da região, somente em peças já produzidas pela comunidade local, visando assim a sustentabilidade ambiental, social e econômica do local.

Posteriormente, o artesanato Capim Dourado foi mostrado pela primeira vez a um grande público em 1993 na primeira FECOARTE (Feira de Folclore, Comidas Típicas e Artesanato do Estado do Tocantins) em Palmas Tocantins.

Incentivados pela primeira-dama do município, Eleusa Miranda Costa, os Artesãos apresentaram um trabalho que despertou o reconhecimento do publico em geral e das autoridades presentes, classificando o artesanato de mateiros em primeiro lugar pela originalidade das peças em capim dourado.

Atualmente, as peças já produzidas em capim dourado podem ser encontradas em diversas partes do Brasil, como em vários países.

 

Cerratinga

Uma das preciosidades do Cerrado são os fios dourados da sempre-viva que brota em campos do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás, Tocantins, Distrito Federal e Bahia. O capim-dourado (nome científico: Syngonanthus nitens), apesar do nome, não é um capim, ou seja, não pertence à família das gramíneas, sendo, na verdade, a haste de uma pequena flor branca da família das sempre-vivas (família Eriocaulaceae).

Cada pé de capim-dourado é uma sapata (ou roseta, como dizem os especialistas), que cresce perto do solo e tem três ou quatro centímetros de largura. Cada sapata, em geral, produz duas hastes por ano. No entanto, algumas plantas podem produzir até 20 hastes/ano. No topo das hastes, brotam flores muito pequenas, as quais resultam em pequenos frutos secos. Tais frutos não são comestíveis, eles são os guardiões das sementes que garantem a perpetuação da espécie. Cada cabeça de haste guarda até 60 sementes, as quais, devido ao seu tamanho reduzido, têm uma aparência de poeira marrom. Na região do Jalapão, TO, o Instituto Natureza do Tocantins definiu regras para a colheita das hastes de capim-dourado utilizadas na confecção de artesanato, que resultaram na Portaria 092/2005, reeditada como Portaria 362/2007 com o objetivo de evitar a extinção da espécie. As medidas a serem tomadas são: as hastes apenas podem ser colhidas após 20 de setembro, ou seja, somente após a maturação das sementes; os frutos devem ser cortados e dispersos no solo logo após a colheita; as hastes de capim dourado não podem sair da região in natura,apenas em forma de artesanato.

capim dourado é matéria-prima para a confecção de bolsas, bijouterias e objetos de decoração, que são nacionalmente conhecidos e valorizados. A arte de transformar as hastes em artesanato é uma herança dos índios Xerente. Os utensílios fabricados por eles eram utilizados em casa ou trocados por outros produtos. Atualmente, a produção de tais peças artesanais é a principal fonte de renda de centenas de famílias.

Publicação para download

Boas Práticas de Manejo para o Extrativismo Sustentável do Capim Dourado e Buriti (PDF)

Cooperativa Central de Capim Dourado

Associação de Artesãos de Capim-Dourado do Tocantins

 

Fonte: TV Brasil
 

 1 Comentários para esta notícia

  1. author

    bom dia, gostaria de conhecer os produtos que os artesãos produzem. tem algum telefone para contato? o meu fone (whatsaap) 019-981260768


 

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